Um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgado em janeiro apontou que o Brasil poderá sofrer blecautes de energia em algumas cidades durante a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e até mesmo durante a Copa das Confederações, evento que ocorrerá neste ano.

Boa parte das cidades-sede poderá ter problemas no fornecimento de luz, considerando que cidades como Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Cuiabá, Natal e Curitiba registram sérios atrasos em relação ao cronograma de obras estabelecido pelo governo para promover o campeonato. A lista de empreendimentos necessários contém novas linhas de transmissão e de distribuição, ampliação e modernização de subestações de energia, necessárias para manter funcionando estádios, aeroportos e as próprias cidades. A menos de um ano e meio da abertura dos jogos, mais da metade desses 163 empreendimentos necessários está atrasada ou não saiu do papel, indica o relatório da Aneel. De todas as cidades-sede (são 12), apenas duas (Fortaleza e Recife) estão com os projetos em dia.

A falta de energia para a realização desses grandes eventos esportivos, no entanto, não é a única preocupação dos brasileiros. Muitas empresas consideram a falta de energia um dos maiores riscos para a sua atividade. A pesquisa “Allianz Risk Barometer 2013”, realizada pela Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), por exemplo, indicou a “interrupção de negócios e o risco na cadeia de suprimentos” como a maior preocupação dos empresários brasileiros, conforme 37,5% das respostas.

A pesquisa reuniu opiniões de 529 especialistas em seguros corporativos e industriais da Allianz sobre os riscos mais importantes que empresas em 28 países e diferentes setores podem enfrentar em 2013. Apesar de suas particularidades, segundo respostas dos entrevistados, o Brasil se iguala ao resto do mundo no que se refere aos três maiores riscos em 2013: paralisação do negócio por falha na cadeia de suprimentos; desastres naturais, como enchentes; e incêndios e explosões. Esse resultado parece estar associado à globalização.

“A confiabilidade do fornecimento de energia vai diminuir no futuro por causa do envelhecimento da infraestrutura e da falta de investimentos substanciais”, explica Michael Bruch, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da AGCS. Os impactos de um apagão são muito maiores hoje do que há 10 ou 15 anos, por causa da elevada dependência que as empresas têm das tecnologias da informação e da comunicação e da generalizada falta de preparo por parte das empresas.

Caso ocorra a interrupção das atividades de uma indústria, ela pode ser indenizada se isso causar dano material – neste caso, a cobertura é por conta do seguro de riscos operacionais. “É uma cobertura para danos materiais ocorridos na planta do segurado e inclui interrupção de energia”, explica o diretor da carteira de infraestrutura da Aon, Clemens Freitag. Se o dano material fizer com que a produção pare, certamente haverá prejuízos financeiros. Para situações como essa, é possível acoplar à apólice de riscos operacionais uma cobertura acessória para “interrupção de utilidades que gera lucros cessantes”. Do total de apólices da carteira de grandes riscos da Aon, o diretor estima que 20% têm essa cobertura acessória.
A aceitação do risco por parte das seguradoras também depende muito do apetite do ressegurador. O especialista da área de Energia e Engenharia da AGCS, Andreas Hoelscher, conta que é uma cobertura já conhecida no exterior, mas ainda pouco explorada no mercado brasileiro. “Não é muito procurada pelos clientes ainda, mas começa a chegar ao mercado. Estamos cada vez mais cientes de riscos como esses”, comenta. Um dos fatores para a baixa procura é o valor, que costuma ser alto, o que inviabiliza a aquisição por empresas menores. “É um seguro caro, feito sob medida”, comenta Freitag. Portanto, geralmente apenas as grandes corporações optam pela contratação.

Hoelscher explica que geralmente é contratada uma cobertura adicional em riscos patrimoniais para falhas em serviços providos pela iniciativa pública ou privada. “Podemos incluir quais empresas e serviços estão cobertos, se é fornecedor de água, gás e/ou energia”, indica. O especialista estima que 50% das apólices de riscos operacionais da companhia já tenham essa cobertura adicional.

Jamille Niero / Revista Apólice

 

 

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