As empresas de seguro têm sofrido cada vez mais ataques fraudulentos. É o que mostram os números da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada, Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). O último estudo da entidade, de 2012, constatou que dos R$ 28 bilhões de pedidos de indenizações, R$ 2,17 bilhões são sinistros suspeitos, R$ 450 milhões possuem fraude detectada e R$ 340 milhões são fraudes comprovadas.
Com tal contexto, as companhias estão empenhadas em por um fim neste crime, mas detectar sinistros falsos nem sempre é uma tarefa fácil. Se levarmos em conta o grande volume de dados envolvidos, as limitações de recursos e procedimentos acabam forçando muitas companhias a depender de métodos que só identificam a falsificação depois de ocorrida. Como resultado, as fraudes têm causado aumento de custos operacionais, além de impedir o crescimento e prejudicar a reputação das seguradoras.
Sabendo disso, o que as empresas precisam se perguntar é: nossos esforços para detectar fraudes são suficientes para o cenário atual? Isso significa não apenas elaborar um método de detecção, mas também implementar políticas de intervenção com o objetivo de modificar o comportamento do cliente e melhorar a percepção em relação a essa conduta abusiva.
Normalmente, o combate às fraudes não recebe a atenção suficiente das seguradoras. O desafio reside, muitas vezes, na quantificação de um problema que ainda não existe. É bastante difícil defender investimentos em infraestrutura como parte de um método contra atos falsificadores.
Extinguir esse tipo de crime é, sim, um processo longo. A boa notícia é que a tecnologia consegue ir bem longe nessa luta. A gestão de risco dentro das companhias de seguro, por exemplo, fornece uma abordagem estruturada para identificar, compreender e prever riscos, reduzindo, assim, a exposição à perda.
Porém, ela não é a única. Investigações internas, auditorias externas e relatórios também estão entre as muitas outras maneiras de identificar fraudes. E, o momento para se tornar mais efetivo é agora, devido à redução dos preços dessas tecnologias e à possibilidade de, a partir delas, levantar uma grande quantidade de informações que gerem previsões sobre os sinistros falsos.
O uso dessas tecnologias inovadoras destinadas a gerenciar e analisar dados estruturados faz com que as operadoras de seguros ganhem vantagem na detecção e prevenção desse crime. Com isso, as empresas estão começando a investir em soluções intuitivas, como a análise baseada em regras, mineração de dados e modelagem preditiva, que pode prever o futuro com base em experiências anteriores a fim de combater as reclamações. As informações extraídas dos dados ajudam a identificar potenciais casos de falsificação.
Já está mais do que na hora das companhias de seguro investirem em soluções contra a fraude. É fato de que os aportes em tecnologia serão bastante inferiores aos prejuízos somados por elas anualmente por sinistros falsos. Sendo assim, não há mais motivos para as seguradoras continuarem vítimas de ações que fogem ao controle do seu modelo tradicional de detecção de fraude.

* Roberto Ciccone é líder de consultoria para o segmento de seguros da IBM Brasil.

 

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