Da esquerda para a direita: Marco Barros (Fenacap), a economista Tatiana Pinheiro (Santander), o consultor financeiro Gustavo Cerbasi e o jornalista Guto Abranches

A capitalização não é um investimento nem uma loteria, mas um instrumento diferenciado, que permite ao consumidor dar o primeiro passo para se disciplinar financeiramente e entender a importância de se proteger. É um produto que serve para todas as classes sociais e empresas no relacionamento com clientes. “Se montarmos um quebra-cabeça, entendemos que o título junta vários conceitos. Permite a disciplina financeira, entender e planejar objetivos, com o benefício de concorrer a premiação via sorteio e é instrumento flexível”, observou o presidente da Fenação, Marco Antônio Barros, durante workshop para jornalistas promovido pela entidade nesta terça-feira (03), no Rio de Janeiro. O consultor Gustavo Cerbasi, que participou do evento, concordou. “A capitalização é uma poupança estimulada, pois há sentimento de recompensa pela possibilidade de ganhar o sorteio”.

Há cerca de 40 milhões de consumidores de capitalização no Brasil. Entre janeiro e abril deste ano, o setor registrou faturamento de R$ 5,06 bilhões, crescimento de 22,43% em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados da Fenacap. O volume total de reservas alcançou R$ 20,4 bilhões, expansão de 13,3% em comparação com o ano passado. A expectativa de crescimento para 2012 é de 20 a 25%, previu Barros.

Atualmente, são comercializadas quatro modalidades de títulos de capitalização. São elas: tradicional (que tem por objetivo restituir ao fim do prazo de vigência, no mínimo, o valor total dos pagamentos efetuados); popular (propicia a participação do titular em sorteios, sem que haja devolução integral dos valores pagos); incentivo (é vinculado a um evento promocional de caráter comercial instituído por empresas e tem como objetivo alavancar vendas de produtos ou serviços das empresas promotoras, que oferecem aos seus clientes o direito de concorrer a prêmios); e compra programada (empresa de capitalização garante ao titular, ao fim da vigência, o recebimento do valor em dinheiro ou em bem/serviço). “Recentemente, porém, foi autorizada pela Susep a comercialização do microsseguro premiável”, destacou Barros.

De acordo com ele, mercados fortes e crescentes precisam que todos os agentes (vendedores e consumidores, inclusive) tenham conhecimento do segmento. O executivo ainda apontou que a capitalização é uma forma de proteger as pessoas de possíveis oscilações na economia, evitando, assim, que a população que avançou de classe social não volte à condição anterior. “A capitalização permite os primeiros passos no aprendizado da sociedade”, ressaltou. Com isso, as pessoas passam a compreender melhor outras formas de proteção e investimento, com conceitos e mercados mais complexos.

O preconceito contra o produto é um dos entraves para a expansão do segmento. “As pessoas confundem porque, anteriormente, forma de capitalizar estava indexada a poupança. Mas isso mudou”, apontou o executivo da Fenacap.

Para o consultor Gustavo Cerbasi, é preciso melhorar a venda de capitalização, não pode confundir o vendedor de soluções de investimento e de disciplina (capitalização). Muitos especialistas, ao criticarem a capitalização, apelam muito para o lado racional. “Apenas um terço da população é racional, os outros dois terços não são, ou seja, não adianta usar argumentos racionais, como apresentar estatísticas de que poucos são sorteados. A capitalização é um produto comportamental, para nos ajudar a lidar com disciplina”, completou Cerbasi.

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Jamille Niero

Revista Apólice

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