Em 20 anos o Brasil dobrou a produção de grãos. Um estudo atualizado anualmente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) projetou, na sua última edição, publicada em abril do ano passado, que até 2021 o Brasil deverá chegar a 68 milhões de hectares cultivados. A produção de grãos deve atingir 176 milhões de toneladas e a produção de carne deve aumentar 26% ou mais. Para que o País possa atingir os objetivos e concretizar os números, existem dois temas importantes: o crédito e o seguro. Estes foram os temas abordados no seminário “Instrumentos de crédito e seguro para o agronegócio”, realizado na última quinta-feira, 26 de abril, em São Paulo, pela Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG). “O produtor precisa ter segurança na mitigação dos riscos”, avaliou Ricardo Conceição, sócio-diretor da RiCon Consultoria e Assessoria, um dos painelistas do seminário.

Segundo ele, a aprovação da criação do fundo de catástrofe foi uma vitória extraordinária, porém, pouco se falou sobre o assunto depois e é algo que está parado. “O fundo de risco e o seguro agrícola são fundamentais para tornar o setor agrícola mais atraente e menos vulnerável para a colocação de recursos. As fontes para recursos estão escassas. A palavra chave é mitigação de riscos”, definiu.

Seguro

Para especialistas do mercado de seguros, hoje o seguro agrícola não atinge a amplitude necessária. De 1995 a 2001 os prêmios recebidos foram R$ 135 milhões e os sinistros pagos somaram R$ 240 milhões. Em 2005 iniciou-se o programa de seguro rural e os prêmios e sinistros cresceram, além do valor subvencionado pelo governo.

De 2006 a 2011, a somatória dos sinistros pagos é praticamente igual ao valor subvencionado pelo governo. Esses dados foram apresentados pelo presidente da comissão de seguro rural da FenSeg, Luiz Roberto Foz. “Hoje a distribuição do seguro agrícola é maior no Sul e no Sudeste. Mais de 80% do seguro é destinado ao Sul, São Paulo e Minas Gerais”, esclareceu Foz.

De acordo com ele, de 2009 a 2010 subvenção diminuiu e, este ano, o valor destinado pelo governo foi R$ 174 milhões e mais R$ 100 milhões serão liberados. “Mas ainda é pouco”, reclamou.

Foz explicou que, atualmente, apenas cinco seguradoras operam com seguro rural no Brasil. “É muito pouco para a extensão territorial do Brasil”, comentou. O motivo para o baixo interesse das seguradoras para atuarem no setor é que falta política de proteção climática e de preço, além da baixa subvenção, tornando o risco muito grande e, portanto, o seguro caro. “Queremos uma definição clara de qual é a parceria público-privada. Quem será atendido por política pública? Porque com mais clareza os agricultores vão saber qual caso será o seu e o dinheiro da subvenção será destinado a quem realmente precisa. É necessária uma avaliação de interesse socioeconômico e político. Também é preciso levar em conta as regiões e culturas”, pediu Foz. Segundo ele, os recursos são distribuídos por seguradora, dificultando para o produtor rural comprar o produto adequado ao seu perfil e sua produção. “Ele acaba comprando o seguro de quem tem subvenção. O produtor deveria poder escolher onde fará seu seguro”, opinou.

Outra solicitação do presidente da comissão de seguro rural da FenSeg é o cadastro único do produtor. De acordo com ele, é importante para diminuir as taxas. A FenSeg já está trabalhando com o Mapa para criar esse banco com informações que sirvam para seguradoras, financiadores e monitoramento.

Jamille Niero

Revista Apólice

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