Há vários anos empresas bra­sileiras passaram a investir em outros países por meio da inauguração de filiais. Conforme dados divulgados pelo Banco Central, entre 2010 e 2011, as com­panhias brasileiras mandaram cerca de 40 bilhões de dólares ao exterior. Boa parte delas seguiu para a Ásia e a África – como Petrobras, Vale, Gerdau, Odebrecht, Camargo Corrêa, Embraer, BR Foods, Marfrig, entre outras. Entre os anos de 1970 e 2000, a quantidade de empresas transnacionais brasileiras atuando no exterior passou de 70 para 350. Em 2006, pela primeira vez na história, os investimentos brasileiros no exterior foram superiores aos inves­timentos estrangeiros no país. Conforme dados divulgados em 2007 pelo Banco Central, o Brasil ocupava o 12° lugar no ranking dos maiores investidores do mundo, superando países como China, Rússia e Austrália. Com isso, as viagens tornaram-se mais frequentes para os executivos que partem de terras brasi­leiras para outros países.
Segundo pesquisa da ALAGEV (Associação Latino-America de Gesto­res de Eventos e Viagens Corporativas), as receitas com viagens corporativas totalizaram R$ 32,31 bilhões em 2012, o que representa um crescimento de 12,88%, em relação ao ano anterior, que foi de R$ 28,62 bilhões. O volume de negócios gerado por esse mercado chega a R$ 61,07 bilhões, levando em conta as receitas dos segmentos de transporte aéreo, hospedagem, locação de auto­móveis, alimentação, agenciamento e tecnologia.
O apoio do mercado de seguros veio na forma de seguros e assistência viagem desenhados especialmente para viagens corporativas. Segundo dados da Fenaprevi, o seguro viagem, que cobre acidentes, extravio ou perda de bagagens, despesas hospitalares e mé­dicas de viajantes, em deslocamentos no Brasil e no exterior, foi o carro-chefe (no seguro de pessoas) em crescimento relativo no período de janeiro a maio de 2013. Foram emitidos R$ 35,2 milhões em prêmios, volume 63,82% maior que o verificado de janeiro a maio de 2012, quando foram acumulados R$ 21,5 milhões. Os dados não diferenciam o seguro feito para viagens a negócios e os desenhados para viagens a lazer.
No entanto, o crescimento da de­manda pelo produto específico para viagens a negócios foi notado na carteira das seguradoras. Na AIG, por exemplo, o número de cotações cresceu por volta de 30% nos últimos anos, conforme conta a gerente de seguro viagem da compa­nhia, Luciana Nogami. “A demanda no Brasil é muito grande de empresas que vieram para cá. E, desde fevereiro, têm aumentado, principalmente, as cotações feitas por corretores”, diz.
A forma de contratação do seguro depende de como a empresa quer con­trolar as viagens. São duas formas. Uma delas é a contratação de um plano anual que garante a proteção durante o ano inteiro, contanto que cada viagem dure, no máximo, 90 dias. Já o outro modelo é o “banco de dias”, no qual a empresa contrata uma quantidade fechada de dias e, cada vez que um funcionário viaja, é descontado o período desse banco. “Em­presas com muitos viajantes geralmente preferem contratar o banco de dias. Já as que têm poucas pessoas, mas que viajam com mais frequência, preferem o plano anual”, relata Luciana.
Este ano, duas coberturas extras já existentes no seguro viagem tradicio­nal da companhia foram incluídas no produto desenhado para executivos: a “carteira protegida” – proteção contra roubo e furto da carteira durante o perí­odo da viagem e que garante o custo da reposição dos documentos perdidos – e a proteção contra roubo e furto à resi­dência do executivo durante o período da viagem.
Dentro do seu portfolio de assistên­cia viagem (formado pelos produtos Se­gurviaje) a Mapfre Assistance tem dois produtos com foco em viagens corpora­tivas. O modelo de comercialização dos planos é similar. Podem ser contratados um cartão anual, que garante proteção em várias viagens, ou um número espe­cífico de dias (banco de dias). Em ambos os casos, o faturamento pode ser pré ou pós-pago. “A vantagem do pré-pago é o câmbio, pois considera o câmbio do dia em que é fechado o contrato. No mode­lo pós-pago, o faturamento é fechado mensalmente e a cobrança é conforme o uso”, esclarece Sandro Barbosa, supe­rintendente de distribuição da Mapfre Assistance.
Barbosa destaca entre as coberturas do produto o “traslado executivo”, ou seja, caso o viajante precise retornar ao país de origem, dependendo da situação, a assistência cobre os gastos com a passagem para um substituto dar continuidade ao trabalho.
Os principais canais de distribuição da companhia são as agências de viagens (responsáveis por 60% a 70% das ven­das) e os corretores (que correspondem por 30% a 40% das vendas).
Apesar da desaceleração da econo­mia, a expectativa é crescer por volta de 30% nos dois produtos voltados para executivos em 2013. Isso porque, segun­do Barbosa, as empresas têm se sensibi­lizado cada vez mais a respeito do tema. Ainda mais com os recentes casos com turistas brasileiros em países estran­geiros, como o acidente com um balão na Turquia, que matou três brasileiras e deixou mais de 20 feridos, e o trem que descarrilou na Espanha, matando 79 pessoas (havia dois brasileiros entre as vítimas fatais). “Devido aos acidentes, algumas empresas clientes pediram revisão das coberturas, visando garantir mais proteção aos seus funcionários”, sinaliza o superintendente.

Confira a reportagem completa na edição de agosto (177).

Jamille Niero / Revista Apólice

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