No Brasil ainda não há a mesma penetração do seguro de responsabilidade civil que há nos outros países. No entanto, com a maior conscientização das pessoas pelo seu direito de consumidor, a tendência é que isso mude. Por exemplo, antes da criação do Código de Defesa do Consumidor, as empresas não se esforçavam para melhorar os produtos ou serviços conforme recebiam reclamações dos seus consumidores. Além do número de reclamações ser menor do que hoje, até havia registros delas, mas a escala era menor. “O CDC veio com o objetivo de mostrar que não vale a pena lesar o consumidor”, observou o advogado Walter Polido durante seminário de Responsabilidade Civil promovido pela Aon nesta quinta-feira, 23 de maio, em SP.
Hoje, o alcance da reclamação de um consumidor vai mais longe e ganha mais amplitude com o uso da internet. Sites como o Reclame Aqui e as redes sociais expõem as empresas que não estão de acordo com o direito do consumidor. Isso aumentara a demanda dos empresários por proteção e, consequentemente, a demanda por seguros de responsabilidade civil. “O brasileiro tem acentuado a busca por resolução de conflitos no Judiciário. Com isso, muitos acabam aceitando o acordo com a empresa para receber uma indenização ao invés de esperar anos para sua ação ser julgada”, relatou Polido.
Uma oportunidade que se abre para as seguradoras é que, com o acesso ao crédito facilitado, as pessoas poderão adquirir mais bens e buscarão  proteção para eles. “Quanto maior o acesso a cultura e a bens, mais as pessoas terão interesse no seguro. As seguradoras precisam se preparar para isso”, avaliou Polido. O lazer, por exemplo, é muito valorizado pelo jovem de hoje. Há seguradoras na Alemanha especializadas em seguros com foco no turismo.
Além da consciência ampliada, temos novos direitos. O novo Código Civil, que é de 2002,traz direitos de personalidade e estéticos. “São situações novas que não estamos familiarizados. Em seguro, focamos muito em danos materiais e lucros cessantes. E esses novos direitos?”, questionou Polido.
São novos riscos que o mercado não pode ignorar.
Jamille Niero/Revista Apólice

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