Uma rápida pesquisa com a plateia mostrou como a sustentabilidade nos negócios é encarada pelas pessoas. A consultora e especialista em finanças sustentáveis Maria Eugenia Buosi questionou o público presente em um dos painéis do VI Fórum de Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, promovido pela Fenaprevi nesta semana em São Paulo, sobre qual a função da empresa, se o valor é igual ao preço da ação, qual é a melhor forma de avaliar um ativo e se a sustentabilidade é compatível com a geração de valor a longo prazo. A boa notícia é que as respostas mostram que os conceitos de sustentabilidade nos negócios são compreendidos pelos executivos que assistiram à palestra.

A consultora ainda mostrou que a sustentabilidade é um risco, mas também pode ser encarada como oportunidade. É um risco porque a empresa pode ser prejudicada caso não respeite o tripé da sustentabilidade (aspectos econômicos, sociais e ambientais). Como exemplos, Maria Eugenia citou casos de empresas que tiveram problemas de imagem devido a seus fornecedores, como a Zara, que comprava peças de uma confecção que utilizava mão-de-obra escrava; ou o caso da Arezzo, que criou uma coleção com pele animal e recebeu milhares de protestos nas redes sociais e viu sua ações caírem.

Por outro lado, a oportunidade pode ser aproveitada quando a empresa utiliza os conceitos de sustentabilidade no desenvolvimento de produtos. A Braskem foi o exemplo da vez, com seu polietileno “verde”. “Algumas empresas quiseram investir na planta da Braskem para garantir sua produção do plástico verde”, citou a especialista.

No mercado internacional, o investimento responsável está crescendo. Nos Estados Unidos, 12% dos investimentos seguem conceitos verdes e crescem acima dos mercados de investimento tradicionais. Na Europa, todos os ativos crescem mais ou caem menos em volume do que seus correspondentes no mercado tradicional. “Os títulos crescem 33% contra queda de 5% no mercado tradicional, segundo dados até 2009”, comentou.

De acordo com Maria Eugenia, os principais investidores desse mercado são instituições. “Fundos de pensão públicos, seguradoras e empresas relacionadas à educação. É diretamente relacionado ao mercado de seguros no exterior“, relatou.

Segundo ela, a sustentabilidade ainda é encarada como custo, mas as empresas começam a perceber que é também um diferencial da empresa. “Quando a empresa adota os conceitos de sustentabilidade, a imagem melhora, há retenção de clientes, atraem mais talentos, aumenta a produtividade e a eficiência, além do acesso a capitais”, apontou. Porém, adotar os conceitos de sustentabilidade não significa perda de valor ou filantropia. É preciso dissociar-se destes aspectos. “Se tirar o lado econômico da pirâmide, o que estamos falando não encaixará”, completou.

Jamille Niero

Revista Apólice

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