entrevista | José Adalberto Ferrara 

Ele quer exceder as expectativas de clientes, corretores e colaboradores

José Adalberto Ferrara assumiu a presidência da seguradora Tokio Marine no dia 1º de julho. Depois da experiência internacional de morar 5 anos em Boston, ele voltou ao país e entrou para o mercado de seguros, ramo em que atua há 13 anos. Na Tokio desde 2009, ele agora quer transferir sua experiência no setor operacional para a gestão e ainda aproveitar a troca de conhecimento internacional dentro do Grupo.

Kelly Lubiato

APÓLICE: Sua experiência de back-office deve trazer novidades para a presidência da seguradora?
José Adalberto Ferrara: Ver as coisas de uma perspectiva diferente é uma característica nata de uma pessoa que trabalha com operações. Procura­mos enxergar a companhia a partir da visão com maior nível de automação, melhoria na qualidade dos serviços prestados aos corretores, assessorias e clientes, sempre reduzindo ao máximo a possibilidade de erros através de processos. O exercício da função pos­sibilita não só ver todas as operações da companhia como também ajuda a enxergar formas de buscar a excelência operacional.

APÓLICE: Como estimular os correto­res a enxergar o cliente como um todo e oferecer outros produtos?
José Adalberto Ferrara: Um desafio do mercado é fazê-lo crescer e aumentar sua participação no PIB, diminuindo a política do rouba-montes e trazer novos clientes ao mercado. Esta política é prejudicial aos seguradores, que precisam reduzir cada vez mais suas margens e para os corretores, que também vêem suas condições prejudi­cadas por conta da competição acirrada. Para fazer o mercado crescer, a venda cruzada é uma estratégia, porque você oferece novos produtos a novos nichos de mercado ou vende mais produtos para o mesmo segurado.
Temos projetos com objetivo de colocar ao corretor ferramentas fáceis de serem utilizadas, do ponto de vista operacional, para incentivá-lo a fazer a venda cruzada para seus clientes.

APÓLICE: São ferramentas de tec­nologia?
José Adalberto Ferrara: Tem muito de tecnologia agregada, além de experiência de qual seria a melhor forma de navegabilidade nos siste­mas para proporcionar facilidade no momento da cotação conosco. Temos que aproveitar o momento único da venda, porque sabemos que o custo de aquisição é elevado para ambas as partes (corretores e seguradoras). Se pudermos diluir este custo em mais de uma venda, obviamente, o corretor será mais produtivo.

APÓLICE: Quais produtos vocês apos­tam que serão os mais vendidos num futuro próximo?
José Adalberto Ferrara: Para o segmento de pessoas físicas, eu diria que ninguém ainda conseguiu encontrar o ponto certo para a venda de produtos de baixo custo. O corretor tem uma ten­dência natural de maximizar o tempo dele por conta deste custo de aquisição. Os corretores não conseguem dedicar o mesmo tempo para os produtos de baixo tíquete que eles dedicam para o automóvel, por exemplo.

APÓLICE: Onde há mais espaço para crescer?
José Adalberto Ferrara: Temos espaço para crescer em alguns seg­mentos de pessoas físicas e também em termos de pessoas jurídicas. Neste caso, é importante a indústria de seguros crescer. Hoje, ela representa 5,77% do PIB. Quando olhamos do ponto de vista de seguros patrimoniais, esse número cai para 2,2%. Quando comparamos com mercados como Estados Unidos (11%), Japão (10%) e Holanda (14%) percebemos que há muito espaço de crescimento em relação ao PIB.

APÓLICE: O que precisa ser feito?
José Adalberto Ferrara: Temos que trabalhar no tripé seguradores, corretores e órgãos reguladores para encontrar soluções inovadoras. É im­portante que seja reduzida a política de rouba-montes.

APÓLICE: Os órgãos reguladores estão trabalhando de forma efetiva em prol do mercado?
José Adalberto Ferrara: Acho que sim. Eles estão trabalhando for­temente em mercados promissores, como o seguro de automóvel popular e o microsseguro. Eles estão participati­vos na definição de produtos e serviços do mercado. Percebo essa vontade de trabalhar de forma unida. Cabe a nós, como seguradoras, fomentar o desen­volvimento do setor compartilhando informações.

APÓLICE: Nos seguros patrimoniais o que fazer para crescer?
José Adalberto Ferrara: São seguros difíceis. Em auto popular, por exemplo, o grande desafio é saber o que fazer em relação às partes e pe­ças usadas. Como vou garantir que a peça de um veículo seja reutilizada com garantia de que o produto não é fruto de roubo? Na Tokio Marine, nós marcamos todas as peças de carros que recebem a classificação de perda total. É uma tecnologia que numera todas as peças do veículo sinistrado. Temos um custo caro, mas conseguimos saber se qualquer parte pertence a um veículo sinistrado da seguradora.

APÓLICE: Há outras seguradoras fazendo isso também?
José Adalberto Ferrara: Não sei te dizer. Como eu era responsável pela área de sinistros, isso me chamou a atenção. É uma lata que solta um spray com formato de número, que somente pode ser vista através de uma luz es­pecífica. É uma forma de certificação positiva de partes e peças de veículos. Porém esta é só uma tecnologia, exis­tem outras.

APÓLICE: Como é o intercâmbio de informações entre a filial brasileira e a matriz da Tokio?
José Adalberto Ferrara: A Tokio Marine tem presença em 38 países, com o Japão. O Brasil é a terceira operação fora do Japão, atrás apenas dos Estados Unidos e da Inglaterra. Duas vezes ao ano é realizado um encontro de CEO´s, que propicia a troca das melhores prá­ticas do Grupo.
No Brasil, da mesma forma que temos sido exemplo para outros países, também tomamos decisões levando em conta boas experiências internacionais. Essa é uma prática comum motiva­da pelo novo presidente do Grupo, Tsuyoshi Nagano, egresso da área internacional da companhia. Ele disse o seguinte: Ferrara, você tem a missão de ser um propagador desta filosofia de trabalhar pensando no Grupo todo. Pela sua experiência em gerir estes 37 países, ele traz a cultura para sermos uma “good company”, que significa: se você for uma companhia boa para os funcionários, clientes, corretores e parceiros de negócios, o resultado será uma consequência.

APÓLICE: Essa troca do CEO mundial ocorreu no mesmo dia em que você assumiu. Era uma estratégia?
José Adalberto Ferrara: O ano civil da companhia vai até 31 de março. Em abril ela publica as mudanças e em julho elas entramem vigor. No Brasil, nós temos o desafio de dar certo.

APÓLICE: Como um “gaijin” foi indicado para a presidência da Tokio Marine?
José Adalberto Ferrara: É um motivo de orgulho para todos nós. Aumenta ainda mais nossa responsabi­lidade para que tudo funcione, mas faz parte da mentalidade do Grupo trans­ferir gradativamente a gestão das ope­rações para pessoas nativas. Esta é uma das razões pelas quais a companhia se destaca no cenário internacional. É uma decisão inteligente. Chegou o momento dela fazer isso no Brasil.

APÓLICE: Como está o relaciona­mento com os corretores de seguros e as assessorias?
José Adalberto Ferrara: Hoje te­mos como principal canal de vendas os 15 mil corretores e as quase 100 asses­sorias parceiras. A gente vem investin­do R$ 100 milhões/ano em tecnologia agregada para a melhoria dos serviços e desenvolvimento de produtos. Investi­mos boa parte deste valor nos portais do corretor, do cliente, nos cotadores web, em serviços de regulação de sinistros (que é o momento mais crítico, em que a companhia tem que mostrar eficiência). Este é um investimento que dá retorno rápido, pois tivemos um aumento sig­nificativo da produção.

APÓLICE: Aumento de quanto?
José Adalberto Ferrara: Em 2012, crescemos 28%, contra 13% do mercado.

APÓLICE: Em todas as carteiras?
José Adalberto Ferrara: Sim. Na carteira de automóvel crescemos 57%. No primeiro semestre de 2013 crescemos 38%, em relação ao mesmo período do ano passado. Em automóvel, crescemos 54% no primeiro semestre, comparado ao mesmo período do ano passado.

APÓLICE: E a que você atribui este crescimento?
José Adalberto Ferrara: É a resposta que os corretores estão dando para o bom serviço que estamos pres­tando. Estamos atingindo níveis de excelência nos principais processos: emissão, cobrança de prêmios e regu­lação de sinistros. Vamos continuar investindo também no canal assesso­rias, que responde por quase 40% da produção da carteira de automóveis. Queremos ouvir as assessorias para receber sugestões de melhorias para o Portal do Corretor.

APÓLICE: É diferente lidar com cor­retores e com assessorias?
José Adalberto Ferrara: São negó­cios diferentes. O corretor tem a visão do seu negócio. A assessoria visualiza toda a produção dos corretores vinculados a ela. A assessoria precisa de ferramentas de gestão para seu público. Ela tem ne­cessidade de gerir o negócio e sua carteira de colaboradores. Ela faz o papel de uma sucursal. Por isso, eu preciso oferecer inteligência para a assessoria ter a mesma visão da carteira que uma sucursal da Tokio Marine tem, porém, limitada aos corretores a ela vinculados.

APÓLICE: Qual é a distribuição geo­gráfica das assessorias?
José Adalberto Ferrara: Elas estão espalhadas pelo Brasil inteiro.

APÓLICE: Elas chegam a substituir sucursais?
José Adalberto Ferrara: Elas es­tão em locais onde não temos presença física. Daí a importância das assesso­rias no modelo de vendas. Hoje, temos 52 sucursais.

APÓLICE: Como está o processo de venda via internet?
José Adalberto Ferrara: Venda direta não faz parte de nossos planos. Sempre teremos como parceiros os corretores de seguros. Temos sido solicitados por corretoras online para participar com nosso sistema multicál­culo. Eu percebo que cada empresa faz a abordagem de forma muito particular. As que percebo que têm mais sucesso são aquelas que fazem a abordagem via internet e concluem o negócio por telefone ou pessoalmente. Todas as cotações da companhia acontecem em ambiente web.
Os produtos massificados, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, já são cotados via web. O acompanha­mento do sinistro também pode ser feito totalmente via web pelo segurado.

