Durante os três dias do 48º Seminário da International Insurance Society muitas ideias foram discutidas e pelo menos uma atitude concreta foi tomada, a assinatura do PSI – Princípios para a Sustentabilidade em Seguros – por 33 seguradoras e entidades, na cidade do Rio de Janeiro.

Este documento foi elaborado para enfrentar uma nova realidade com mudanças provocadas pelas alterações e eventos climáticos extremos, riscos de catástrofes naturais, redução de riscos de desastres, esgotamento de recursos naturais, danos à biodiversidade e degradação do ecossistema.

Delegações de diversos países tiveram participação marcante. Um exemplo foi a palestra, logo no primeiro dia, de Michael McGavick, CEP do XL Group, que foi muito enfático ao afirmar que o mercado de seguros precisa inovar para manter e ampliar sua penetração na economia. Segundo ele, nos últimos dez anos aconteceu um crescimento da economia mundial, entretanto houve queda na participação de seguros em nível global.

Ficou claro também que as maiores oportunidades de negócios estão ligados às áreas de tecnologia, energia e cadeia de suprimentos. Também há uma preocupação de todos os participantes em relação às mudanças climáticas e aos eventos catastróficos, tanto os provocados pelo homem quanto pela natureza.

Nos riscos relacionados à longevidade, a maior preocupação é como pagar benefícios aos aposentados por um período muito maior. “As pessoas estão vivendo mais e com mais qualidade de vida. Em 2050, o mundo poderá ter mais de 4 milhões de pessoas centenárias”, contabilizou Greg Maciag, presidente e CEO da Acord. A expectativa de vida está aumentando rápido, mas as reformas nos sistemas previdenciários não conseguem acompanhar esta evolução.

Em uma plenária de resseguradores, os executivos fizeram um ‘mea culpa’ sobre sua atuação. Joseph Consolino, presidente e CFO da Validus Holdins, disse que o mercado precisa investir em comunicação para evitar que as resseguradoras sejam percebidas pela sociedade como entidade que lucram muito e que não tem compaixão num momento de sinistros catastróficos. “Nos preocupamos com esta impressão de que se não há catástrofes, ganhamos rios de dinheiro”.

O mercado de seguros e resseguros mundial deverá acompanhar ainda mais de perto as pesquisas científicas. “Temos cada vez mais informações e temos que fazer o link entre a proteção financeira e a subscrição dos riscos”, sentenciou James Vickers, Chariman da Willis Re. Estas pesquisas também contribuem para que cada risco seja precificado corretamente, o que é fundamental em mercados cada vez mais competitivos.

Mercado brasileiro adere ao PSI

O mercado brasileiro acaba de aderir oficialmente aos PSI – Princípios de Sustentabilidade em Seguros, documento elaborado pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade.

De acordo com o representante da ONU, Achim Steiner, mais de 30 empresas assinam o documento. Ele ratifica que ao longo dos últimos seis anos, a UNEP FI vem explorando a possibilidade de que sejam estabelecidos princípios para a sustentabilidade do mercado de seguros global, que pode catalisar e intensificar uma mudança de comportamento. “Nós precisamos construir uma economia verde, comunidades resistentes, apresentar uma gama mais ampla de resultados sociais e conservar melhor nossas florestas, rios e demais ecossistemas vitais”, complementou.

Os investimentos necessários para se colocar em prática os Princípios ainda não foram medidos. Entretanto, Jean Christophe Menioux, executivo da Axa, França, informou que a IIS já investiu US$ 1 milhão em pesquisas. “Existe uma gama enorme de possibilidades de investimentos e as seguradoras devem ter consciência de que vários departamentos serão envolvidos na implantação de estratégias sustentáveis”.

O mercado brasileiro pode começar a colocar em prática os PSI imediatamente. Algumas empresas já contam com práticas sustentáveis. De acordo com o presidente da Itaú Vida e Previdência, três pontos são fundamentais: educação, comunicação e produtos adequados. “Temos um sistema de distribuição que inclui 500 mil agências bancárias e 60 mil corretores de seguros. É uma grande possibilidade de começar a transmitir para a sociedade as informações que ela necessita”.

O presidente do Conselho da SulAmérica, Patrick Larragoiti, disse que o mercado põe em prática princípios sustentáveis à medida que realiza o gerenciamento de riscos. “O mercado está cada vez mais atento às demandas sociais e deve divulgar mais suas estratégias para os steakholders”. Ele lembrou que a adesão aos PSI também será incentivada pelos órgãos regulatórios, o que aumentara a força e a penetração dos PSI.

“Os princípios sustentáveis na área de seguros serão absorvidos pela sociedade de forma natural e gradual”, acredita Eugênio Velasques, diretor executivo da Bradesco. Para ele, aos poucos a população começará a entender e a escolher empresas que tenham atitudes sustentáveis.

A Mongeral também aderiu ao PSI.

Kelly Lubiato

Revista Apólice

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