20 de maio foi o dia da advogada Angélica Carlini apresentar suas ideias. Isso aconteceu em dois momentos distintos, em São Paulo, primeiro na sede da AIDA (Associação Internacional de Direito do Seguro), onde ela mostrou os projetos da nova gestão da entidade, da qual é presidente, e depois no almoço do Clube Vida em Grupo de São Paulo, quando mostrou as implicações de mudanças no Código de Defesa do Consumidor para o mercado de seguros.
Pela manhã, juntamente com Inaldo Bezerra Silva Júnior, 1º vice-presidente, e Sergio Barroso de Mello, diretor de relações internacionais, Carlini exibiu aos jornalistas o projeto de gestão para o biênio 2014-2016. Entre os objetivos está a Campanha de Sócios, a fim de garantir a pluralidade de ideias dentro da associação. “A AIDA quer ser sempre uma entidade independente, que congregue uma pluralidade muito grande de participações”, ressaltou.
Com o objetivo de propagar os trabalhos desenvolvidos dentro dos grupos da associação, o projeto prevê ainda o retorno da revista eletrônica. “Sentimos falta de um meio de comunicação científico que divulgue, principalmente, os trabalhos que são realizados nos grupos”, afirmou Carlini.
A presidente destacou ainda a importância de se ampliar os canais de diálogo com todo o mercado de seguros. “Nossa preocupação é alinhar os trabalhos discutidos nos grupos com as principais necessidades do setor”.
Por fim, Carlini salientou que as metas definidas no projeto fazem parte dos preparativos para o Congresso Mundial da AIDA em 2018, que será realizado no Rio de Janeiro.

carlini dilmo

Clube Vida em Grupo-SP
Na hora do almoço foi a vez dos associados da entidade ouvirem as opiniões da advogada Angélica Carlini sobre as implicações das mudanças do CDC para o mercado de seguros. Desde a criação do Código, em 1991, a sociedade atravessou três fases distintas: a primeira foi a da descrença geral e do temor dos empresários sobre como seria o futuro; a segunda (no início dos anos 2000), foi de intensa judicialização; agora a terceira, valoriza o diálogo entre as partes. Outro ponto bastante ressaltado por Carlini foi o fato do Governo colocar no mesmo”balaio” conceitos como cidadania e consumo. “Isso é completamente errado. A cidadania é a construção política de uma nação e ela é conjunta. O consumo é completamente individualista”.
“O Código de Defesa do Consumidor é muito bom e serve de modelo para o resto do mundo. Ele precisa agora ser atualizado, apenas”, destacou Carlini, enfatizando que o mercado terá que ser mais criativo na sua maneira de informar o consumidor, porque esta é uma das maiores exigências dos novos tempos.
A principal delas seria o aumento do poder dos Procon´s, que teriam caráter punitivo, além da aplicação de multas. Outro ponto é a criação de Procon´s em localidades onde eles ainda não existem de forma mais descomplicada, independente de vontade política. “O Procon Web também deve ser criado pela nova Lei, o que deverá agilizar a forma do consumidor realizar suas reclamações”.
Tudo isso mostra que o mercado terá que criar caminhos para que o consumidor entenda o setor de forma clara. “Para isso, devemos reconhecer que precisamos de humildade para buscar novas formas de informar o consumidor, sendo mais criativos”, disse Carlini. Como exemplo, ela citou o grupo Sompo, no Japão, que utiliza até mangás (tipo de história em quadrinho) para passar informações aos consumidores sobre produtos.

Thaís Carapiá e Kelly Lubiato
Revista Apólice

 

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