A crise espanhola começa a esmorecer. Esta é a opinião do CEO Global da Mapfre, Antonio Huertas, que na semana passada conversou com um grupo de jornalistas brasileiros. Segundo ele, o setor financeiro está se recapitalizando e a economia caminha a passos sustentados, abrindo novas oportunidades para investimentos estrangeiros. O desemprego, que atingiu o índice de 50% entre a população com menos de 30 anos, ainda preocupa, mas a flexibilização do mercado de trabalho, em junho, colaborou para a criação de 127 mil empregos. “Há que se entender que as reformas estão em marcha e que a flexibilização dos horários e facilidade na abertura de empresas podem contribuir para amenizar este quadro”, destacou.

A Mapfre está preente em 46 países e possui 36 mil colaboradores. São 62 mil corretores de seguros e agentes distribuindo seus produtos. A maior operação é na Espanha, com 38%, seguida pelo Brasil. “Além da operação brasileira, acreditamos que Espanha, Estados Unidos, China e Turquia serão nossos focos de crescimento e desenvolvimento”, afirmou Huertas.

Ele enfatizou que o desafio do Grupo é ser uma companhia global, com estrutura cada vez mais flexível e eficiente, aproveitando a sinergia enter os negócios para apresentar produtos mais competitivos.

Quanto às recentes manifestações populares, tanto no Brasil quanto na Turquia, Huertas fez questão de destacar que os “acontecimentos não devem influenciar nos investimentos da Mapfre nos dois países, porque estes eventos terão solução pacífica. Afinal, o que todos querem é emprego, atividade econômica e qualidade de vida”.

Sobre a possível alta das taxas de juros brasileiras, Huertas disse que o importante é que os prêmios arrecadados sejam suficientes para sustentar os sinistros e a operação da companhia. “Todo o rendimento de juros é um complemento do resultado técnico. O mais importante é t capacidade para obter resultado técnico positivo. O índice combinado da Mapfre está em 92,2%, frente à média de mercado de 95%.

Seguro Saúde

Há cerca de dois anos, a Mapfre anunciou sua entrada no mercado de seguro-saúde. O processo está agora aguardando aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Huertas declarou que a seguradora quer participar deste setor que possui 37% do mercado total de seguros. “O processo é burocrático e complexo”, lamentou.

Os gastos com saúde são cada vez maiores e mais frequentes, por isso este é um setor que desperta tamanho interesse das companhias multinacionais.

De acordo com Eduardo Freitas, diretor geral de Previdência e Saúde da Mapfre, o desafio é ter, na terceira idade, renda compatível com o valor de quando se estava na ativa e, ainda, capaz de arcar com os custos da saúde e da inserção social.

“As empresas deverão investir na promoção da saúde e na prevenção de doenças”, acredita Freitas, ressaltando que as pessoas vão viver mais e os custos com a saúde serão cada vez mais altos.

A Mapfre deverá operar apenas com produtos de saúde corporativos.

Kelly Lubiato / Revista Apólice

 

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