As seguradoras estão “muito preocupadas” com a frequência e a intensidade crescente dos fenômenos decorrentes de desastres naturais causados pelas alterações climáticas, e admitem fazer estudos que poderão influenciar o preço dos seguros em determinadas zonas.
“Estamos a notar que estes fenômenos têm uma intensidade cada vez maior e estão a provocar danos de grandes dimensões e a atingir muitas pessoas, portanto, é uma situação que nos preocupa muito, porque é uma cobertura que temos a noção que temos que dar aos cidadãos portugueses”, afirmou hoje o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Pedro Seixas Vale.
Por isso, a APS está fazendo “alguns estudos no sentido de verificar quais são as consequências e, dentro de muito pouco tempo, no próximo mês, será feita a apresentação de um estudo sobre as inundações em Portugal, analisando todo o território português”, revelou o responsável, num encontro com jornalistas em Lisboa.
O objetivo deste levantamento acerca do risco de inundações no território português, que envolve a Faculdade de Ciências de Lisboa, é “ver qual é a probabilidade de haver inundações e da sua gravidade”, assinalou Seixas Vale.
“Os resultados a que chegarmos, no que toca ao risco de inundações, devem mostrar que há algumas zonas em que é preciso ter imenso cuidado porque, se não se tiver esse cuidado, podem ter danos muito elevados, quer para as pessoas, quer para as empresas”, ressaltou, acrescentando que o risco de terremoto é ainda maior.
Em relação ao estudo sobre os riscos das inundações, o objetivo da APS é “ter uma informação mais correta”, para que seja estabelecido “um preço mais justo de acordo com esse conhecimento”, sublinhou.
Ao mesmo tempo, este levantamento visa “dar informação aos portugueses sobre os riscos que podem ter se fizerem construções em determinadas zonas”.
As instalações junto às praias e aos rios são algumas das que têm sido mais afetadas nos últimos tempos em Portugal devido aos efeitos do mau tempo, o que pode fazer com que os custos de se firmar um seguro para um bar de praia, por exemplo, subam em breve.
“A frequência e a dimensão dos desastres naturais são cada vez maiores e os custos vão ser cada vez maiores”, admitiu Seixas Vale.
De acordo com o presidente da APS, “quem tem um acidente de dez em dez anos não está disposto a pagar o mesmo que quem tem acidentes todos os anos”, motivo pelo qual é necessário se fazer uma distinção em relação ao preço dos seguros de acordo com o risco de ser necessário acioná-los. “Há um limite de solidariedade que nós temos”, ressaltou.
No ano passado, em janeiro, as seguradoras assumiram custos na ordem dos 100 milhões de euros devido ao mau tempo. Já este ano, também em janeiro, devido aos estragos provocados pelo temporal que assolou Portugal, os prejuízos para o setor ascenderam a 11,5 milhões de euros, de acordo com a informação existente.

Fonte: tvi 24

T. C.
Revista Apólice

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