APÓLICE: Quais são as expectativas da companhia para este ano?
José Adalberto Ferrara: A com­panhia tem um projeto de cinco anos, chamado Plano Vencer, iniciado em 2012 e que vai até 2016. Faz parte deste plano terminar 2016 com R$ 3 bilhões de prêmio emitido, e deixar o Índice Combinado inferior a 100%. Hoje es­tamos em 102,8%, até junho de 2013. Devemos fechar 2013 com um total de prêmio emitido entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões e IC menor. O mercado segurador cresce descolado do PIB brasileiro, com índices de dois dígitos. Tudo indica que isso vá continuar.

APÓLICE: Que mensagem você deixa para os corretores?
José Adalberto Ferrara: Faz par­te da nossa estratégia dar continuidade à cultura de trabalhar o mais próximo possível dos corretores, de ouvi-los em relação à melhoria de serviços, à identificação de produtos e nichos de mercado em que estão atuando. Queremos este feedback. Esta aproxi­mação com corretores e assessorias é uma realidade na companhia e que a gente quer intensificar cada vez mais. Conto muito com corretores e com os colaboradores. Faz parte da nossa meta fazer com que a Tokio Marine seja con­siderada, no mercado brasileiro, uma excelente companhia para se trabalhar. Temos a estratégia dos 3 ‘C’: exceder as expectativas de nossos Clientes, Cor­retores e Colaboradores. Isso para que nossos colaboradores tenham orgulho de vestir a nossa camisa, porque com um bom atendimento o resultado acaba se tornando conseqüência.

 

especial benefícios | saúde

Gestão de saúde populacional no Brasil
Conceito estimula empresas a manterem programas de acompanhamento permanente da saúde dos seus funcionários
Jamille Niero

Um levantamento realiza­do nos Estados Unidos pela Staywell Health Management, especializada em implementar hábitos saudáveis entre funcionários no ambiente empresarial, mostra que os riscos de saúde de colaboradores tendem a cair com a elaboração de programas de gestão e a incorporação deste processo ao plano de negócios.
A pesquisa tomou como base as respostas de mais de 700 mil profissio­nais, esposas e funcionários aposenta­dos envolvidos, direta ou indiretamente, em programas de gestão de saúde promovidos por companhias do país norte-americano. Com boas práticas, os riscos diminuíram 4,7%, mais que o dobro do resultado obtido por empresas que criaram ações isoladas de incentivo à saúde (2%).
Os fatores diferenciais para o sucesso da gestão de saúde são a for­matação de ações estruturadas e com metodologia abrangente; incentivos integrados; uma boa estratégia de co­municação; projeções e coleta de dados biométricos e, por fim, integração com os fornecedores.
Este conceito foi trazido para o Brasil e está sendo divulgado pela Asap (Aliança para a Saúde Populacional). O objetivo da entidade, criada neste ano a partir da união de grandes empregadores brasileiros, é incentivar a padronização das iniciativas de gestão de saúde. “Que­remos imprimir a cultura da prevenção no DNA das empresas brasileiras. Estí­mulos aos bons hábitos só terão efeito se o mercado corporativo deixar de adotar iniciativas paliativas e passar a focar em um programa de acompanhamento permanente, que atenda as populações de maneira customizada e conforme o grau de risco de cada beneficiado”, acredita Marilia Ehl Barbosa, superintendente executiva da Asap.

Como as empresas fazem hoje
A combinação de sedentarismo, es­tresse, competição e o envelhecimento da população aumentou consideravel­mente a frequência de doenças origi­nadas no ambiente de trabalho. Tanto que o peso da saúde sobre a folha de pagamento das empresas saltou de 4% para 8% em duas décadas no Brasil.
Um dos objetivos da gestão de saúde populacional é reduzir o custo desnecessário. “Nenhuma das ferra­mentas tem por objetivo limitar o acesso do segurado à assistência, mas sim usar os recursos de saúde com racionalida­de, pois eles são finitos. Sempre que ultrapassam o limite, o custo aumenta”, reflete Alexandre Zornig, diretor da Allianz Saúde.
Segundo o executivo, a Allianz mo­nitora a população de todas as empresas clientes da sua carteira de saúde, mas o acompanhamento é mais intenso nas quais são detectadas populações com riscos específicos. “Todas devem fazer ações de promoção à saúde e prevenção de doenças. Mas as medidas específicas com foco em portadores de doenças crônicas precisam ter população-alvo, senão acabamos mobilizando a empresa de maneira desnecessária”, raciocina.
A ideia é sempre agir ativamente e já oferecer às empresas clientes o moni­toramento da carteira e, posteriormente, a adoção de ações específicas.
O resultado varia de acordo com cada empresa e seu perfil. Se não es­tiver dentro do esperado, a seguradora propõe novas ações para melhorar o quadro.
“Percebemos que nossos clientes estão mais preocupados em implantar programas de gestão do quadro de funcionários. Porque quando eles ob­servam que os custos com benefícios de saúde têm representatividade importan­te dentro dos resultados das empresas, que se preocupam, por obrigação ou por necessidade, e passam a entender que profissionais saudáveis melhoram a produção”, fundamenta Zornig.
O executivo relata que, nos Es­tados Unidos, empresas já oferecem incentivos financeiros para que seus profissionais participem dos programas de prevenção e promoção da saúde. “Acredito que ações similares devem acontecer no Brasil no médio prazo”, prevê.
É interessante também que as empresas, ao adotarem a gestão de saúde populacional, entendam que os resultados não serão percebidos tão rapidamente.
Os resultados das ações aparecem no médio e longo prazo. No caso de programas com hipertensos, por exem­plo, melhoras podem ser percebidas de um ano e meio a dois anos. “Isolamos os dados dessa população e vemos o histórico de uso da assistência médica antes e depois do programa”, exempli­fica Francisco Bruno, consultor sênior da Mercer Marsh Benefícios.
Bruno concorda que as empresas estão mais conscientes da necessidade de fazer a gestão de saúde do seu quadro de funcionários e da criação de progra­mas de promoção da saúde e prevenção de doenças. “Os custos médicos devem crescer de7 a10% acima da inflação econômica em 2013. O aumento de custos faz com que aumente o enten­dimento da importância da gestão de saúde populacional”, reflete.

Como fazer a gestão da saúde populacional
Segundo Marilia, o que existe nas empresas hoje é a criação de várias iniciativas de prevenção e promoção da saúde, porém, falta integrá-las e monitorar os seus resultados de for­ma conjunta. “O que as empresas já entenderam no Brasil é a necessidade de fazer algo diferente para financiar a saúde, senão, no futuro, a oferta de assistência médica pelo empregador será inviabilizada”, constata.
No entanto, Marilia considera que a compreensão do conceito de “gestão da saúde populacional” já está em an­damento aqui. Não é um investimento barato, mas trará resultado no médio e longo prazo.
O primeiro passo é analisar a população que compõe o quadro de funcionários e dividir os riscos ali pre­sentes. Ou seja, separar os indivíduos saudáveis dos portadores de alguma doença crônica, como diabetes ou hipertensão. “É preciso atuar sobre os saudáveis também, porque hoje a pes­soa é saudável, mas se não se cuidar, poderá ficar doente amanhã”, observa a superintendente.
É importante medir os resultados, observando os indicadores de saúde e os econômico-financeiros. Como exemplo: ao detectar um grupo de dia­béticos, observar o número de consultas e internações e conferir se o indivíduo está frequentando um especialista ou apenas pronto-socorros. Ao monitorar este indivíduo, é possível indicar a ele o médico adequado, evitando tratamentos e internações desnecessárias.
Caso o empregador não tenha es­trutura adequada para fazer esse mo­nitoramento internamente, já existem empresas especializadas neste tipo de solução. A fornecedora de assistência médica (seja seguradora ou operadora de plano de saúde/odontológico) cola­bora informando os dados de uso do plano ou seguro saúde. “A rede creden­ciada pode acompanhar os pacientes em conjunto com a empresa. Se é um médi­co que acompanha o paciente há muito tempo, porque não trocar informações com ele?”, sugere Marilia.
A troca de informações entre as três partes envolvidas – empregadora, consultoria de benefícios e seguradora/ operadora de saúde – é importante tam­bém para evitar conflito de interesses, analisa o diretor comercial da Ameplan Assistência Médica, Laureci Zeviani. “Algumas operadoras implantaram processos preventivos para os seus be­neficiários com doenças crônicas. Por outro lado, algumas consultorias espe­cializadas na gestão de negócios corpo­rativos passaram a oferecer a empresas clientes acompanhamento dos pacientes patológicos crônicos e trabalhos espe­cíficos com grupo populacional com potencialidades patológicas (fumantes, hipertensos, diabéticos etc.). Se um dos pacientes crônicos da operadora coincidir com um funcionário de uma dessas empresas da consultoria, pode­mos concluir que haverá um conflito de interesses: as duas vão investir tempo e dinheiro para acompanhar o mesmo paciente?”, indica. Logo, explica Ze­viani, o ideal não é decidir “quem deve fazer a gestão da saúde populacional”, mas qual é a melhor maneira de fazer. “Provavelmente, algo compartilhado entre as três partes envolvidas, pois todas sairão ganhando”.
Segundo Marilia, empresas como Vivo, Siemens, Vale, Whirpool e Na­tura já estão aplicando este conceito de gestão de saúde populacional no seu quadro de funcionários.
“Estamos negociando com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suple­mentar) para validar um processo de monitoramento. Queremos promover uma cooperação técnica e fazer parce­rias com entidades representativas de saúde suplementar”, indica.
A expectativa é que, em 2015, exista um processo de certificação de melho­res práticas para quem já promove o gerenciamento de saúde populacional da maneira considerada ideal pela Asap.
Embora ainda não existam indica­dores precisos e convincentes para os empresários, algumas experiências mos­traram queda no absenteísmo e melhora nos indicadores de produtividade após a implantação de ações. Por exemplo, o estudo Programa Idade Ativa, realizado pela SulAmérica Saúde, realizado com o tipo de paciente mais crítico, o idoso, apontou que em três anos conseguiu-se uma redução em 15% no número de internações, enquanto os sêniores no grupo de controle tiveram seu índice ampliado em 155%. Já o exemplo da AxisMed, empresa especialista em programas de gestão de saúde popula­cional, aponta que clientes já obtiveram uma economia de R$ 165 milhões, nos últimos 10 anos, graças a um novo olhar sobre a saúde de seus mais de 9 milhões de funcionários e colaboradores.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008 apontam que aproximadamente 10,3 milhões de brasileiros, entre 14 e 64 anos, permaneceram algum tempo afastados do emprego por orientação médica. Uma quantidade que seria di­minuída se os programas preventivos de saúde fossem mais populares no mundo corporativo, indicam os especialistas.
“As gestões modernas focam as pessoas como a verdadeira razão do sucesso de seu negócio, então, o bom estado psicossomático dos colaborado­res é uma questão de sucesso organiza­cional. Qualquer que seja o segmento de negócio, sempre há algo que possa ser feito para melhorar”, complementa Zeviani, da Ameplan.
“O que é complicado no projeto de gestão de saúde é não começar. Tem que dar o primeiro passo, mesmo sem ter o resultado imediato”, finaliza Bruno, da Mercer Marsh.

