O mundo em constante mutação
Como quaisquer pais que acabaram de ter um filho, certamente William e Kate estão pensando no futuro de seu pequeno. Eles olharão para frente com uma mistura de otimismo e preocupação. Muita coisa pode acontecer que não podemos prever, mas é possível ver algumas tendências hoje: crescimento populacional, mudança de hábitos de mobilidade, uso de energia, mudança climática, e como tudo isto pode afetar a geopolítica.
Se o bebê George se tornar rei quando estiver com 65 anos, quanto o mundo dele, em 2078, será diferente do mundo em 2013? Antes de olharmos na bola de cristal, vamos primeiro dar uma rápida olhada no passado: quando o Príncipe Charles nasceu, 65 anos atrás, em 1948, a Europa estava acabando de sair da pior guerra de sua história. Isto, em contrapartida, deu impulso ao movimento da Europa unificada de hoje, permitindo que a maioria dos europeus viva sua vida inteira em paz. Por outro lado, o Império Britânico estava terminando e seria substituído pela Comunidade das Nações, em 1949.

Vivo e com boa saúde aos 65 anos: o envelhecimento das sociedades
Quando o pequeno Príncipe George fizer 65 anos, os seus pais William e Kate provavelmente ainda estarão vivos. De acordo com a ONU, há cerca de 410.000 pessoas com mais de 100 anos de idade hoje, e até 2078 o número de centenários aumentará para 11,3 milhões. Portanto, aos 65 anos, George será uma pessoa de meia-idade, e não um idoso, e não estará sozinho. Em um estudo sobre centenários, Michaela Grimm, economista sênior na Allianz, comentou, “No futuro, as pessoas que chegarem a uma idade muito avançada não serão mais uma raridade”.
Apesar da expectativa de queda nas taxas de natalidade no futuro, com as pessoas vivendo tanto tempo, a população mundial continuará crescendo. Quando o Príncipe Charles nasceu, a terra abrigava somente 2,5 bilhões de pessoas. Há apenas dois anos, éramos sete bilhões de pessoas. Em 2078, o mundo poderá ter até dez bilhões de pessoas. Se a coroação do príncipe for em 2078, a população da Grã Bretanha deverá estar um pouco maior do que é hoje. Não obstante, a população da Europa terá sofrido uma redução de dez por cento.
Isto também significa que quando George começar a exercer o seu reinado, não será mais incomum que as pessoas com mais de 65 anos ainda estejam trabalhando em tempo integral. Comeste tipo de sociedade senescente, teremos que pensar em várias coisas, do planejamento urbano ao local de trabalho. Hoje, o planejamento estratégico de força de trabalho é essencial para combinar com o tamanho e o perfil de habilidades de uma força de trabalho futura como demandas empresariais futuras.  Os mercados para construções e produtos “amigáveis para idosos” continuarão crescendo, enquanto os bancos e as companhias de seguros precisarão adaptar seus produtos financeiros.
“Neste mundo futuro, o nosso conceito de trabalho e pensões será completamente obsoleto”, diz Volker Deville, vice-presidente executivo da Allianz e co-organizador do apoio governamental para idosos do Fórum Demográfico anual de Berlim. “Provavelmente ainda haverá alguma forma de apoio governamental para idosos, e as pessoas continuarão economizando para a velhice, mas as pessoas em 2078 trabalharão mais na terceira idade. Elas serão mais saudáveis e estarão mais motivadas para trabalhar e, portanto, o maior desafio político hoje é investir em sua educação para que tenham as habilidades que precisarão amanhã.”
Portanto, não será só o Príncipe George que estará ansioso por começar a trabalhar como rei aos 65 anos de idade – muitos de seus compatriotas ainda estarão longe de se aposentarem nessa idade.

A economia e a política: novas ordens mundiais
O mundo será provavelmente mais rico em 2078, tanto em números totais quanto na média, mas as concentrações de riqueza terão mudado. A China terá sido, durante muito tempo, a maior economia do mundo e terá conduzido a maior parte do restante da Ásia pelo mesmo caminho. Poderá até mesmo haver uma moeda asiática única para facilitar o comércio. Na Grã Bretanha do Rei George VII, a indústria de manufatura estará praticamente extinta – seguindo a tendência que começou nos anos 1970. O foco da economia britânica estará quase que exclusivamente nos serviços, com a Londres offshore florescendo como um centro de serviços financeiros. Quando o Príncipe George se tornar rei, a União Europeia provavelmente terá muito mais membros. A união terá um mercado muito mais integrado, mas poderá ter uma união mais flexível, ambas as situações sendo bem-vindas para a Grã Bretanha de hoje. A Europa não será mais uma “superpotência” em 2078, pois ela nunca teve a aspiração de ser uma. No entanto, o mundo será multipolar, com a China, a Índia e os Estados Unidos entre os grandes players.
A Ásia ainda terá a maior população, mas a maior parte do crescimento populacional ocorrerá na África. Ela passará de 14 por cento para um terço da população mundial. “Se as nações africanas conseguirem alavancar esta vantagem demográfica, o reinado do Rei George VII poderá ocorrer durante o ‘Século Africano’,” afirma Wolfgang Ischinger, Chefe Mundial de Política Pública e Pesquisa Econômica do Grupo. O fato de seu pai William amar a África – Kate e William ficaram noivos no Quênia, em 2010 – certamente fará com que o jovem George seja um fã do continente em breve.
Provavelmente dependeremos menos do petróleo, mas podemos esperar conflitos com relação a recursos mais básicos como a água e as terras raras. Isto significará novas alianças, mas significará provavelmente também que a Europa e os Estados Unidos terão se aproximado ainda mais, pois seus interesses comuns superam suas diferenças.
“O Príncipe George adulto, os nossos tomadores de decisões de amanhã e os nossos descendentes enfrentarão desafios que têm sua origem principalmente no mundo de hoje”, diz Ischinger. “Também temos uma responsabilidade hoje em determinar o seu andamento”.

A.C.
Revista Apólice

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