A ascensão da classe C, nos últimos anos, é notória. Com o aumento médio da renda (dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – mostram que a renda em 2009 era R$ 634,12 ante R$ 495,12, em 2004), essa parcela da população conquistou patamares até então não disponíveis, como abertura de conta corrente em banco, crédito fácil e acesso a uma diversidade abundante de produtos e serviços. Esse cenário está cada dia mais pujante. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio (PNAD), entre maio de 2010 e 2011, 3,6 milhões de pessoas migraram para a chamada classe C. O que isso significa? Que o mundo dos serviços, em especial, deve ligar a sirene de alerta para adaptar seus produtos e garantir uma oferta que atenda com excelência as exigências desse novo mercado.

O “inchaço” da classe C é um fenômeno crescente desde 1992, mas sua expansão acontece de maneira mais acentuada desde 2001. Hoje, são 105,4 milhões de pessoas, ou 55,05% da população nessa faixa. E esse público não está só atento ao celular moderno, com tecnologia de ponta, que acaba de ser lançado. Ele quer, também, garantir que o seu futuro e o de suas famílias esteja seguro no médio/longo prazo. Exatamente nesse contexto que, há pouco mais de um mês, o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) divulgou a Resolução nº 244/2011, que regulamenta o setor do microsseguro. Trata-se de uma modalidade de seguros diferenciada, com modelos específicos de precificação, taxas baixas de administração e parcelas acessíveis ao perfil desse consumidor.

É um novo produto para um novo mercado, dentro de uma nova realidade. São infinitas as possibilidades associadas ao emergente setor de microsseguros. A mais valiosa delas é que o serviço representa um fator de estímulo à estabilidade financeira e, até mesmo, emocional da população de baixa renda. Ao mesmo tempo em que o trabalhador adquire acesso ao crédito e tem elevado seu poder de compra, o microsseguro surge como um elemento de proteção dessas conquistas. A partir de agora, o trabalhador poderá adquirir um plano que assegura sua vida, garante o sustento da sua família em caso de falecimento e, até mesmo, cubra todas as despesas de um possível funeral, em uma eventual necessidade. Muitas vezes desembolsando por essa segurança completa, cerca de R$ 10,00 mensais.

Já conhecido por milhares de brasileiros, o mercado do microsseguro tem um potencial enorme de crescimento na próxima década. O consumidor que compõe a nova classe C passou a demandar mais esses serviços e consegue, hoje, gerenciar melhor os riscos que poderiam impactar sua vida social. A estabilidade da sua família, nesse cenário, conta muito mais do que o smartphone da moda. A Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que 100 milhões de clientes em potencial poderão ser alcançados nos próximos dez anos, sendo 40 milhões até 2016. O setor hoje movimenta R$ 109 bilhões em prêmios por ano, e, pelas contas do mercado, representa 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é de que essa fatia chegue a 5% em 2012 e a 7% em 2014, alimentada pelos microsseguros e pelas apólices de grandes obras.

O mercado é promissor, basta que as empresas permaneçam atentas à sirene e ofereçam produtos e serviços de forma adequada ao seu público-alvo, o que não quer dizer somente produtos a preços baixos.

*Helder Molina é presidente da Mongeral Aegon desde 2004 e membro da diretoria do LIMRA (Life Insurance Market Research Association).

1 COMENTÁRIO

  1. o microseguro.tem custo tão alto como um seguro de vida.de valor alto. ref.as despesas de
    contato.via transporte.funciona nas agencias bancarias. porque não tem custos.
    a confirmação de pagamentos é minima altos indice de não pagamentos. o que o corretor
    terá que devolver a comissão.é o bobo da jogada.corre atrás do pequeno e o grande fica para
    o gerente do banco .com pagamentos via banco.

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