Envelhecimento populacional e doenças crônicas
* Segundo a ONU, em todo mundo, uma em cada nove pessoas tem 60 anos ou mais. Em 40 anos, a proporção será de uma em cada cinco;
* Nos últimos 50 anos, a esperança de vida ao nascer do brasileiro subiu de 48 anos para 73,4 anos, informa o IBGE. No mesmo período, o número de filhos por mulher diminuiu de 6,3 para 1,9;
* De acordo com o IESS (Instituto de Estudos da Saúde Suplementar), estima-se que, em 2030, de 46% a 57% do PIB será gasto com a previdência – hoje a proporção é de 19%. Os gastos com saúde pública, até o período, aumentarão em 150% por conta do envelhecimento populacional;
* Em 2008, 71,9% dos brasilei­ros de 65 anos possuíam ao menos uma doença crônica. O número de diabéticos em 1995 era de 135 mi­lhões. Tal número poderá chegar a 300 milhões em 2025. Os dados são do IBGE;
*A hipertensão atinge 22,7% da população adulta brasileira, apontam dados do Ministério da Saúde. Desse total, o diagnóstico em mulheres é mais comum, 25,4%, e em homens, 19,5%.

 

especial benefícios | investimento

Mercado brasileiro é alvo de empresas estrangeiras

Com grande número de potenciais clientes, operadoras de saúde investem em gestão de custos para se consolidar no país
Amanda Cruz

Um levantamento feito pela ANS em 2003 indicou que 32 milhões de pessoas eram beneficiárias de planos de saúde e outras 4 milhões possuíam planos estritamente odontológicos. Na apuração feita no ano de 2012, esses números saltaram para 47 milhões e 18 milhões, respectivamente.
Essas avaliações indicam um crescimento significativo da saúde suplementar no Brasil. O setor possui deficiências como qualquer outro e pretende saná-las o mais breve possí­vel. Apesar do crescimento, o mercado atinge apenas cerca de 20% da popula­ção, o que demonstra o potencial para expansão da atividade.
Por esse motivo, o interesse de empresas estrangeiras no Brasil tem se mostrado cada vez maior.
Elas entram no país a procura de um público diversificado, pretendendo uma consolidação no mercado. Para Marcio Serôa de Araujo Coriolano, presidente da FenaSaúde, esses investi­mentos ajudam muito o mercado. “Eles contribuem com mais garantias, solidez e melhores práticas agregadas”, afirma. Mas Coriolano lembra ainda que é preciso que “as empresas sejam bem estruturadas e com alta capacidade de gestão, uma vez que essa área lida com situações de alta complexidade”
Coriolano destaca também que essa entrada não prejudicará a concor­rência do setor. Para ele, o mais im­portante é que as operadoras busquem acrescentar valor aos produtos e essa competitividade servirá para que elas se empenhem em agregar melhores práticas. “A entrada de investimento estrangeiro não afeta a concorrência, nem gera concentração de mercado, diferentemente de outros setores da economia”, afirma.

Planejamento financeiro
Tanto para empresas estrangeiras quanto para nacionais, a questão de gestão e planejamento das ações é uma preocupação recorrente. Isso ocorre, para alguns especialistas, porque as exigências feitas pelos órgãos regula­dores aumentam o rol de serviços que devem ser oferecidos para os clientes, o que exige maior capital das empre­sas. Para Leandro Almeida, diretor Comercial de Benefícios da JLT Brasil, “o grande ponto focal é olhar para a saúde e construir reservas técnicas, caso contrário ficará inviável. O rol aumenta e isso acaba se refletindo no bolso do consumidor final”, destaca.
Esse aumento de valor é repas­sado, principalmente, para os idosos, pois seus planos são os que possuem maiores prêmios, nem sempre sendo compatíveis com a renda mensal do beneficiário. Conseguir administrar os ganhos pode se tornar uma chance de ajudar a sanar esse problema, segundo Almeida. “O idoso precisa do plano, não vai deixar de pagar. Saúde, quando a gente atrela atendimento com bom gerenciamento, torna-se oportunidade para grandes companhias”, opina.
Para atender a crescente demanda desse mercado, as operadoras têm se empenhado em investimentos. Os planos de saúde em grupo são, sem dú­vida, a melhor aposta das operadoras. Eles diluem os riscos e proporcionam um preço mais acessível a quem con­trata. Por isso, algumas companhias têm deixado de comercializar planos individuais e passam a investir com mais força nas parcerias com empre­sas.
Almeida também destaca que existem práticas que podem levar os administradores a se posicionarem melhor, a avaliarem a situação interna da companhia e conseguir administrar de acordo com a situação atual do país. “Controle, gerenciamento e liquidação dos custos médicos. A nossa balança precisa se estabilizar”, esclarece.
As operadoras de saúde que atuam no Brasil estão cada vez mais atentas às necessidades da população. Mesmo as companhias estrangeiras que decidem atuar no país estão muito mais focadas em novo tipo de público. A classe C se tornou também a prioridade dessas empresas, por representar um mercado em franca expansão.
“O cidadão economicamente in­cluído coloca os gastos pessoais com serviços de saúde em primeiro plano, seja por meio da aquisição de seguros e planos privados ou pela busca por qualidade de vida. Por isso, no longo prazo, desenha-se um cenário de gran­de potencial, o que atrai empresas”, acrescenta o presidente da FenaSaúde.
Essas mudanças são um indício de que o Brasil é realmente uma das primeiras apostas das grandes com­panhias. Para Almeida, ainda que a economia esteja passando por um novo momento, “isso dá um voto de confiança ao país. É um chamariz para os investidores”, afirma.

Possibilidade de crescimento
Muitas companhias estabelecidas aqui ainda não ingressaram nesse seg­mento, mas não descartaram a possibili­dade de atuação. Com isso, os corretores podem esperar por maior competitivida­de. As operadoras terão que investir em diferenciais para poder acompanhar a concorrência e conseguir se estabelecer com êxito no mercado.
As companhias que vêm de outros países devem ficar atentas à legislação brasileira. Apesar de não haver grandes dificuldades ou burocracias, as regras para atuação em saúde no Brasil são específicas e rígidas. Dagoberto Lima, advogado especializado em saúde suple­mentar, reforça a posição da legislação. Ele ressalta que as empresas de outros países têm que saber suas limitações. “Tem que obedecer a normas, tal qual outras empresas brasileiras. Comprar hospital diretamente é mais difícil. Pre­cisaria até estabelecer uma empresa aqui, seguindo a Constituição, salvo em casos especiais”, explica.
Isso ocorre porque os hospitais não podem fazer abertura de capital ou dis­ponibilizar suas ações em bolsas de va­lores, por exemplo. O capital estrangeiro deve investir nas operadoras como um todo, como a parte administrativa, ou se empenhar em empresas de diagnósticos e farmacêuticas, que são mais flexíveis do ponto de vista jurídico.
Há muito tempo há a crença de que essa legislação possa mudar e que, assim como em outras áreas da economia, os hospitais possam ter autonomia para de­cidir a entrada das empresas estrangeiras em seu capital. Lima lembra que em qua­se 200 milhões de brasileiros, apenas 47 milhões já são beneficiados pelos planos de saúde “Ainda é pouco, porque entre a população geral, cerca de 140 milhões depende apenas do SUS, que já não está mais suportando”, afirma. É provável que a necessidade acabe em uma revisão que proporcione o acesso a uma parcela maior de clientes.
As empresas chegarão para ampliar a atuação. Realizando a gestão de capital e encontrando apoio da reguladora, é pos­sível que o mercado cresça mais do que o apresentado nos últimos anos. Caso con­trário, os valores continuarão subindo e o que deveria ser uma estratégia de inclusão acabará por excluir os beneficiários que hoje tem renda suficiente para arcar com os custos da saúde privada. Sejam esses beneficiários individuais ou as empresas, que acabaram se tornando as grandes parceiras dos planos de saúde.
Independentemente da origem da operadora que atuar no Brasil, há um desafio que todos os prestadores de saúde terão que enfrentar, destacado por Corio­lano. “Às empresas estrangeiras que op­tarem por investir no mercado brasileiro cabe enfrentar o desafio da longevidade, que requer sistemas de financiamento, gestão e prestação de serviços eficientes”, aposta. As pessoas não só estão vivendo mais, como estão procurando maior qualidade de vida. Elas não querem ter desperdícios com a assistência privada. É normal que à medida que envelhe­çam os prêmios, assim como os riscos, aumentem. “É importante observar que todo o dinheiro disponível para investi­mento vem da contribuição mensal feita pelos beneficiários dos planos”, finaliza Coriolano.

especial benefícios | odontologia

Garantia de um sorriso natural

Empresas procuram serviços que visam o bem-estar do funcionário. Acesso a planos de saúde bucal está entre os três principais pedidos

Amanda Cruz

A saúde bucal dos brasileiros é uma questão que passa antes de tudo pelos valores culturais. Embora as pessoas apresentem reais preocupações com a qualidade de vida, elas tendem a dispor maiores recursos em planos de saúde. Os planos odontológicos acabam ficando em segundo plano, pois os problemas desencadeados às vezes demoram a aparecer e despertar preocupações.
O custo do atendimento odontoló­gico particular é uma das questões que mais pesam para que as pessoas deixem de prestar atenção em sua importância. É isso o que afirma Andrea Figueire­do, superintendente executiva da Área Odontológica da SulAmérica. “Se uma pessoa não precisar de odontologia em determinado momento, ela vai contor­nando a situação, deixando para ir ao dentista quando estiver em uma melhor condição financeira ou em caso de ur­gência”, destaca.
Mas a dificuldade em lidar com odontologia acaba quando o assunto está diretamente ligado às empresas, sendo apresentado como um benefício. Andrea ressalta como ocorre essa mudança de acesso: “o plano odontológico empresa­rial é barato para quem dá e essencial para quem recebe. Entra para preencher essa lacuna, e ainda ajuda a reter o bom profissional”, afirma.

