Neve em lavoura do Rio Grande do Sul / Vilson Winkler-G1
Neve em lavoura do Rio Grande do Sul / Vilson Winkler-G1

As baixas temperaturas que atingem a região Sul do País podem vitimar as safras das culturas de inverno, principalmente nos campos de aveia, canola, cevada, milho e trigo. Na região de Campos Gerais, no Paraná, por exemplo, nevou depois de quase quatro décadas.

De acordo com fontes do Departamento de Economia Rural do Paraná, a pior situação é a do trigo, porque mais metade da área plantada com o cereal está suscetível a perdas por frio. Além disso, as lavouras estão em floração e frutificação, fases em que as plantas estão mais vulneráveis.

O diretor geral de seguros rurais do Grupo BB Mapfre, Luis Carlos Guedes Pinto, afirma que a companhia está pronta para receber as demandas dos segurados, mas isso ainda não começou a acontecer. “Quando há eventos da natureza como esse, podemos receber até 200 pedidos em uma semana. A central de atendimento já está pronta para tomar todas as providências necessárias para as avaliações”, explica.

O seguro para a produção agrícola tem algumas peculiaridades. Por exemplo, no momento do evento climático, a seguradora é comunicada para realizar uma avaliação da lavoura, entretanto, os prejuízos só podem ser quantificados no momento da colheita.

Há uma rede de peritos espalhada pelas áreas de maior produção agrícola e eles fazem um Boletim de Ocorrência no momento da avaliação, destacando qual foi o fenômeno climático e sua intensidade.

As áreas com maior cobertura do seguro para produção agrícola estão no oeste do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Seguro como garantia da lucratividade

O seguro rural é, atualmente, um dos mais importantes instrumentos de política agrícola que ajudam a promover o desenvolvimento do setor. A subvenção ao prêmio de seguro rural, comum também em vários países, é hoje o incentivo principal aos produtores na aquisição deum seguroagrícola. Esta maneira de incentivo à aquisição do seguro pode chegar a até 70% do valor do prêmio.

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), instituído pela Lei nº 10.823/2003, teve início em 2005. Seu objetivo era massificar a contratação do seguro rural em todas as regiões produtoras. Porém, ele ainda é muito pouco utilizado.

De acordo com o relatório de 2011 do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, em 2011, foram gastos R$ 253,5 milhões com o pagamento da subvenção ao prêmio do seguro rural, valor 28% superior ao alocado em 2010, o que permitiu a aquisição de 57.885 apólices de seguro rural por 40.109 produtores, garantindo capitais da ordem de R$ 7,3 bilhões e proporcionando cobertura securitária para 5,6 milhões de hectares, entre lavouras de grãos, frutas, legumes e verduras, fibras, cana-de-açúcar, além de florestas e pecuária.

De um total de 57.885 apólices de seguro rural subvencionadas em 2011, foram comunicados 16.255 avisos de sinistros, ou seja, 28% do total de operações, o que reivindicou indenizações no montante de R$ 188 milhões por parte das seguradoras. A ocorrência de seca nas lavouras de soja contribuiu para ampliar essa estatística, com 7.004 avisos de sinistro, seguida da uva, com 3.297, e da maçã, com 1.320 avisos, motivados na sua maioria por ocorrência de granizo.

Quanto à localização das operações sinistradas, a região Sul concentrou 86% do total de avisos, sendo que somente no Paraná ocorreram 46% dos sinistros de todo o país. Por fim, nota-se também uma concentração quanto ao tipo de evento ocorrido, com 6.848 avisos relacionados à incidência de granizo, 42% do total. Desse número, 3.055 dizem respeito a videiras e1.279 amacieiras.

 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO – MAPA
SECRETARIA DE POLÍTICA AGRÍCOLA – SPA
DEPARTAMENTO DE GESTÃO DE RISCO RURAL – DEGER
COORDENAÇÃO DE SEGURO RURAL
 PROGRAMA DE SUBVENÇÃO ECONÔMICA AO PRÊMIO DO SEGURO RURAL – RESULTADO 2012

 

RESULTADO GERAL POR ESTADO
UF Apólices (Unidade) Área Segurada (ha) Importância Segurada (R$) Prêmio (R$) Subvenção (R$)
Total 63.328 5.243.272 8.782.214.959 571.375.578 318.167.934
Paraná 22.666 1.746.198 2.198.688.135 165.037.360 96.147.799
Rio Grande do Sul 16.533 1.118.337 2.163.068.214 127.977.962 71.775.321
São Paulo 9.319 505.894 1.356.660.950 83.783.499 44.881.996
Mato Grosso do Sul 3.398 679.758 706.702.327 64.144.745 38.238.838
Santa Catarina 5.561 180.466 556.883.650 52.054.137 27.558.115
Goiás 1.981 348.113 536.959.636 23.774.565 12.221.335
Minas Gerais 2.514 235.968 653.844.591 23.026.377 10.961.851
Mato Grosso 590 225.383 326.822.427 13.306.549 7.440.576
Bahia 314 81.022 129.251.477 9.471.340 4.718.683
Piauí 147 48.968 53.699.844 3.963.613 1.930.182
Maranhão 76 27.173 34.987.169 2.428.415 1.203.904
Tocantins 71 22.902 29.532.772 1.519.952 665.264
Rondônia 60 6.626 6.733.036 385.180 190.790
Distrito Federal 21 2.830 4.313.214 210.808 108.932
Alagoas 57 12.344 17.897.257 152.752 59.668
Pernambuco 8 631 1.837.147 82.072 45.752
Espírito Santo 9 612 4.104.783 49.455 16.967
Rio de Janeiro 2 47 193.330 4.108 1.172
Ceará 1 0 35.000 2.689 789

 Kelly Lubiato / Revista Apólice

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