De cada dez brasileiros que fazem um plano de previdência privada, no país, atualmente, sete escolhem aplicar seu dinheiro no Vida Gerador de Benefício Livre, mais conhecido como VGBL, mostram dados do setor. O produto lidera a captação de recursos. Esse tipo de fundo já conta com R$ 179,1 bilhões depositados, ou 63% dos R$ 284 bilhões aplicados em previdência privada aberta, ou seja, aquela voltada para todas as pessoas e não apenas a integrantes de determinadas categorias, como são os fundos de pensão.

O VGBL foi a modalidade que mais cresceu no primeiro semestre deste ano, com arrecadação de R$ 28 bilhões, 38,24% a mais do que o verificado no mesmo período do ano passado – R$ 20,3 bilhões. Já o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), arrecadou R$ 3,2 bilhões, uma alta de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao lado do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), o VGBL tornou-se no Brasil uma opção de poupança popular de longo prazo, destinada à aposentadoria. Os dois são fundos de previdência geridos por instituições financeiras privadas. O benefício que o segurado vai receber quando se aposentar depende do tempo e do valor das contribuições. Por isso, os consultores de finanças pessoais afirmam que quanto mais cedo começar a contribuição, melhor.

A principal diferença entre os dois tipos de planos está no tratamento fiscal. No PGBL, é possível deduzir na declaração de Imposto de Renda as contribuições feitas ao plano até limite de 12% a renda bruta anual. Entretanto, na hora do resgate, o contribuinte será tributado na fonte, com base na mesma tabela do Imposto de Renda que incide sobre os salários. O VGBL não tem essa vantagem, mas, em compensação, o Imposto de Renda só é cobrado sobre o rendimento e não sobre o total resgatado. Tanto o PGBL quanto o VGBL permitem que se façam resgates a qualquer tempo. Mas a alíquota do IR do VGBL varia de 35%para um prazo mínimo de dois anos de investimento e vai até 10% para quem deixa o dinheiro aplicado por mais de 10 anos.

– Por isso, o VGBL é indicado para quem tem um horizonte de investimento acima de dez anos, com foco total na aposentadoria. Quem saca o dinheiro antes desse prazo é penalizado com alíquotas de IRmuito altas, de até 35%, que levam boa parte do rendimento – diz Mauro Calil, gerente do Instituto Nacional de Investidores (INI).

Por causa da diferença no tratamento fiscal, o VGBL é mais indicado para quem faz a declaração de imposto de renda simplificada, afirma o superintendente de produtos da BrasilPrev, João Batista Mendes Angelo. Essa parcela de contribuintes não vai aproveitar a vantagem da dedução oferecida pelo PGBL, diz ele. O superintendente da Brasilprev lembra também que o VGBL é classificado como um seguro. Isso porque se o beneficiário morre durante a fase de contribuição, os herdeiros indicados por ele recebem o valor investido.

– O VGBL é um produto de previdência privada numa embalagem de seguro, que permite acumulação de capital. Os beneficiários recebem os recursos se o titular faltar, mas só na fase de contribuição. Se o titular morre na fase de recebimento, os herdeiros não recebem nada.

Por isso, o ideal é combinar um seguro de vida tradicional com o VGBL – diz João Batista, da Brasilprev. Assim como num fundo de investimento comum, o dinheiro investido num PGBL ou VGBL pode ser aplicado em títulos públicos (do governo) e privados (de empresas) ou ações. Até 49% do capital pode ir parar na Bolsa, segundo as regras atuais. E assim como os fundos de investimento, o VGBL cobra uma taxa de administração, que varia de 0,8% a 3% ao ano, e em alguns casos, uma taxa de carregamento, que é usada para despesas administrativas.

Os especialistas em finanças alertam que se o titular do PGBL é mais disposto a correr riscos para obter retorno maior, pode escolher um VGBL com maior parcela de recursos na Bolsa. Se o perfil é de um investidor conservador, o melhor é investir num VGBL que aplica em renda fixa.

– E no caso do VGBL vale o mesmo conselho do mercado financeiro. Taxas de administração acima de 2% são desvantajosas e é preciso negociar com o banco. E o desempenho do VGBL depende da habilidade do gestor em escolher ações ou títulos de renda fixa com os melhores retornos. Não há retorno garantido. Assim é preciso escolher uma instituição sólida para fazer a aplicação – diz Mauro Calil.

O diretor-executivo de Investimento e Previdência do Itaú Unibanco, Osvaldo do Nascimento, lembra que o beneficiário pode mudar o perfil do risco do investimento, sem pagar taxas ou ser tributado. Ou seja, quando o contribuinte é mais jovem pode alocar uma parte maior dos recursos em ações e ir diminuindo essa parcela à medida que fica mais velho.

– Num fundo de investimento comum, o beneficiário terá que sacar o dinheiro, pagar Imposto de Renda, taxa de administração e e só depois reaplicar os recursos – afirma Osvaldo do Nascimento.

Produtos de previdência de perfil mais conservador tem oferecido retorno entre 0,92% e 0,98% do CDI. Alguns VGBL com títulos como NTN-B com prazo de vencimento maior que cinco ano chegam a oferecer até 130% do CDI.

Procura por previdência privada seu salto

Nos últimos anos, houve um salto expressivo no número de participantes nos planos de previdência privada. Em 1995, eram pouco mais de 500 mil. Uma década depois, havia 7,7 milhões e, este ano, se as previsões se confirmarem, serão 12 milhões de pessoas contribuindo para ter uma aposentadoria complementar ao INSS, cujo piso atualmente está em R$ 622 e o teto em R$ 3,9 mil.

– A cultura de poupança está crescendo no país, embora o brasileiro ainda seja conservador na hora de escolher um investimento, seja para previdência ou para outro objetivo. É uma herança dos juros altos. Mas a busca por produtos mais agressivos deve crescer com a mudança deste cenário de queda de juros – diz Maurício Amaral, vice-presidente de Vida e Previdência da Zurich no Brasil. A empresa, que uma das três maiores seguradoras do mundo, vai oferecer em breve planos de previdência para pessoa física no Brasil.

No Itaú Unibanco,por exemplo, cresceu muito o número de pais que fazem um VGBL para o filho logo após o nascimento. Hoje, já há planos na Brasilprev, braço do Banco do Brasil na área de previdência, que aceitam contribuições mensais a partir de R$ 25. O beneficiário pode escolher entre sacar os recursos do VGBL de uma vez só ou ter uma renda vitalícia.

Por conta própria

Para quem tem disciplina para constituir uma previdência privada por conta própria, Mauro Calil recomenda investir 30% em ações e 70% em fundos imobiliários. É uma carteira com perfil mais conservador, para quem pode guardar, por exemplo, R$ 1 mil por mês. Para aqueles que têm perfil mais agressivo de investidor, Calil recomenda 70% dos recursos em ações e 30% em fundos imobiliários.

– O fundo imobiliário é um investimento considerado de renda variável,mas que oferece um rendimento constante e o retorno tem sido acima da renda fixa – diz Calil.

Os fundos imobiliários têm dado retorno médio de 0,75% ao mês.

 

Agência O Globo/ João Sorima Neto

Deixe uma resposta