Desempenho do mercado
O interesse pelo investimento por parte das empresas impulsiona o mer­cado, que tem crescido na casa dos dois dígitos. Em 2012, segundo dados divul­gados pela ANS, o ramo atingiu 12% de crescimento, mesmo em época de desa­celeração da economia. Mesmo assim, a odontologia possui apenas cerca de 18 milhões de beneficiários, o que é um número muito pequeno perto do tamanho da população.
Fabio Nogi, superintendente de planos odontológicos da MetLife, traça um paralelo com o mercado odonto­lógico norte-americano. “Nos Estados Unidos, que possui um mercado muito mais maduro nesta linha de negócio, mais de 60% dos habitantes possuem alguma modalidade de seguro odontoló­gico. Naquele país, a MetLife possui 24 milhões de beneficiários e mais de 180 mil dentistas credenciados”, destaca. O mercado brasileiro possui aproximada­ mente 250 mil profissionais, porém a abrangência de planos fica em apenas 9% da população.
Hoje, a região que mais possui be­neficiários é a Sudeste, com destaque para Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Porém, a região Nordeste e alguns estados do Norte, em termos absolutos, representam o crescimento mais signifi­cativo do mercado.
A Odontoprev, por exemplo, aposta em clientes com perfil pré-determinado. “Do ponto de vista de planos coletivos, o executivo de RH das empresas é o target principal, uma vez que é o responsável pela análise e aprovação dos benefícios que são disponibilizados aos colaborado­res”, revela Renato Velloso Dias Cardoso, diretor de desenvolvimento de mercado do Grupo.

Interesse nos clientes
Para Cardoso, o grande desafio é estar mais perto dos clientes. “Estender a cobertura de seguros para um número cada vez maior de empresas localizadas em novos centros econômicos” é a aposta que o executivo faz para conseguir um número cada vez maior de clientes.
Reter o funcionário vai muito além da questão salarial. As empresas que inves­tem em planos odontológicos estão aten­tas a isso e procuram oferecer produtos que se enquadrem nas necessidades, tanto dos empresários quanto dos funcionários. O produto é o terceiro mais procurado em relação aos benefícios empresariais. Cardoso reconhece as vantagens de in­vestir no ramo empresarial “A assistência odontológica se tornou um diferencial competitivo para atrair e reter talentos, bem como diminuir a rotatividade e o ab­senteísmo, além de aumentar a motivação e melhorar a qualidade de vida dos fun­cionários, reforçando nossa necessidade de atuação junto aos RHs”, explica.
Já Andrea destaca que existe outra utilização: “Não é apenas reter funcio­nário. Às vezes a empresa é familiar. Os planos PME são mais interessantes que o individual também nesses casos”.
Sabendo dessa perspectiva de mer­cado, o Inpao Dental resolveu investir em marketing e conversar diretamente com quem propõe os benefícios para funcionários. “Estamos investindo com mais força em ações de marketing de relacionamento e em campanhas promo­cionais de vendas. Em outra frente, temos buscado desenvolver negociações com os sindicatos (patronal e laboral) no sentido de tornar o benefício odontológico item de primeira necessidade no Acordo Co­letivo da Classe”, revela Wagner Martins, diretor de Desenvolvimento de Negócios da empresa.
O diferencial dos planos coletivos é a abrangência. Na maioria dos casos, não há como definir um público alvo, já que as empresas que contratam possuem diferentes ramos e tipos de profissionais. “Atualmente, o plano odontológico atinge públicos dos mais variados segmentos e classes sociais, em função da diversidade de produtos disponíveis no mercado e do custo mais acessível, quando comparado ao plano médico e a outros benefícios”, ressalta Nogi.

Novos rumos
Para equilibrar a carteira as segura­doras têm se dedicado a vincular servi­ços, assim como já acontece em outros tipos de seguros. Sandra Angotti Ossent, coordenadores de odontoloogia da Porto Seguro Odontológico, exemplifica o que a empresa oferece. “Nosso segurado conta com descontos em farmácia, cobertura de acidentes em viagem e parceria com diversos estabelecimentos. É importante oferecer outros benefícios. A odontologia está crescendo e nós confiamos no plano”, afirma.
Já a MetLife desenvolveu o produto Dental PME Mais, especializado em pe­quenas e médias empresas. “Este produto foi desenhado para atender empresas de2 a100 funcionários, oferecendo diversas opções de comissionamento para os corretores, e contempla entre seus principais diferenciais a assistência viagem nacional”, destaca Nogi. Além disso, a empresa também disponibiliza o serviço que ajuda o cliente a encontrar um dentista credenciado através de SMS. Ao informar a sua posição ele receberá os locais próximos onde poderá receber o atendimento.
A Odontoprev investiu no atendi­mento aos grandes executivos, lançando o plano premium denominado Privan. “Os executivos buscam mais abrangência e um diferencial em seu tratamento odon­tológico. O produto disponibiliza atendi­mento nas principais cidades do mundo, facilidades através de aplicativos para smartphones e liberdade no reembolso de serviços com dentistas”, explica Cardoso.
Esses lançamentos demonstram a atenção que as empresas têm dedicado para odontologia. Os planos individuais podem ter sido menos procurados, mas os planos, como benefícios empresariais, ganham cada vez mais força. A SulAméri­ca também afirma seu investimento. “Não apenas em odontologia, mas em todo setor de PME, desenvolvemos um novo portfolio, mais aderente com o mercado, com produtos mais simples e mais fácil de ser comercializado. O produto é aprazível também para o corretor”, afirma Andrea.

Relação com o ramo
As mudanças promissoras são per­cebidas pelo modo como a utilização dos planos acontece. Sandra explica a relação dos brasileiros com seus recém-adquiridos planos: “Os clientes tratam no primeiro ano e a partir do segundo ano acontece a manutenção. A pessoa passa muito tempo sem ir ao dentista, quando vai há muita coisa para tratar”, relata. Depois disso, elas irão ao consultório apenas para continuar com a saúde bucalem dia. Essasegunda parte é a que tem menor custo, por isso Sandra ressalta que, mesmo após realizados os procedimentos necessários, o cliente deve manter o pla­no, pois, se tiver que fazer outro depois, os custos serão elevados. “Odontologia moderna busca a prevenção”, destaca.
As empresas que atuam no ramo são unânimes ao declarar a esperança de crescimento que têm nos planos odon­tológicos. Aliado às empresas, o ramo está em franca expansão e merece uma atenção especial.
A mudança no poder aquisitivo da população leva à mudança de postura dos empresários. Salário só não basta, as pessoas querem mais qualidade de vida e começam a se preocupar com itens que antes achavam longe de seu alcance. As empresas ajudam a encurtar esse ca­minho. Os funcionários se sentem mais estáveis e tendem a valorizar a empresa. Por isso, tanto um quanto o outro ficam mais exigentes e cobram das operadoras o atendimento que necessitam.

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Produtos resgatáveis são alternativa para seguros offshore

Há cerca de dois anos a Susep apertou o cerca às empresas internacionais que comercializam seguros por aqui. Agora, as empresas brasileiras começam a enxergar o potencial deste segmento

