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Chapada dos Veadeiros, Goiás. Foto: site Thousand Wonders

O mercado de seguros ganhou força nas últimas duas décadas, o que foi impulsionado principalmente pela estabilidade econômica, em meados dos anos 1990. De lá para cá, o faturamento do segmento passou de 1% para 6% na representação do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. E ao que tudo indica, a atual crise econômica não deve abalar o ramo securitário: a CNseg ainda espera que o setor cresça dois dígitos e alcance os 12% até o final de 2015.

Uma das principais razões para o setor caminhar tão bem é o desempenho da atividade na região Centro-Oeste do Brasil, sobretudo em Goiás, que tem apresentado resultados positivos. De acordo com o estudo “Estatísticas de Seguros”, realizado pela Fenacor, o Estado foi responsável por 3,4% da receita total por seguros (exceto seguro saúde), percentual registrado de janeiro a maio deste ano. No mesmo período de 2014, o número chegava a 3,2%.

Mendanha

Na última década, Goiás tem merecido atenção especial das principais e grandes companhias seguradoras, que expandiram negócios e ampliaram presença no Estado. Isso fez com que a corretagem de seguros alcançasse bons resultados em volume de negócios”, diz Joaquim Mendanha, presidente do Sincor-GO

O executivo lembra que, ao mesmo tempo em que o crescimento do prêmio líquido no Brasil ficou na ordem de 18,3% (comparando os períodos de julho de 2013 a junho de 2014 e julho de 2014 a junho de 2015), em Goiás o avanço chegou a 28,2% – cerca de 10 pontos percentuais a mais.

O sucesso está diretamente relacionado à atuação dos corretores de seguros, que ao longo dos anos perceberam que comercializar apólices de um único ramo já não é mais suficiente para garantir um maior share em sua base de clientes. Passaram, então, a apostar na criatividade para empreender nos negócios e fizeram isso utilizando meios como a internet, o e-mail marketing e o cross selling (venda cruzada), além de células comerciais específicas.

“Os corretores de seguros locais experimentam um novo modelo de trabalhar no mercado não só comercializando apólices, mas trazendo novas ferramentas de gestão empresarial como CRM, controles operacionais e controles financeiros e fiscais”, explica Mendanha.

Em Goiás, que abriga aproximadamente 1350 dos quase 80 mil corretores atuantes no País, os ramos de seguros mais atendidos seguem a média nacional. Assim como no restante do Brasil, a maior parte da atuação ocorre em Previdência, seguro de automóvel, seguro de pessoas e Ramos Elementares.

tabelaFormação, aperfeiçoamento e capacitação

Se os ramos de seguros atendidos em Goiás e no Brasil caminham lado a lado, na região o que se destaca é a formação, o aperfeiçoamento e a capacitação de seus corretores de seguros.

Durante as “Oficinas de Empreendedorismo”, promovida pelo Sincor-SP em junho na cidade de Atibaia (SP) , Mendanha ressaltou a importância de as entidades sindicais e a federação trabalharem para construir a essência do corretor de seguros por meio de ações que apontem a deficiência de cada profissional.

Para auxiliá-los, o Sincor-GO oferece palestras em áreas de interesse destes profissionais e promove um ciclo de debates na capital e no interior do Estado voltado para a solução de problemas operacionais enfrentados pelas corretoras de seguros. Um dos debates é realizado por meio do projeto “Café e Seguros”, no qual a entidade permite aos corretores goianos discutir toda a engrenagem do mercado.

As corretoras associadas ao Sincor-SP que abrem espaço para jovens qualificados pela entidade confirmam: hoje, a maior deficiência dos corretores locais é a ausência de mão de obra qualificada.

Alfredo

No passado, as seguradoras foram responsáveis pela formação dos profissionais que atuam no segmento de seguros em Goiás. Como atualmente as companhias trabalham com um número reduzido de funcionários, o mercado ficou carente na formação de mão de obra”, declara Alfredo Divino Cândido, sócio majoritário e corretor responsável pela Tâmega Corretora de Seguros

Dos três colaboradores da empresa, um passou pelos cursos do Sincor-GO. Por ser um segmento rentável e duradouro, Cândido afirma que os jovens chegam ao mercado de trabalho bastante motivados. “O maior desafio que eles encontram é iniciar uma carreira profissional sem nenhum conhecimento teórico e prático, ter que aprender com os erros e acertos até adquirir experiência”, diz Cândido.

Neste sentido, a capacitação pode ajudar os iniciantes a adquirir teoria técnica e comercial, características a serem aperfeiçoadas ao longo da carreira. Em parceria com a Funenseg e o Sindseg MG/MT/DF e GO, o Sindicato investe na formação de mão de obra por meio dos projetos Banco de Talentos e Amigos do Seguro, que formam assistentes técnicos prontos para o mercado. Somente em 2015, a ação formou um banco de talentos de 25 jovens entre 16 e 25 anos, sendo que a maioria deles já está atuando na área.

Amarizio

O curso prepara o jovem para atuar no mercado de seguros, dando uma boa formação e embasamento teórico. Isso facilita a contratação desses jovens em uma corretora de seguros”, afirma Amarizio Ribeiro Costa, gerente de vendas da corretora Unimed Goiânia

A corretora está com processo seletivo aberto no qual participa um candidato formado recentemente pelo programa de jovens corretores.

Por fim, o que também deve ser destacado, na visão de Joaquim Mendanha, é o processo de sucessão empresarial – dificuldade enfrentada não só no Estado. “A sustentabilidade do negócio, ao longo dos anos, é um fenômeno a ser enfrentado. O investimento em gestão, foco da administração do Sindicato em 2016, é uma forma de reduzir os impactos nesse sentido”, conclui o executivo.

Lívia Sousa
Revista Apólice

 

 

 

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