O Hospital Samaritano de São Paulo completou a marca de 100 transplantes renais pediátricos realizados em três anos de existência do Núcleo de Transplante Renal Pediátrico da Instituição, atendendo também as demandas do SUS – Sistema Único de Saúde.

No mundo, a média de idade para a realização de transplante renal é de 12 anos, com um peso entre 35Kg e 40Kg. No Samaritano a média de idade dos pacientes é de nove anos, sendo que 25% têm menos de cinco anos e 10 % menos de dois anos. Além disso, as crianças transplantadas na Instituição tem uma média de 28Kg, sendo que 25% tem menos do que 15Kg e 10% menos que 9,5Kg. “Quanto mais cedo for realizada a cirurgia, melhor será para o paciente, pois evita o aparecimento de sequelas irreversíveis”, afirma o Dr. Paulo Koch, nefrologista pediátrico do Samaritano.

O transplante renal pediátrico implica quase sempre em maior dificuldade técnica pela desproporção entre as estruturas anatômicas do doador e do receptor infantil e pelo menor calibre de vasos sanguíneos. “O transplante não é a cura, mas um tratamento que proporciona ao paciente uma qualidade de vida próxima do normal”, salienta.

Segundo o Dr. Koch, poucos Hospitais tratam tais casos devido a sua alta complexidade e necessidade de estrutura hospitalar adequada, com profissionais especializados. “Os números com relação aos transplantes pediátricos no Samaritano são muito positivos, já que houve 100% de sobrevida dos pacientes e do enxerto de doadores vivos e 89% de sobrevida do enxerto de doadores falecidos, valores comparáveis às médias dos centros desenvolvidos da América do Norte e Europa” comenta o médico.

A equipe especializada em transplantes renais conta com nefrologistas, nefropediatras, enfermeiros, nutricionista, psicólogo, assistente social, entre outros profissionais. O Samaritano possui uma UTI pediátrica. Além disso, realiza um trabalho pioneiro em nefrologia infantil, com uma unidade de hemodiálise específica para essa faixa etária.

Em 2011, dois estudos foram finalizados pela equipe e fizeram parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi/SUS) no triênio 2009/2011. A primeira pesquisa abordou a incidência da doença renal crônica em crianças no estado de São Paulo e revelou que a frequência do problema é de 24 casos por milhão de crianças (menores de 18 anos). Isso significa que, só em 2008 – ano em que a pesquisa foi conduzida, foram registrados 320 casos em São Paulo, sendo que 85% dos pacientes eram atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Essa é a única pesquisa disponível no país sobre a doença.

O outro estudo clínico realizado de maneira inédita na América Latina apontou a necessidade da realização de hemodiálise diária, em detrimento da convencional (três vezes por semana), em crianças portadoras de doença renal crônica. Com esta frequência, a criança atinge mais rapidamente o peso e estatura ideais para a realização do transplante renal. De acordo com o estudo, 32% das crianças que foram submetidas à hemodiálise diária apresentaram crescimento significativo no período de um ano. Apenas 8% dos pacientes que realizaram hemodiálise convencional apresentaram crescimento no mesmo período. A pesquisa foi realizada com 50 crianças, de 4 a 10 anos, uma amostragem inédita no mundo.

 

G.F.

Revista Apólice

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