Segundo estimativa do IBGE, o total de idosos atingirá 40,5 milhões de brasileiros em 2030, ou seja, 19% da população. O total de beneficiários de planos de saúde poderá crescer de 44 milhões de pessoas, em 2010, para 51 milhões, em 2030, se mantida a atual participação de beneficiários no total da população, aponta o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Esse cenário afeta diretamente os gastos com a saúde, esses que podem subir 35% em 2030, dos R$ 59 bilhões de 2010 para R$ 80 bilhões. Os dados foram apresentados na terça-feira (27), durante o seminário internacional “Projeções do custo do envelhecimento no Brasil”, promovido pelo IESS  em São Paulo. De acordo com Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS, em 2050 os idosos irão representar quase um terço da população. “Esse é um fenômeno irreversível, temos que estar preparados. A receita dos planos aumentará na mesma proporção do aumento dos gastos assistenciais”, avaliou Carneiro. Atualmente, o Brasil possui o 7º maior gasto de saúde do mundo. Levando em consideração o “efeito demográfico puro”, sem aplicar qualquer indicador inflacionário ou de frequência de utilização dos serviços, ao considerar a utilização de uma amostra de operadoras de planos individuais e a projetando para o conjunto de todo o mercado, concluiu-se que as despesas atingiriam R$ 83,1 bilhões em 2030 e, em 2050, saltariam para R$ 104,7 bilhões. Já em uma amostragem de operadoras de autogestão e a extrapolando para todo o mercado, a estimativa foi de R$ 87,6 bilhões para 2030 e de R$ 117,5 bilhões em 2050.

Na saúde pública, os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com assistências ambulatorial e hospitalar podem atingir, em 2030, até R$ 63,5 bilhões, um crescimento de quase 150% em relação aos R$ 25,5 bilhões despendidos a estes serviços em 2010.

As despesas com internações de idosos podem atingir R$ 14,3 bilhões, em 2030, valor 4,7 vezes superior ao registrado em 2010. O crescimento do gasto com internações para a população em geral subirá 2,8 vezes no período, passando de R$ 10,7 bilhões para R$ 30,1 bilhões. Assim, estima-se que, até 2030, os gastos da população idosa somarão quase metade de todas as despesas hospitalares do SUS. Segundo Antonio Carlos Coelho Campino, professor titular da USP, entre as medidas que podem ser tomadas é a melhoras de base de dados do serviço ambulatorial. “O Governo também precisa começar a pensar a longo prazo. É necessário racionalizar gastos em saúde, aumenta eficiência do setor, estudar impostos específicos em saúde, o que já acontece em vários outros países. Porém a sociedade não agüenta mais impostos, por isso é fundamental uma ampla reforma tributária”, explicou Campino. De acordo com o estudo, “estima-se que, num cenário plausível de crescimento da economia, de 2% ao ano, o orçamento do SUS será de R$ 37,9 bilhões em 2030. Em um cenário otimista, de crescimento do PIB de 4% ao ano, o orçamento do SUS ficaria em R$ 56 bilhões”.

Segundo Fausto Pereira dos Santos, assessor especial do Ministério da Saúde, existem grandes desafios para o setor público e privado. “O Governo tem trabalhado com um conjunto de ações para responder a esse novo perfil. Por exemplo, lançamos uma ação de combate a doenças crônicas, o programa academia da saúde, acesso gratuito a medicamentos”, exemplificou Santos.

 

 

Gabriela Ferigato

Revista Apólice

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