Kelly Lubiato

Até o início desta década era comum ouvir executivos brasileiros falando sobre a sua preferência em contratar apólices de seguro de vida no exterior. Eles eram motivados, principalmente, pela dificuldade em encontrar produtos que garantissem importâncias seguradas superiores a R$ 1 milhão e coberturas para pessoas acima de 60 anos.
Vários são os motivos para não se contratar um seguro no exterior: além de ser crime, em caso de não pagamento do sinistro, não há a possibilidade de reclamação em território nacional. Um destes casos resultou na multa de mais de 11 bilhões de dólares impetrada pela Susep à National Werstern, uma empresa americana que nunca operou diretamente em solo brasileiro, mas que conta com inúmeros segurados por aqui (mais in­formações no box da página 28).
O seguro de vida resgatável é aque­le que, como o próprio nome diz, tem uma cobertura para sobrevivência. “A sua contratação é feita por um período mais longo. Ele não é renovado a cada ano, apenas faz aniversário”, conforme explica a consultora Rosane Mastroléo, sócia da Horizon Consultoria Patrimonial e Compliance.
Fechar este tipo de negócio é um pouco mais complexo e contempla reu­niões entre o proponente e o corretor de seguros que, neste caso, merece o título de consultor financeiro. O profissional precisa saber de detalhes da expectativa financeira do cliente para entender a sua real necessidade de cobertura. Com o aumento da renda e da expectativa de vida, o brasileiro passou a ter poder aqui­sitivo para adquirir produtos com prêmio e importância segurada mais parrudos.
A primeira empresa que enxergou um mercado local potencial foi a Pru­dential do Brasil, que fincou seus pés por aqui em 1998. O modelo de sua operação atual nasceu no Japão, 10 anos antes, quando foi criado o modelo de Life Planner. “Desde a sua fundação, o modelo foi um sucesso, revolucionando o negócio de seguros de vida no Japão e levando a companhia a uma expansão que a tornou o destaque das operações internacionais de seguros de vida da seguradora”, ex­plica Fernando Pinto, vice-presidente de operações da Prudential do Brasil.
O país atravessa um momento de oportunidades e de otimismo no merca­do de seguros de vida em geral, princi­palmente para os produtos individuais personalizados. É um segmento ainda muito tímido, se comparado a países como Estados Unidos e Japão, que já possuem uma cultura sólida de consumo deste tipo de produto.
O perfil desse consumidor é formado por pessoas que pensam em proteção, mas que se interessam também pela for­mação de reserva. Esses recursos poderão ser utilizados no futuro, quando não houver mais necessidade de proteção, ou ainda em casos de necessidade financeira, sem a interrupção da proteção através de empréstimo, valor saldado e benefício prolongado. “Observamos em nossa base que esses clientes têm idade média de 35 anos. O Brasil está passando por uma transformação no perfil dos consumi­dores. Participamos hoje do nascimento de um mercado consumidor consciente e cada vez mais complexo, que será um dos grandes motores do crescimento do mercado de seguros nos próximos anos”, raciocina Pinto.
Este é um seguro completamente “tai­lor made”. Rosane explica que a partir de algumas perguntas, como: salário, tempo de contratação, número de dependentes, valores das despesas mensais etc, é possí­vel avaliar quais são as reais necessidades de cobertura de cada cliente. A partir daqui fica estabelecido o valor da impor­tância segurada. Acopla-se a isso mais um montante para a cobertura do risco de sobrevivência e, voilá, sabe-se qual é o valor do seguro.
Para o cálculo do prêmio, e aqui está o pulo do gato dos produtos de seguro resgatável, o cliente deverá passar por uma avaliação médica, que vai desde um teste clínico até a realização de exames para medir taxas de colesterol, glicemia etc. A partir destes resultados, os subscritores das seguradoras irão estabelecer se o cliente deve ter o prêmio agravado ou, em caso de ser uma pessoa saudável, receber algum tipo de desconto.
“Todo o processo de contratação é mais técnico, com exames médicos e subscrição individual”, confirma Eduardo de Freitas, diretor geral de Previdência e Saúde da Mapfre.
O preço é mais adequado a cada um, premiando quem cuida da saúde. Em ou­tros produtos, o valor é determinado pela média, não importando se a pessoa cuida ou não de sua saúde. Em muitos casos, o exame médico solicitado pela seguradoras ajuda o cliente a conhecer o seu real estado de saúde.
No produto comercializado pela Ma­pfre, o Bien Vivir, há seis níveis de risco. “A maioria das pessoas acaba ficando no nível em que foi caracterizado, pois a equipe de vendas é muito bem formada”, explica Freitas.
De acordo com Luiz Barsotti,vice-pre­sidente Comercial de Vida & Previdência da Zurich Seguros, só foi possível iniciar a comercialização deste tipo de produto porque o Brasil passou a ter um cenário econômico estável, com moeda forte e controle da inflação. “As pessoas puderam olhar com mais critério para as suas neces­sidades básicas e, agora, buscam produtos para garantir sua saúde e sua vida”.
Em sua avaliação, as empresas que vendiam seguros offshore eram fortes num período em que a economia era fraca e instável. “O estrangeiro veio com moeda forte, com seguro de capitais mais eleva­dos e política de subscrição mais justa”.
A formação do corpo de vendas é um dos maiores desafios das seguradoras. Para distribuir seu produto, criado há dois anos, a Mapfre já treinou mais de 400 correto­res. Sua carteira conta hoje com quase duas mil apólices. “Trabalhamos com um público mais restrito, pois o nível de treinamento é mais elevado, e a comissão varia de acordo com o volume de vendas”, conta Freitas, enfatizando que ganha mais quem vende mais.
A consultora Rosane, que é “máster” na venda de produtos da Mapfre, explica que a remuneração deste tipo de produto é muito interessante e perene. “Para quem deseja realizar um trabalho sério, o rendi­mento é vitalício”.
O interesse neste tipo de produto continuaem alta. Luiz Barsotti, da Zurich, informa que as empresa em breve entrará neste mercado. “Ficamos quase um ano desenhando o projeto. Vamos contemplar as combinações de necessidade do cliente, com proteção e investimento, dando ên­fase à gestão mais eficiente dos recursos.

Pioneira no Brasil
A Prudential foi a primeira empresa que decidiu investir neste tipo de pro­duto no país. A companhia atua com um portfolio sofisticado, com produtos para diferentes perfis de clientes. “Um exemplo bem recente de novo produto é o Vida Inteira Modificado 30 – MOD 30, lançado em fevereiro deste ano. Após verificar que a maioria da sua carteira de clientes (44,3%) é um público na faixa de idade de14 a33 anos, pensou-se em algo inovador para atender ao público jovem”, prossegue Pinto.
O MOD 30 oferece os mesmos bene­fícios do já comercializado Seguro Vida Inteira Modificado, com o diferencial de poder começar pagando um pouco menos e quitar o seguro, que é vitalício, em 30 anos. Com o novo produto, o segurado tem a possibilidade de obter segurança financeira e uma vida mais tranquila. Ele foi desen­volvido após uma análise de mercado que mostra como a geração Y está preocupada com o planejamento de longo prazo.A forma gradativa de pagamento é exclusiva e foi formulada a partir da necessidade e reconhecimento de que o jovem precisa de tempo para construir e estabelecer sua vida financeira. Não se tem uma idade ideal para adquirir um seguro de vida e o mercado está reconhe­cendo que quanto antes, melhor.
A seguradora tem áreas dedicadas a estudos de necessidade de mercado e elaboração/aprimoramento de produ­tos. “Enxergamos esse tema como algo dinâmico e queremos sempre pensar à frente para melhor atender aos nossos segurados e futuros clientes. Portanto, os estudos acerca de novos produtos nunca param, as oportunidades gradativamente vão surgindo e estamos preparados para aproveitá-las”, argumenta o executivo.
Isso depende de vários fatores como o tipo de produto, idade do segurado, as­pectos da subscrição de risco etc. Porém, como a Prudential do Brasil trabalha com seguros de vida personalizados, sendo cada apólice única, desenhada de acordo com a necessidade de cada cliente, não é possível chegarmos a uma taxa média desses valores percentuais exatamente por conta dessa variabilidade.
É importante destacar ainda que o valor do resgate que cada cliente terá di­reito é exposto de forma transparente pelo Life Planner na apresentação do produto. Inclusive, a evolução desse valor tam­bém fica descrita e registrada na própria apólice do seguro. “Porém, entendemos que os produtos de vida individual são voltados à proteção e não a acumulação”, enfatiza Pinto.
“Continuamos investindo fortemen­te no crescimento do canal de distribui­ção de franqueados Life Planner. Neste ano, abrimos três novas agências no RJ e 2 no DF, uma nova praça. Também estamos abrindo novos canais de distri­buição por meio de parcerias recém es­tabelecidas com os Grupos XP e Case”, conclui o executivo.

Comercialização proibida por lei
A legislação brasileira não permite a contratação de seguro de vida no exterior. A contratação de seguros no exterior por pessoas naturais residentes no País ou por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional é restrita a algumas situações.
Quando é feita uma negociação deste tipo, o infrator fica sujeito às san­ções legais, aplicáveis às pessoas naturais ou jurídicas por infrações relativas à legislação concernente às atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, capitalização, previdência complementar aberta, corretagem e de auditoria independente.
Com base nesta legislação e a partir da denúncia de uma segurada, o Conselho Diretor da Susep decidiu multar, em 2011, a empresa National Western Life Insurance, sediada nos Estados Unidos, em R$ 11,7 bilhões. O valor da multa deve-se ao fato da empresa ter fechado, até dezembro de 2010, 20 mil apólices de seguros no Brasil, resultando em um envio à sede da empresa de, aproximadamente, US$ 175,5 milhões, equivalente a cerca de R$ 330,9 milhões. O valor da importância segurada chega próximo a US$ 6,2 bilhões, equivalendo a R$ 11, 7 bilhões. A empresa atuava como seguradora no país sem a devida autorização legal.
Na ação, além da empresa, também foi arrolado o corretor de seguros que vendeu a apólice Universal Life, emitida pela empresa.
A Susep intimou a empresa por meio de ofício, que apresentou defesa em “inglês”, e alegou não possuir escritórios ou funcionários por aqui. A Susep teve acesso ao documento, em inglês, onde a empresa presta esclarecimen­tos sobre suas operações internacionais. Segundo consta no documento, a National Western tinha cerca de 70 mil apólices de vida internacional de seguro em vigor, representando mais de U$17,3 bilhões em valor de face de cobertura. Outro documento apontava que a seguradora pagava comissões sobre contratos a seus representantes.
Fonte: Susep

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Inflação em alta pode impactar planos

Entre os efeitos gerados estão o ganho no longo prazo, que é positivo, e a volatilidade, que pode assustar os investidores e fazê-los resgatar o valor antes do prazo correto, trazendo prejuízos
Jamille Niero

