O carro conectado já é parte da realidade do seguro de automóveis no Brasil e a telemetria começa a ser utilizada para precificar o seguro de automóvel de acordo com a realidade de cada condutor.

O Programa Direção em Conta usa um dispositivo simples, colocado na porta OBD do carro e que vai transmitir todos os dados de condução do veículo para uma Central.

“A pessoa que acessa o Programa tem direito ao bônus Liberty, um programa de desconto que corresponde a uma classe de bônus a mais daquela que a pessoa já possui no mercado. Este bônus exclusivo é válido apenas enquanto o cliente for segurado da companhia. Ou seja, caso opte por fazer um seguro com outra companhia, este bônus obtido na Liberty não se aplicará. Exemplo: uma pessoa que adere ao seguro pela primeira vez, possui a categoria de bônus 0. Se ela aceita o Programa, ela recebe uma classe de bônus superior, o bônus 1.”

Durante quatro meses todos os dados da condução do veículo serão transmitidos  a uma central e compilados para determinar um “score”. “Ao final deste período é feita uma análise dos dados coletados, considerando-se quase 40 variáveis, como freadas bruscas, velocidade em curvas, aceleração etc”, explica o superintendente do Inteligência de Marketing e Inovação da Liberty Seguros, José Mello.  O cliente terá acesso a este score por um site ou no aplicativo do celular, em tempo real. Ele precisa ter score mínimo de 50% para poder manter o desconto na renovação.

Quem atingir a marca de 50% terá direito à manutenção do bônus de um nível acima da sua classe de seguro, ou seja,  mantém o desconto prévio que conseguido no momento da contratação. Continuando no Programa, o cliente estará sempre com uma classe de bônus a mais do que o mercado daria para ele. Se ele volta para o mercado, terá direito à classe normal de bônus.

Quem não consegue atingir o score de 50%, não passa para a fase seguinte de desconto, ou seja, mantém apenas o desconto do mercado. “Mas, depois de um ano, pode requisitar novamente sua entrada no Programa, para conseguir subir de classe de bônus no ano subseqüente”, avisa Mello.

A Liberty Seguros é a primeira companhia a utilizar esta tecnologia para a precificação do seguro de automóvel. Mello conta que a seguradora tem uma longa experiência nos Estados Unidos, há cinco anos.

Estamos aproveitando bastante este expertise internacional aqui no Brasil. É isso que viabiliza a criação do produto aqui num prazo tão curto”. José Mello

Nos Estados Unidos, são comercializadas 12 mil apólices com telemetria por mês. Mais de 90% das pessoas que entram no Programa conseguem atingir o score de 50%. Nesta operação, a sinistralidade de quem utiliza a tecnologia e acompanha o seu desempenho real time é 20% menor do que a média.

 

Presente e futuro

Por enquanto, uma das barreiras de utilização da telemetria para efeito de precificação de seguros é o custo do aparelho. No caso do Programa Direção em Conta, ele será instalado pela Liberty Seguros. Entretanto, Mello acredita que daqui a dois ou três anos, os veículos deverão sair de fábrica com o dispositivo funcionando. “O segurado deverá decidir apenas se deseja ou não compartilhar suas informações. Se for para obter benefícios financeiros, como um desconto no seguro, certamente ele vai compartilhar”, antecipa.

Um Programa deste tipo não deve ser utilizado para penalizar os clientes que dirigem de forma mais agressiva. Ele será uma forma inteligente de fazer o seguro, garantindo que cada um pague somente pelo risco que representa. Para Mello, o uso da telemetria vai provocar uma seleção de risco positiva, pois somente aqueles que acreditam que podem conseguir o desconto vão aderir ao Programa. Além disso, as pessoas irão perceber e reconhecer a sua forma de dirigir, sendo passíveis de auto-correções. “Ainda é muito cedo para lançarmos um programa que contemple estas características, porque é uma grande ruptura no mercado, mas este é o ponto em que queremos chegar: que a pessoa pague exatamente por aquilo que ela usa”.

Se imaginarmos o futuro, o seguro de automóvel vai ser infinitamente mais barato e as seguradoras terão que aprender a viver neste novo mundo. “Não é pagar mais, é pagar o preço justo”, enfatiza o executivo, acrescentando que na média, o preço deve cair, porque as pessoas dirigem bem.

Telemetria

Participação dos corretores

Muitas pesquisas foram feitas com corretores antes de a Liberty criar um programa como esse. “Os profissionais não estão olhando pela ótica de que pode diminuir prêmio ou ganho, mas por aquela de como pode ampliar o mercado e como um produto pode ser mais justo. Tínhamos um pouco de receio, mas eles acenaram com possibilidade de ampliação do mercado, através do aumento da quantidade de itens segurados”, pontua Mello.

A projeção da seguradora, que possui uma carteira com 1,1 milhão de unidades seguradas, é que cinco mil clientes passem pelo Direção em Conta no primeiro ano do programa. Qualquer cliente poderá aderir, a partir do início de 2016. Por enquanto, a fase de testes será na capital de São Paulo, para o canal “concessionárias”. Desta forma, será possível refinar o programa e abri-lo em grande escala.

Este não é só um programa. É um jeito de pensar o futuro. Todos os dados disponíveis na telemetria abrem um universo de novas possibilidades. Agora, resta às seguradoras trabalharem com as novidades que vêm por aí, como o carro sem motorista. Neste caso, não será mais precificado pelo carro, mas pelo uso. “O seguro será da pessoa que está utilizando o carro. Estudos mostram que os carros sem motorista sofrem e causam menos acidentes. Se o carro for um bem público, não haverá mais interesse no roubo e furto, por exemplo. 10 anos passam rápido”, avisa Mello.

 

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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