As maiores perdas dos últimos anos aconteceram em 2011, muito por conta do terremoto e tsunami que atingiu o Japão naquele ano, informa Alfredo Gomez, vice-presidente da Swiss Re, durante palestra no 2º Encontro Internacional de Resseguro, que acontece no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano houve também a inundação na Tailândia, quando 70% do país foi atingido. Em 2012, as maiores perdas aconteceram nos Estados Unidos.

A pergunta que se faz é quem realmente paga por estas perdas? Entre 1970 e2012, a maior perda aconteceu em 2005, com o furacão Katrina, que atingiu os Estados Unidos.

Na América Latina e no Caribe, catástrofes naturais e desastres causados pelo homem atingiram perdas de US$ 4 bilhões. O custo para o seguro foi de US$ 0,9 milhão. Os furacões também atingiram o Caribe, mas as perdas seguráveis foram menos significativas.

O verão mais quente nos Estados Unidos trouxe perdas enormes também para o setor agrícola, com perdas significativas.

O numero de catástrofes continua a aumentar. “O mercado esta preparado para prevê-las e propor modelos?”, pergunta Gomez. Ele afirma que outra preocupação latente refere-se a elevação do nível do mar. “Temos que ter atitude pró-ativa para investigar as implicações do aumento do nível do mar nos próximos 100 anos e disponibilizar medidas para mitigar os riscos”.

Rodrigo Botti, da Terra Brasis resseguradora, falou sobre as catástrofes que aconteceram em 2011 e 2012. Ele questiona se há realmente maior atenção aos “cold spots” ou foi algo passageiro?

Gomez afirma que não basta acessar apenas os riscos que estão claros, mas o mais importante é olhar para perdas econômicas com as quais ninguém se importa, mas que são significativas. “No processo de transferir uma quantidade maior de riscos temos que investir em tecnologia para mitigar estes riscos”, diz.

A exposição brasileira a inundações é diferente do resto do mundo. O risco brasileiro é de 70% e modelos de inundação sao raros e diferentes do brasil, como Inglaterra, Alemanha e Bélgica. “Como vamos conseguir atrair e desenvolver tecnologia e modelos de riscos de inundação brasileira é o grande desafio”, argumentou Botti.

A questão é como trazer tecnologia e o primeiro passo é conhecer a fundo o risco e descobrir as possibilidades de cobertura para os impactos econômicos.

O mercado está sendo bem efetivo na distribuição de seus riscos de resseguro. Seria viável criar um modelo de parceria do mercado de seguros e resseguros com o Governo brasileiro para implementar estruturas similares as do México ou Caribe.

A parceria consiste em criar tecnologias de transferência de risco. A população mais vulnerável e aquela que não tem possibilidade de bancar as coberturas necessárias.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro

Revista Apólice

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