Apesar de a inflação oficial do governo, medida pelo Ín­dice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e anunciada no começo de agosto pelo IBGE, ter apresentado variação de 0,03% em julho – o resultado mais baixo desde julho de 2010 (0,01%) – o mercado de previdência privada está atento para este cenário.
Na avaliação de Osvaldo do Nasci­mento, presidente da FenaPrevi, a infla­ção não afeta os planos de previdência privada como afetava no passado, quando as pessoas perdiam o dinheiro investido. “É óbvio que quanto mais alta a inflação, maior é a probabilidade de as pessoas perderem poder aquisitivo. Porque corrói o salário e as pessoas aca­bam não aplicando em investimentos de longo prazo. Para o mercado segurador e de previdência privada é fundamental a inflação sob controle e a estabilidade econômica”, considera.
Nascimento explica que o aumento da inflação gera dois efeitos em quem aplica em planos de previdência priva­da. O primeiro é altamente positivo, ou seja, numa perspectiva de longo prazo a pessoa terá o prêmio de juros “bastante atrativo, que varia de 5% a 6% para pa­péis com vencimento de2020 a2050”, informa o presidente da FenaPrevi. Segundo ele, esse é o lado mais posi­tivo, porque o investidor terá garantia de ganho real “bastante significativo”. Já o lado negativo é a volatilidade. Ou seja, é ruim porque o investidor observa a variação – às vezes negativa – na cota do fundo, acredita que está perdendo dinheiro e faz o resgate. “Nesse caso, ele perde mesmo. As pessoas que, de certa forma, têm maior conhecimento do que significa aplicar em longo prazo acabam se beneficiando, porque só vão fazer o resgate daqui a anos. Já aquelas pessoas que ainda carecem desse tipo de conhecimento se precipitam e fazem o resgate, o que é ruim”, comenta.
Em termos de novas captações, no entanto, Nascimento afirma que o mer­cado de previdência privada ainda não sentiu retração. “Nem em decorrência da inflação nem da queda do crescimen­to do PIB”, informa.
Segundo dados divulgados pela federação no final de julho, o mercado de previdência complementar aberta ar­recadou R$ 8,1 bilhões em novas contri­buições em maio de 2013. O montante de novos recursos que ingressaram no sistema é 18,64% superior aos R$ 6,8 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Com o resultado, a carteira de investimentos do sistema alcançou o patamar de R$ 357,3 bilhões, alta de 21,38% na comparação com os R$ 294,3 bilhões registrados no mesmo mês em 2012.
Segundo os dados da FenaPre­vi, que representa 22 seguradoras e 13 entidades abertas de previdência complementar no país, a previdência privada aberta conta atualmente com 12,6 milhões de contratos ativos e 95,1 mil pessoas já usufruindo os benefícios (aposentadoria, pecúlio, pensão, renda por invalidez e renda a menores).
“A inflação não é interessante para ninguém, mas para os fundos de previdência ela impacta ainda mais. As taxas de juros estão cada vez menores, deve-se considerar então que os fundos de previdência rentabilizam na mesma proporção, ou seja, estão em ritmo reduzido. Por isso, é importante reava­liarmos os seguros e previdências que contratamos, já que nossas necessida­des e capacidade de poupança mudam no decorrer de nossa vida”, analisa Maísa Serra, diretora do Vida Livre Seguros e profissional especializada em previdência privada.
Segundo a especialista, o segredo para ser menos afetado pelo descontrole econômico do país é ter um corretor de confiança, que esteja atento às mudanças para reavaliar seu projeto – opção de investimento – e readequá-lo à realidade.
Nascimento conta que a FenaPrevi e a CNseg estabeleceram como meta para o próximo período investir mais em educação, tanto previdenciária quanto de seguros. “Quanto mais as pessoas entenderem como se compor­tar em cenário de juros baixos e o que significa investir no longo prazo, me­lhor para o mercado e para o cidadão”, observa.
Neste cenário, todos os agentes de distribuição, em especial os corretores, têm que estar preparados para entender essa dinâmica da economia. Eles pre­cisam estar preparados para avaliar o perfil de risco do comprador e o tipo de produto – seja plano de previdência privada ou seguro – mais adequado ao perfil deste consumidor.
“Temos feito palestras junto aos clubes de corretores e parcerias com escolas e universidades, por meio da Escola Nacional de Seguros, explicando este cenário e os impactos”, diz Nas­cimento. A FenaPrevi ainda pretende, através de seu site institucional, esti­mular a educação financeira utilizando mídias sociais e projetos lúdicos. A meta é disponibilizar no site, no final deste semestre, oportunidades de au­totreinamento e auto-educação, tanto para o corretor quanto para o próprio cliente, para que eles possam entender e se preparar para essa dinâmica.
Para finalizar, Maísa deixa a dica. “É necessário reavaliar seus investimentos a cada três anos, pelo menos, seguindo cenários econômico e social. Em pouco tempo a economia do país pode mudar ou até seus planos. Por isso, manter sua previdência atualizada é o primeiro passo para garantir um futuro estável”.

Números da inflação
Considerando os últimos doze meses o índice foi para 6,27%, abaixo dos 6,70% relativos aos doze meses anteriores e abaixo do teto da meta, 6,50%. O acumulado no ano foi para 3,18% – no mesmo período de 2012, o acumulado havia se situado em 2,76%. Em junho de 2013, a taxa foi de 0,26%.
Em entrevista a uma rádio de Minas Gerais, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a inflação está em queda e que há indicação de estabilidade.
Divulgado em 7 de agosto, o índice oficial e referência do siste­ma de metas do governo, o IPCA, registrou alta de 0,03%, abaixo dos 0,26% apurados em junho. O acumulado em 12 meses (6,27%) voltou a ficar dentro da meta es­tipulada pelo governo para o ano (em até 6,5%).
Dilma falou também sobre a queda generalizada de preço nos produtos da cesta básica, o que contribuiu diretamente para a que­da da inflação.
No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a inflação vai voltar a subir nos próximos meses.

especial benefícios | viagem
Proteção para viajantes a negócios
Mercado de seguros oferece proteções específicas para quem viaja a negócios e garante tranquilidade das empresas e de funcionários
Jamille Niero

Há vários anos empresas bra­sileiras passaram a investir em outros países por meio da inauguração de filiais. Conforme dados divulgados pelo Banco Central, entre 2010 e 2011, as com­panhias brasileiras mandaram cerca de 40 bilhões de dólares ao exterior. Boa parte delas seguiu para a Ásia e a África – como Petrobras, Vale, Gerdau, Odebrecht, Camargo Corrêa, Embraer, BR Foods, Marfrig, entre outras. Entre os anos de 1970 e 2000, a quantidade de empresas transnacionais brasileiras atuando no exterior passou de 70 para 350. Em 2006, pela primeira vez na história, os investimentos brasileiros no exterior foram superiores aos inves­timentos estrangeiros no país. Conforme dados divulgados em 2007 pelo Banco Central, o Brasil ocupava o 12° lugar no ranking dos maiores investidores do mundo, superando países como China, Rússia e Austrália. Com isso, as viagens tornaram-se mais frequentes para os executivos que partem de terras brasi­leiras para outros países.
Segundo pesquisa da ALAGEV (Associação Latino-America de Gesto­res de Eventos e Viagens Corporativas), as receitas com viagens corporativas totalizaram R$ 32,31 bilhões em 2012, o que representa um crescimento de 12,88%, em relação ao ano anterior, que foi de R$ 28,62 bilhões. O volume de negócios gerado por esse mercado chega a R$ 61,07 bilhões, levando em conta as receitas dos segmentos de transporte aéreo, hospedagem, locação de auto­móveis, alimentação, agenciamento e tecnologia.
O apoio do mercado de seguros veio na forma de seguros e assistência viagem desenhados especialmente para viagens corporativas. Segundo dados da Fenaprevi, o seguro viagem, que cobre acidentes, extravio ou perda de bagagens, despesas hospitalares e mé­dicas de viajantes, em deslocamentos no Brasil e no exterior, foi o carro-chefe (no seguro de pessoas) em crescimento relativo no período de janeiro a maio de 2013. Foram emitidos R$ 35,2 milhões em prêmios, volume 63,82% maior que o verificado de janeiro a maio de 2012, quando foram acumulados R$ 21,5 milhões. Os dados não diferenciam o seguro feito para viagens a negócios e os desenhados para viagens a lazer.
No entanto, o crescimento da de­manda pelo produto específico para viagens a negócios foi notado na carteira das seguradoras. Na AIG, por exemplo, o número de cotações cresceu por volta de 30% nos últimos anos, conforme conta a gerente de seguro viagem da compa­nhia, Luciana Nogami. “A demanda no Brasil é muito grande de empresas que vieram para cá. E, desde fevereiro, têm aumentado, principalmente, as cotações feitas por corretores”, diz.
A forma de contratação do seguro depende de como a empresa quer con­trolar as viagens. São duas formas. Uma delas é a contratação de um plano anual que garante a proteção durante o ano inteiro, contanto que cada viagem dure, no máximo, 90 dias. Já o outro modelo é o “banco de dias”, no qual a empresa contrata uma quantidade fechada de dias e, cada vez que um funcionário viaja, é descontado o período desse banco. “Em­presas com muitos viajantes geralmente preferem contratar o banco de dias. Já as que têm poucas pessoas, mas que viajam com mais frequência, preferem o plano anual”, relata Luciana.
Este ano, duas coberturas extras já existentes no seguro viagem tradicio­nal da companhia foram incluídas no produto desenhado para executivos: a “carteira protegida” – proteção contra roubo e furto da carteira durante o perí­odo da viagem e que garante o custo da reposição dos documentos perdidos – e a proteção contra roubo e furto à resi­dência do executivo durante o período da viagem.
Dentro do seu portfolio de assistên­cia viagem (formado pelos produtos Se­gurviaje) a Mapfre Assistance tem dois produtos com foco em viagens corpora­tivas. O modelo de comercialização dos planos é similar. Podem ser contratados um cartão anual, que garante proteção em várias viagens, ou um número espe­cífico de dias (banco de dias). Em ambos os casos, o faturamento pode ser pré ou pós-pago. “A vantagem do pré-pago é o câmbio, pois considera o câmbio do dia em que é fechado o contrato. No mode­lo pós-pago, o faturamento é fechado mensalmente e a cobrança é conforme o uso”, esclarece Sandro Barbosa, supe­rintendente de distribuição da Mapfre Assistance.
Barbosa destaca entre as coberturas do produto o “traslado executivo”, ou seja, caso o viajante precise retornar ao país de origem, dependendo da situação, a assistência cobre os gastos com a passagem para um substituto dar continuidade ao trabalho.
Os principais canais de distribuição da companhia são as agências de viagens (responsáveis por 60% a 70% das ven­das) e os corretores (que correspondem por 30% a 40% das vendas).
Apesar da desaceleração da econo­mia, a expectativa é crescer por volta de 30% nos dois produtos voltados para executivos em 2013. Isso porque, segun­do Barbosa, as empresas têm se sensibi­lizado cada vez mais a respeito do tema. Ainda mais com os recentes casos com turistas brasileiros em países estran­geiros, como o acidente com um balão na Turquia, que matou três brasileiras e deixou mais de 20 feridos, e o trem que descarrilou na Espanha, matando 79 pessoas (havia dois brasileiros entre as vítimas fatais). “Devido aos acidentes, algumas empresas clientes pediram revisão das coberturas, visando garantir mais proteção aos seus funcionários”, sinaliza o superintendente.

Perfil dos viajantes
A agência de viagens corporativas Tour House também notou crescimento (cerca de 15% anualmente) na contrata­ção de seguro e assistência viagem pelos seus clientes. Isso porque, segundo o diretor comercial, Alexandre Motta, o número de viagens internacionais para países da América Latina e do Norte, Europa e Ásia – especialmente esta última –, também aumentou. “A preocupação das empresas também aumentou. Qualquer tipo de incidente que ocorrer lá fora sai caro para empresas”, observa.
Conforme dados do Banco Central, os gastos de brasileiros no exterior che­garam a US$ 2,232 bilhões em maio último, sendo o maior resultado para meses de maio, na série histórica do BC, iniciada em 1969.
Por isso, também o perfil do viajante que contrata o seguro ou assistência viagem foi ampliado. Antes, apenas executivos da presidência e da alta dire­toria costumavam viajar pela empresa e, portanto, contratavam a proteção. Hoje, colaboradores de vários níveis dentro da empresa já viajam pelas companhias. “Observamos uma mescla grande no perfil dos viajantes, que vai desde pes­soas de área técnica até a alta diretoria, passando por gerentes e supervisores. As viagens de funcionários da área técnica, que viajam com mais frequência, acom­panha o crescimento da demanda por proteção, de aproximadamente 10%”, aponta Motta.
Deve-se levar em conta também que para entrar nos países da União Europeia é necessário que o viajante comprove possuir uma assistência ou seguro via­gem com valor mínimo de 30 mil euros para garantir assistência médica em caso de doença ou acidente.
Segundo Motta, as viagens a negó­cios costumam durar, em média, de4 asete dias. Na agência de viagens, a pro­cura maior é pelos planos com emissão pontual, ou seja, uma contratação para cada viagem. Mas o formato de banco de dias vem crescendo. “Percebemos aumento de 35% na contratação desse tipo de assistência no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período de 2012”, informa o diretor da Tour House.
Para os próximos meses, Motta não acredita que haverá diminuição na contratação de proteções para viagens a negócios. No entanto, deverá acontecer retração no número de viagens inter­nacionais, acompanhando a retração econômica. “O aumento do câmbio impacta na demanda”, analisa. Segundo ele, já houve retração de 5% no número de viagens corporativas nos primeiros meses de 2013, em relação ao mesmo período do ano anterior. “A demanda deverá se estabilizar”, prevê.

