Ao longo da última semana conversei longamente com alguns dos principais nomes da atividade seguradora brasileira. Somando tudo o que foi dito por Osvaldo Nascimento, do Itaú e presidente da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), Paulo Marraccini, da Allianz Seguros e presidente da Fenseg (Federação Nacional de Seguros Gerais), Marcio Coriolano, da Bradesco Saúde e presidente da Fenasaúde (Federação Nacional das Operadoras de Planos de Saúde Privados), Norton Glabes Labes, da Bradesco Capitalização, Wady Curi, da Mapfre/Banco do Brasil Seguros, e Jayme Garfinkel, da Porto Seguro Seguros,os prognósticos do setor para 2013 são otimistas, o que não é pouco quando a previsão de crescimento do país não é alta.

As razões para isso são simples: não há como interromper o processo de enriquecimento da população e muito menos reverter as conquistas sociais dos últimos anos. Também não há como reverter ou paralisar as grades obras de infraestrutura indispensáveis para o país sediar a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Há uma longa caminhada pela frente, mas ela é positiva, na medida em que obriga os participantes do mercado a se profissionalizarem, redesenharem produtos, criarem novos canais de distribuição, rever custos e gastos, analisar parcerias, segmentar empresas, redefinir a forma de atuação, se posicionar no cenário, investirem para ganhar escala e se consolidarem como importantes players da vida econômica nacional.

Se fala num faturamento de 300 bilhões de reais para o setor. Um segmento econômico que fatura 150 bilhões de dólares tem que ser levado a sério. O número é maior do que o PIB de dezenas de países, para não falar que ultrapassa com folga o total aplicado em saúde no país, pelo Governo e pela iniciativa privada.

É consenso que o setor dever manter um ritmo de crescimento bem mais acelerado do que o restante da economia brasileira. Nisto não há contradição, uma vez que a demanda por alguns tipos de seguros permanece aquecida, enquanto, do outro lado, uma vasta parte do patrimônio nacional não tem qualquer tipo de proteção, a começar pela maioria dos automóveis que, com exceção do DPVAT (o seguro obrigatório de veículos), não possuem seguro, nem para o casco, nem para terceiros, nem para o motorista e os passageiros.

Não faz muito tempo, uma pesquisa apontava um total de 18 milhões de imóveis sem qualquer tipo de seguro. Além disso, os seguros de responsabilidade civil de todos os tipos ainda estão engatinhando, mas crescendo ano a ano e com bom potencial.

Os seguros de garantia são indispensáveis para a realização da imensa maioria das grandes obras em andamento ou projetadas para os próximos anos. Sem eles, não há como imaginar os estádios para a copa do mundo, os investimentos em energia, óleo e gás, o desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária e portuária e o transporte sobre trilhos.

Em outras palavras, o segmento irá crescer, não só em 2013, mas ao longo dos próximos anos. O que não é possível dizer é quem se dará bem. Os juros baixos vieram para ficar. Nenhum dos meus parceiros de conversa espera a volta dos juros altos que até pouco tempo atrás eram a regra. Esta mudança ainda não foi completamente compreendida, mas a magra remuneração da caderneta de poupança e dos títulos em geral, quando assimilada, terá um impacto na postura dos investidores.

De outro lado, obrigará as empresas a reverem suas políticas operacionais. A possibilidade da remuneração do capital, descontada a inflação, ser até negativa, obriga as empresas a focarem suas ações na melhora do resultado industrial. Para o setor de seguros isso implica num novo rumo. Até agora parte importante dos resultados vinha das aplicações financeiras. Isso acabou. Como a concorrência é acirrada, as empresas terão que realinhar seus produtos. Tem gente que se dará melhor, tem gente que sairá do mercado. Mas, como um todo, o setor ainda tem muito para crescer.

Revista Apólice área de seguros no Brasil

Antonio Penteado Mendonça / O Estado de São Paulo

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