Especialistas do Núcleo de Medicina Fetal e Perinatal do Hospital Samaritano de São Paulo realizaram um procedimento inédito na América: uma cirurgia endoscópica para fechamento de espinha bífida/mielomeningocele. A cirurgia aconteceu no dia 23 de fevereiro.
A mielomeningocele é uma doença congênita caracterizada por uma malformação das estruturas que protegem a medula, que acomete o bebê na sétima semana de vida intra-uterina. A cirurgia fetal tem o objetivo de proteger (cobrindo ou fechando) a medula exposta, visando reduzir a lesão dos nervos expostos ao líquido amniótico durante toda a vida intra-uterina, o que levaria a uma destruição nervosa progressiva.
“O diagnóstico precoce de malformação no pré-natal é o primeiro passo para o sucesso de intervenções que possam ser feitas por cirurgia fetal”, afirma Denise Pedreira, pioneira em cirurgia fetal endoscópica no país e especialista do Núcleo de Medicina Fetal e Perinatal do Hospital Samaritano de São Paulo.
A especialista explica que a correção deste defeito antes do nascimento mostra melhora no desenvolvimento neurológico do bebê e menor necessidade de colocar válvula para tratar a hidrocefalia, quando comparada aos casos operados somente após o nascimento.
A técnica endoscópica foi desenvolvida na Alemanha, publicada em 2009, com cerca de 70 procedimentos já realizados desde então. Foi a primeira vez que esta cirurgia foi realizada fora da Alemanha em qualquer país do mundo. A cirurgia convencional é feita “via céu aberto”, com corte na barriga e no útero para operar o feto. Já a técnica endoscópica é feita por câmera de vídeo, sem a necessidade da abertura do útero, apenas pequenos “furos”.
“A grande vantagem da técnica endoscópica é oferecer menos risco para a paciente, já que na cirurgia convencional há risco de ruptura do útero durante a gestação ou mesmo em uma futura gravidez”, explica Denise.
O procedimento foi realizado pelos especialistas do Núcleo de Medicina Fetal do Hospital Samaritano: Dra. Teresa Uras, neonatologista; Dra. Denise Pedreira, especialista em cirurgia fetal endoscópica; Dra. Nelci Zanon Collange, neurocirurgiã pediátrica; Dr. Edilson Ogeda, ginecologista e obstetra; e Dr. André Ivan Bradley, cirurgião pediátrico.
A cirurgia foi acompanhada também pelo Dr. Rubem Quintero, do Centro de Terapia Fetal da Universidade de Miami/Jackson Memorial Medical Center, que veio dos EUA especialmente para assistir o procedimento. “O que aconteceu aqui no Hospital Samaritano, em São Paulo, foi um momento histórico para a medicina. Estamos trabalhando nisso há mais de dez anos e, pela primeira vez, conseguimos fazer o procedimento fora da Alemanha. Estou muito feliz em participar desse momento”, disse.

A.C.
Revista Apólice

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