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Juros maiores podem garantir preço menor
O fim do afrouxamento monetário por parte do Banco Central pode significar seguro de automóvel mais barato no segundo semestre. Empresas devem ficar atentas a possíveis impactos nos preços e como repassá-los aos funcionários

Manuela Almeida

A combinação do aumento da taxa básica de juros da eco­nomia, a Selic, somada a um menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode pu­xar os preços do mercado de seguros de automóveis para baixo. Esse é, segundo especialistas ouvidos por Apólice, um dos temas para as empresas que possuem worksites, programa de seguros indivi­duais para funcionários de empresas e dependentes com vantagens de custos e serviços diferenciados, ficarem atentas no segundo semestre deste ano. Depois de um período relativamente curto de racio­nalidade neste setor, bastante concorrido por seguradoras locais e estrangeiras, especialistas acreditam que uma quarta alta consecutiva nos juros, previsto para ocorrer na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece no final de agosto, pode desencadear a revisão dos prêmios para baixo nas renovações agendadas para a segunda metade do ano.
Se confirmada, a redução dos preços vai na contramão da política adotada pelas seguradoras em meio à queda dos juros. Isso porque diante das taxas mais baixas as companhias tiveram de se dedicar mais ao aspecto operacional do negócio, reduzindo despesas e otimizando resul­tados em troca de mais eficiência. Essa busca passou a ser uma questão chave na atuação das seguradoras, uma vez que já não podiam mais compensar perdas operacionais com os ganhos financeiros que foram pressionados para baixo por conta da menor rentabilidade dos ativos.
No entanto, conforme ressaltam Eduardo Rosman e Marcelo Henriques, do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes, a dinâmica de preços positivos no segmento de seguros de automóveis tem sido rara quando analisado o histórico das carteiras das seguradoras. “A concorrên­cia leva periodicamente ao preço irracio­nal, prejudicando a rentabilidade de todos os players no mercado”, atentam eles.
A revisão para baixo dos preços tende a ser comandada, conforme avalia Francisco Kops, analista do Banco Safra, pelas seguradoras estrangeiras. “A com­pensação de preço no resultado financeiro é um passo para trás, mas tem muitas se­guradoras, principalmente as estrangeiras, desesperadas para ganhar market share no mercado brasileiro”, acrescenta ele.
As empresas que têm seus programas de worksites com seguradoras de capital aberto, porém, como SulAmérica, Porto Seguro e BB Seguridade, não devem ter muita esperança de preços menores, na opinião de analistas consultados por Apólice. A justificativa de especialistas é de que além de essas companhias terem a cobrança do mercado financeiro, uma vez que ao serem listadas em bolsa precisam entregar resultado e prestar contas aos acionistas, são empresas nacionais e já con­tam com uma presença forte no mercado.
Em visita ao Brasil, o presidente da espanhola Mapfre Seguros, Antonio Huertas, disse que o maior rendimento com o aumento de juros no Brasil é um complemento em termos de receita, mas o desempenho técnico da seguradora con­tinua sendo mais relevante. “O importante é que a geração de prêmios seja suficiente para fazer frente aos sinistros”, sintetizou Huertas, em conversa com a imprensa.
Segundo ele, o índice combinado da Mapfre no Brasil tem ficado abaixo dos 100%. Este indicador mede a eficiência operacional das seguradoras e quanto menor, melhor. O índice combinado do grupo Mapfre (Banco do Brasil e Mapfre) melhorou para 90,7% ao final do primeiro semestre de 2013, ante 94,3% em junho de 2012.

Ambiente instável pode segurar preços
O ambiente de volatilidade e o au­mento de incertezas nos mercados, na opinião do diretor Financeiro e de Rela­ções com Investidores da Porto Seguro, Marcelo Picanço, deve fazer com que as seguradoras sejam mais conservadoras e tendam a não ser tão agressivas em preços. Paraele, os preços cobrados no mercado de seguros de automóveis já estão muito agressivos, resultado da forte competição no Brasil, que nos últimos anos atraiu players internacionais que buscavam ga­nhar espaço no País em meio ao potencial de crescimento do setor. Atualmente, mais de 20 seguradoras atuam no segmento de automóveis, de acordo com os dados mais recentes da Susep.
Porém, além do atrativo com juros mais altos, que devem trazer certo alívio para o resultado financeiro das segurado­ras, essa forte concorrência no mercado de seguro de auto pode fazer com que as companhias tenham de ceder e baixar preços, de acordo com especialistas. “O início do ciclo de aperto monetário, com o aumento dos juros, pode ser positivo para a receita financeira durante o ano, mas também pode aumentar a concorrência no seguro de automóvel”, observam Mariana Taddeo, Frederic De Mariz e Philip Finch, do UBS.
O foco da Porto Seguro, segundo Picanço, é priorizar margens, avaliando a questão do market share somente em casos relevantes. A SulAmérica, embora admita a possibilidade da melhora no resultado financeiro com o aumento de juros, não prevê mudanças quanto a sua estratégia operacional, conforme o vice-presidente Corporativo e de Relações com Investidores, Arthur Farme d’Amoed Neto. “O resultado financeiro tende a melhorar, mas nós não temos nenhuma visibilidade neste momento que possa impactar a nossa posição no operacional”, avalia ele.
No segundo trimestre deste ano, os preços de seguro de automóvel da Su­lAmérica tiveram elevação em relação aos trimestres anteriores em meio ao aumento da sinistralidade, conforme conta d’Amoed Neto, sem mencionar o tamanho deste aumento. A correção dessa alta nos custos, segundo ele, está ocorrendo por meio de uma revisão dos preços que vi­nham sendo praticados via uma política de subscrição correta, equalizando os preços e as condições previstas de sinistralidade.
No ano passado, o aumento de preços foi um assunto recorrente entre as segu­radoras, principalmente, no mercado de seguros de automóveis. Em alguns casos, os preços chegaram a ficar 20% maiores numa tentativa de melhor precificar o resultado operacional das companhias, uma vez que os juros baixos pesaram sob o seu desempenho financeiro.
Em relação a uma possível redução de preços por parte das seguradoras, em meio a uma folga no resultado financeiro, Alexandre Leal, superintendente de re­gulação da CNseg, diz que esse assunto é sempre “muito perigoso”. “O sinistro vem em algum momento. Esses são ciclos do mercado que acabam acontecendo em algumas carteiras e não uma guerra de preço generalizada”, opina ele.
Embora sempre exista uma segura­dora, de acordo com o superintendente da CNSeg, disposta a baixar preço para ganhar market share, cada vez é mais difícil à medida que o mercado de segu­ros está mais competitivo. “O resultado financeiro deve ter um alívio agora com o aumento de juros, mas quando comparado há três, quatro anos, está muito menor. Por isso, cada vez é mais arriscado perder no operacional e compensar no financeiro”, conclui o especialista.

 

especial benefícios | gestão
O corretor no seguro de pessoas
Tendência do “consultor” ou “boutique de seguros” deve crescer nos próximos anos, na medida em que aumenta a exigência por especialização
Jamille Niero

O conceito “boutique de se­guros” tem se tornado mais conhecido (e comentado) no mercado. São corretores que buscam um nicho de atuação e se especializam nele. Isso pode ser feito também no ramo de seguros de pessoas.
Segundo Ricardo Lobão, CEO da UIB Benefícios, a meta do corretor consultor no ramo é passar mais co­nhecimento técnico para os clientes e conseguir transformar ferramentas de gestão para que eles usufruam dos produtos – seja seguro de vida, saúde, acidentes pessoais e previdência priva­da – da melhor maneira. “Nosso papel é trazer a experiência desse mercado específico, o conhecimento técnico que o cliente não tem, para que ele contrate o produto mais adequado e usá-lo da melhor forma”, diz.
Lobão explica que o que muda no papel do corretor é que os consumi­dores de hoje demandam um grau de especialização maior. No passado, os corretores ofertavam aos clientes – pes­soa física e jurídica – a melhor opção existente no mercado. Hoje, além disso, os consumidores querem saber como administrar o seguro contratado de maneira mais técnica e como mantê-lo ao longo do tempo.
“Há também o nosso papel de gerenciar o risco. Não podemos mais apenas apoiar o cliente e negociar pre­ço”, complementa. Isso porque as segu­radoras já disponibilizam ferramentas que facilitam a visualização de dados sobre o produto contratado. O papel do consultor nesses casos é sempre comple­mentar, ajudando o cliente a interpretar as informações ali expostas.
A tendência do “corretor consultor” ou da “boutique de seguros” deverá ser acentuada no mercado nos próximos dois anos, prevê o executivo da UIB.

