A crescente escassez global de talentos como um fator que pode limitar a entrada das empresas em um novo mercado é a maior preocupação da maioria dos executivos de multinacionais  e ultrapassa questões como a fragilidade econômica ou até mesmo a instabilidade política, segundo relatório da MetLife. Entre os mais de 350 executivos entrevistados, 40% afirmam que pretendem expandir suas operações nos mercados desenvolvidos e nos emergentes, incluindo, mas não se limitando, aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

Os dados do estudo se baseiam na pesquisa da Economist Intelligence Unit (EIU), com foco macroeconômico e que compila dados coletados de vários setores da indústria e países. A pesquisa aborda os obstáculos do crescimento das empresas. “De longe, o maior desafio das empresas multinacionais é encontrar o talento nos mercados locais para expandir seus negócios. A guerra por talento está intensa e acontece em escala global”, disse Maria Morris, vice-presidente executiva do Global Employee Benefits da MetLife.

Na medida em que as multinacionais se expandem globalmente, o mesmo acontece com seu quadro de colaboradores. Das grandes multinacionais pesquisadas (com mais de US$10 bilhões de receita anual), cerca de um quinto (20%) espera ter, nos próximos cinco anos, mais de 85% do total do seu quadro de funcionários fora do seu país de origem. Esse número representa quase o dobro do número atual.

Além disso, a dificuldade de simplesmente atrair e reter talentos nos mercados fora da terra natal é muito clara na pesquisa. Cerca de dois terços (66%) dos entrevistados disseram que a escassez de talento provavelmente afetará seus resultados financeiros nos próximos cinco anos. O foco na escassez de talento e nos desafios de contratação é maior nas áreas de tecnologia, saúde, serviços, farmacêutica e biotecnologia.

O RH e os executivos concordam que os benefícios para funcionários representam uma ação importante: 90% afirmam que este é um fator-chave na batalha por talento local e  os benefícios só perdem em importância para o salário nas estratégias de globalização.

RH e líderes de negócios ainda estão distantes

Uma vez que a escassez de talento global é o problema número um para as multinacionais, a pesquisa da MetLife mostra ainda que há muito a ser feito para preencher o vácuo entre as percepções do RH e a de seus executivos sobre como avaliar o talento local nos mercados e o desejo de expansão da empresa.

Os representantes de RH são mais propensos que os executivos em dizer que suas empresas são pró-ativas na avaliação da porção que a aquisição de talento representa na entrada e expansão do mercado. Entre os executivos (excluindo o RH), 61% dizem que suas empresas avaliam as questões de gestão de talentos (ex.: aquisição e retenção de capacidades funcionais ou outras especializações) só depois de terem identificado os mercados para entrada/expansão, ou não veem o talento como um importante problema da globalização. Em contrapartida, 63% dos executivos de RH dizem que o talento é considerado quando os mercados estão sendo identificados.

 

O estudo também identificou as seguintes tendências:

– Uma em cada quatro empresas pretende entrar em novos mercados nos próximos cinco anos;

– Os mercados estrangeiros estão ultrapassando os mercados locais como fonte de receita futura para muitas multinacionais. Cerca de uma em cada três multinacionais espera que em cinco anos mais de 70% da sua receita seja gerada pelos mercados estrangeiros;

– Brasil, China, Índia e Estados Unidos são as principais opções das empresas que querem vender produtos;

– Vietnã, África do Sul e Sub-Saara são considerados como “oportunidade única” para as empresas que querem produzir produtos ou componentes;

– A maioria das empresas acredita que os benefícios para funcionários intensificam a fidelidade e a produtividade do trabalhador.

Em março de 2012, foram entrevistados 366 executivos do mundo todo. Mais da metade eram altos executivos (54%). As respostas vieram de várias regiões: 33% estavam sediados na América do Norte, 22% na Ásia Pacífico, 34% na Europa Ocidental, 10% na América Latina e 3% no restante do mundo.

O porte das empresas também foi bastante diferenciado, desde empresas com receita abaixo de US$ 500mi (46%) até empresas com receita igual ou superior a US$10bi (22%). A pesquisa cobre quase todos os setores, incluindo setor de saúde, farmacêutico e biotecnologia (12%), manufatura (12%), serviços financeiros (11%), TI e tecnologia (9%) e serviços (14%).

Do grupo entrevistado, 27% eram da área de administração geral, 23% de estratégia de desenvolvimento de negócios, 15% da área financeira e 9% de recursos humanos.

 

G.F.

Revista Apólice

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