O agronegócio é uma das principais atividades da região Centro-Oeste e Minas Gerais. Além da tradicional cultura agrícola – como a produção de soja, algodão e cana de açúcar, por exemplo – a pecuária também se destaca. Segundo o IBGE, a maior concentração de bovinos está na região, com mais de 34% da criação existente no Brasil. Apenas em 2007, o IBGE constatou que foram abatidas mais de 23 mil cabeças de bovinos, 20 mil cabeças de suínos e três milhões de cabeças de aves. Sem contar os mais de 12 milhões de litros adquiridos e as 32 milhões de unidades de couro inteiro cru de origem nacional adquiridas pelos curtumes.

“O produtor tem que lidar com eventos imprevisíveis, como as condições do tempo ou as oscilações do mercado. Trabalhando com colheita ou com abastecimento, um acidente pode acabar com a renda de um ano inteiro”, reflete o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesario Ramalho da Silva. Daí a necessidade de proteger sua produção. O seguro é uma das formas. Os estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso estão atrás apenas dos estados da região Sul e São Paulo no valor de subvenção destinada pelo governo ao seguro rural em 2011, totalizando cerca de R$ 58 milhões. Porém, há críticas sobre a maneira como o governo conduz o assunto.

“O seguro rural é um instrumento importante para o produtor. Queremos um sistema de seguro bem estruturado, mas da maneira como está hoje, no caso do Centro-Oeste principalmente, nem importa tanto se é caro ou barato, o problema é que não tem utilidade para os diversos setores do agro”, reclama Silva.

 

Riscos

 

No caso da pecuária, os principais riscos são a morte dos animais e a garantia do preço, que pode cair muito a ponto de não dar retorno ao produtor. “O primeiro seria um seguro de vida dos animais, indenizando morte por qualquer causa”, explica o responsável pela área de Seguros Rurais da Swiss Re, José Cullen.

A companhia já oferta esse tipo de produto no Brasil e pode ser adquirido para proteger tanto os rebanhos de corte quanto para produção de leite. O valor da cobertura varia, pois depende do tipo de gado, onde está o rebanho, se é confinado ou criado em pasto, entre outros pontos. “Seria a partir de 1,5% a 5% do valor segurado”, exemplifica.

O principal problema, avalia o executivo, é que a adesão a esse tipo de proteção ainda é muito baixa. “Considerando as quase 400 milhões de cabeças de gado existentes no Brasil, acredito que não há 1% do rebanho segurado. É muito pouco se compararmos com a proteção à produção agrícola, na qual nota-se consciência maior dos riscos”, estima. Ele considera que é preciso uma mudança de visão de risco dos pecuaristas e que eles percebam que é uma ferramenta de mitigação de riscos e, portanto, prejuízos. Um exemplo de risco ao qual os rebanhos estão expostos são as intempéries climáticas, uma vez que quando há seca não há pasto e, consequentemente, é preciso comprar alimento ou, em casos mais extremos, vender o gado.

O seguro pecuário também é oferecido pelo Grupo BB Mapfre, que tem produtos com foco no segmento rural e uma das maiores carteiras do nicho. A proteção existe há cinco anos, mas ficou “parada” durante um tempo. A seguradora resolveu mudar, simplificou a adesão e fez parcerias com instituições de crédito e associações. “A expectativa é atender as fases da produção, não só a etapa de engorda no pasto ou no confinamento, mas na etapa anterior ao frigorífico, a fase na qual o bezerro acabou de nascer, e depois a cobertura do desmame até o boi magro”, conta o diretor técnico de Seguros Rurais do Grupo, Gláucio Toyama. O seguro pecuário é uma das apostas da seguradora. Em um ano, a operação passou de R$ 250 mil a R$ 1 milhão em volume de prêmios. “Multiplicamos a operação em quatro e sem comercializar pelo canal de vendas do Banco do Brasil”, expõe.

Em Minas Gerais, a forte produção de café (cerca de 50% da produção brasileira) fez com que a seguradora desenvolvesse um seguro específico para a vida da planta. Porém, o produtor é visto como um todo e não só por sua produção. “Também damos atenção ao seu patrimônio e às operações. Tem a colheita, o beneficiamento e o estoque. Acabamos atendendo não só credito de lavoura de café, mas também a estocagem do produto”,

É um cenário novo, no qual os produtores procuram proteção patrimonial de silos e secadores. “Estamos trabalhando com a Susep para caracterizar um produto da família rural”, esclarece Toyama. Segundo ele, facilita ao produtor que tem o silo fora da área de produção e mais perto da logística urbana, o que acaba “fugindo” do nicho rural.

Confira a reportagem completa na edição 164 (julho) da Revista Apólice

Jamille Niero

Revista Apólice

 

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