Relação com as seguradoras
A seguradora precisa do corretor e o relacionamento com ele é mais dura­douro. Por isso, as companhias buscam corretores que investem em conheci­mento técnico. Na visão de Lobão, o corretor que fizer o papel simplesmente de intermediação e colocação de riscos nas seguradoras está fadado a não ter mais espaço em um curto períoco de tempo. “Porque o cliente e as segura­doras buscam especialização. Precisa oferecer valor agregado ao produto”, observa.
Para as seguradoras, o corretor que souber entender o cenário brasileiro atual para atuar no ramo de seguros de pessoas terá boas oportunidades pela frente. O Brasil tem uma população relativamente jovem, com a expecta­tiva de vida crescendo, além de maior capacidade de renda e aquisição de bens e serviços. Associado a esse perfil da população, que por si só é um motor de incentivo, no Brasil a penetração de pro­dutos deste ramo é baixa. “É um cenário favorável. O seguro de pessoas parece ser muito simples, mas existe a possi­bilidade de personalizar os produtos e adequar as coberturas”, opina Cesar Nagasse, gestor da Unidade de Produtos para Pessoas da Yasuda Seguros.
A seguradora espera continuar cres­cendo no ramo, apesar da expansão da economia brasileira no último ano ter sido abaixo do esperado. A expectativa da Yasuda é ampliar em 150% o volume de prêmios neste ramo em relação ao ano passado. “O nosso carro chefe é vidaem grupo. Trabalhamosa questão de fidelização de clientes fornecendo coberturas na maior quantidade possível em diversas linhas”, comenta Nagasse.
O mercado de seguros de pessoas movimentou R$ 10,3 bilhões de janeiro a maio de 2013, evolução de 17,12% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Fena­Previ divulgados em julho.
Ainda de acordo com o levantamen­to da federação, no acumulado, foram pagos aos segurados cerca de R$ 2,5 bilhões em indenizações, 6,67% a mais do valor registrado no mesmo período do ano anterior (R$ 2,3 bilhões).

Dicas

O diretor da corretora Univida e coordenador da comissão de Vida, Previdência e Capitalização no Sincor- SP, David do Nascimento, afirma que o corretor brasileiro não funciona como um consultor, mas sim como um “dou­tor”. “Ele conhece o cliente dele como um médico”, diz.
Nascimento comenta que aquele conceito no qual o corretor “senta com o cliente e pesquisa a vida dele” não funcionaria no Brasil, pois as pessoas estão cada vez com menos tempo dis­ponível. Além disso, com o aumento de acidentes e roubos, hoje o corretor já entende que o cliente precisa ter uma proteção familiar. “Ele pode aproveitar os dados do cliente que já tem em suas mãos, como as informações fornecidas para o perfil do seguro do automóvel, e criar uma estratégia para oferecer os produtos do ramo de pessoas”, sugere o corretor.
Durante as reuniões e palestras da comissão que preside no Sincor, Nas­cimento comenta que sempre sugere conscientizar o corretor da importância da proteção familiar. “As bancas de jornal não vendem mais só jornal, os açougues não vendem mais só carne. Por que o corretor precisa vender apenas o automóvel?”, questiona.

Seguro de Pessoas em números

– O auxílio funeral, que prevê co­bertura das despesas incorridas com o sepultamento, em caso de faleci­mento do segurado, foi o segundo colocado em desempenho relativo, no acumulado de janeiro a maio de 2013. Movimentou R$ 103,2 milhões, expansão de 58,31%. No acumulado do ano passado, essa modalidade de seguro fechou o período com R$ 65,2 milhões.

– O seguro de vida (individual e em grupo) segue como produto de maior participação na carteira com R$ 4,5 bilhões em prêmios, volume 15,63% maior que o registrado no ano anterior.

– Já o seguro de acidentes pesso­ais, por sua vez, somou R$ 1,9 bilhão, apresentando aumento de 8,60%, enquanto no mesmo período do ano anterior arrecadou R$ 1,7 bilhão.

Fonte: FenaPrevi

economia digital

por Thaís Ruco*

Ensino a distância é ferramenta para profissionalizar setor

A internet destrói barreiras geográficas, globalizando informações e permitindo a troca de experiências. Segun­do estudo divulgado em julho pelo Ibope Media, o número de internautas no Brasil ultrapassou pela primeira vez a casa dos 100 milhões. Em todos os segmentos, empre­sas e instituições migram para o meio digital, buscando atender com comodidade ao público. Como tudo pode ser encontrado na internet, o ensino online está em sintonia com a forma como as pessoas interagem com o mundo atualmente.
O mercado de seguros brasileiro tem a vantagem de contar com uma escola de ensino especializada. Seguindo tendências, a Escola Nacional de Seguros aposta no ensino a distância (EAD) para alcançar todo o País. O presidente da Escola, Robert Bittar, defendeu que para formar mão-de-obra em seguros em todos os municípios brasileiros é indispensável utilizar a poderosa ferramenta internet.
A instituição já conta com muitos cursos 100% onli­ne, porém alguns mais complexos ainda são presenciais ou semipresenciais, como é o caso da habilitação para corretor de seguros, que pode ser feito nas salas de aula ou de forma mista, com a presença somente nas provas.
Além do aumento da procura pelos cursos online, há também muitas solicitações à Escola para digitalização daqueles que ainda são presenciais. Para o presidente, colocar todo o ambiente da Escola no sistema a distância é um processo gradativo, pois requer investimento e dedi­cação para adaptar a linguagem e os materiais didáticos. No entanto, uma vez feito, pode atender sem limites de salas de aulas.
Entre os cursos online da instituição encontra-se o Iniciação ao Seguro, para ingressantes em corretoras ou outras empresas, com noções básicas sobre o segmento. Neste momento, a Escola Nacional de Seguros está bus­cando junto ao Ministério da Educação e Cultura aprovar a versão online da graduação em Administração com ênfaseem Seguros. Deacordo com Bittar, este é um processo moroso junto ao MEC, mas será importante para o futuro.
Outras instituições do setor também investem na edu­cação a distância, como exemplo a Rede ICP Seguros, que credencia e dá suporte para corretores atuarem na emissão de certificados digitais (insumos para o desenvolvimento da economia digital e o comércio eletrônico). A empresa oferece diversos cursos sobre o segmento, incluindo o de agente de registro, obrigatório para os corretores e fun­cionários que vão trabalhar na área. Todos 100% online.
Com multiplicação pela internet e ausência de espaço físico, nos cursos online as instituições conseguem baratear o investimento do aluno e ainda flexibilizar os horários. Hoje, o investimento tempo é tão ou mais severo que o investimento financeiro. A dificuldade de deslocamento e de cumprir horas em aulas presenciais se tornou inibidor da formação e da qualificação profissional – o ensino a distância é um ótimo antídoto.
Seja a distância ou presencialmente, o importante é se manter atualizado.

* Thaís Ruco é jornalista especialista em seguros e economia digital, editora-chefe do Seguros.com.br e coordenadora de Comunicação da Rede ICP Seguros.

 

comunicação e expressão
por J. B. Oliveira*

Benefício, previdência e providência… na gramática

 O governo entende que paga aos aposentados o benefício da aposentadoria!

E o que é benefício?

Segundo o Dicionário Aurélio, é:

“Serviço ou bem que se faz gratuitamente; favor, mercê, graça.”

Ou seja: algo que o poder público, cumprindo a assim chamada “função social do governo”, distribuiria graciosa­mente aos cidadãos.

Etimologicamente, a palavra benefício é formada por dois vocábulos latinos: o substantivo bene, que significa bem, somado ao verbo facere, que quer dizer fazer. Seu sentido, portanto, é fazer o bem. E, pelo que se depreende do contexto, gratuitamente!

Voltemos à ação do governo.

O que ele faz? Distribui algo graciosamente à sua po­pulação? Não!

Ele se propõe a retribuir às pessoas aquilo que elas recolheram como contribuição ao órgão arrecadador desse tributo, o famoso INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social. Hoje, para que seja considerado digno de receber o tal benefício, o trabalhador urbano terá que ter completado 65 anos (a mulher 60) e ter recolhido 180 contribuições mensais!

Se assim é, a Gramática nos informa que não estamos falando de benefício, no sentido verdadeiro do termo, mas sim de contrapartida, palavra que é desta forma definida pelo mesmo Aurélio: “O lançamento em conta feito por oposição ao lançamento em outra conta e em sentido oposto, para completar uma partida dobrada. Compensação, contrapeso, correspondência, equivalência.”

Então chamar, o poder público, de benefício àquilo que paga – em compensação, devolução pelas contribuições feitas pelo trabalhador ao longo de sua vida produtiva – é, para dizer o mínimo, “propaganda enganosa”. Por essas e por mais uma razão: o eufemisticamente chamado benefício vai se “atrofiando” a cada ano, porque o reajuste que lhe é aplicado fica sempre abaixo do índice do salário mínimo! O que é outro golpe baixo do governo contra o contribuinte…

Previdência é o nome do Ministério que cuida desse importante assunto. E previdência, pela definição do dicio­narista, é “Qualidade ou ato de previdente, antevidência”. Em palavras bem claras, competiria a esse órgão voltado a tão delicada área social (Aliás, o nome completo é pre­cisamente Ministério da Previdência Social) estabelecer estudos, cálculos, levantamentos e pesquisas que lhe permitisse prever, antever o grave e absurdo problema da falta de recursos financeiros para o setor. Teria, esse ministério, que ser – como quer a definição – previdente, isto é ter antevidência, para não acontecer o que já há um bom tempo vem ocorrendo: a Previdência vir publicamente que não teve a indispensável Previdência, que, de resto, é sua única obrigação!

Felizmente, porém, e também já há tempos, existe a opção pela firme e segura Previdência Privada, sistema de aposentadoria Não ligado ao INSS, e fiscalizado pela Susep – Superintendência de Seguros Privados! Em seus planos, é possível escolher o valor da contribuição e a periodicidade em que ela será feita. E ter certeza de que, no tempo próprio, a retribuição virá!

Providência, por fim, entre outras acepções que o já citado dicionário dá ao verbete, tem as seguintes descrições: “Prudência e presciência do futuro para acautelamento com relação a ele”; “Pessoa que protege ou ajuda outrem”; “Dis­posições ou medidas prévias para alcançar um fim, remediar qualquer necessidade ou regularizar certos serviços”.

A conclusão deste último vocábulo é: se o “barco” da Previdência Social está ameaçando afundar, o melhor a fa­zer é buscar, na segurança e previsibilidade da Previdência Privada, a correta providência, isto é: “as disposições ou medidas prévias para … remediar qualquer necessidade ou regularizar certos serviços”.

Por tudo isso se vê que até a Gramática Expositiva entende a questão da Previdência! Só não a entende quem deveria entendê-la: o Ministério da Previdência Social! Ou ficaria mais adequado se disséssemos Ministério da Previdência Social..?

 

* J. B. é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras.

[email protected] | www.jboliveira.com.br

 

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