Após adquirir a carteira de seguros de grandes riscos do Itaú Unibanco, seguradora Ace decidiu incorporar suas operações no Brasil. Com foco em segmento empresarial, a companhia pretende submeter a incorporação à Susep ainda no primeiro semestre deste ano.
“As operações de Itaú e Ace são absolutamente complementares. Isso facilita e agiliza o processo de integração. Queremos ser a seguradora de pessoas jurídicas, das grandes, mas também das pequenas e médias empresas no Brasil”, disse Antonio Trindade, ex-presidente da Itaú Unibanco e responsável por capitanear a nova fase da Ace, em entrevista à Agência Estado.
Enquanto a seguradora do Itaú tinha foco somente em grandes riscos, a Ace é forte, segundo ele, em afinidades, canal que customiza apólices para o varejo ou empresas, vida, patrimônio e responsabilidade civil (P&C) e também em grandes riscos, mas com atuação mais de nicho como em transportes, garantia e linhas financeiras.
Sem revelar números, Trindade diz que os planos da Ace para o País são de crescimento em 2015 ainda que as expectativas macroeconômicas apontem para mais um exercício de recessão e um ano “morno” em grandes riscos.
“As grandes empresas vão continuar funcionando e segurando os seus ativos”, observa ele.
Por outro lado, a seguradora vai descontinuar carteiras que não façam sentido estratégico como seguro de automóvel, conforme o executivo.
Ele explica que além de pequeno, a carteira não traz vantagem competitiva para a operação da Ace no Brasil e, portanto, a partir deste mês já não fará mais parte do portfólio da companhia.
Em relação aos rumores de redução da carteira de grandes riscos após migração do Itaú para a Ace, o executivo diz que alguns contratos não foram renovados porque não eram interessantes para a companhia. Garante ainda que ao unir as duas operações formará uma seguradora ainda mais criteriosa na análise e aceitação de risco, processo esse conhecido como subscrição no mercado, ao integrar ambos os modelos.
O Itaú detinha contratos com gigantes brasileiras como Petrobras, Vale e Odebrecht que agora estão sob o guarda-chuva da Ace que segue com apetite para crescer em grandes riscos, cujo market share é estimado pelo mercado em cerca de 18%.
Questionado sobre a possibilidade de os desdobramentos da Lava Jato resultarem em sinistros para a companhia, Trindade diz apenas que não há “tensão”.
Acrescenta ainda que a seguradora tem interesse em participar da renovação do seguro operacional da Petrobras que deve acontecer em breve e do qual já participa há 15 anos.

FONTE: Agência Estado
A.C.
Revista Apólice

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