14/08/2022

KPMG mede as expectativas sobre abertura do mercado de resseguros

A KPMG realizou pesquisa com o objetivo de medir as expectativas dos agentes (seguradoras, resseguradoras e corretoras de resseguro) em relação à abertura do mercado de resseguros no Brasil. E a opinião de 84% dos entrevistados foi que a abertura desse mercado tornou as seguradoras mais lucrativas no País.
O levantamento – que ouviu 24 companhias – também mostra que 100% dos respondentes concordam que a gestão de risco das seguradoras melhorou, e para 63% as seguradoras também estão mais solventes. Entre outras consequências da abertura do mercado, que aconteceu em 2007, 80% indicaram que as seguradoras estão mais preparadas tecnicamente, e 79% disseram que os custos com resseguros estão menores.
“Nos últimos três anos, após a abertura do mercado, o setor passou por um período de ajustes, mas o saldo final é positivo. Apesar das dificuldades, a perspectiva do setor é favorável, com a previsão de boas taxas de crescimento, sobretudo em alguns segmentos específicos. Os eventos esportivos previstos para essa década também são um estímulo adicional”, afirma José Rubens Alonso, sócio-líder da KPMG para o setor de Seguros.
Outro dado analisado pelo estudo foi o efeito da crise econômica em relação às seguradoras e resseguradoras, sendo que esta última sentiu mais sua consequência. Entre os entrevistados, 25% afirmaram que a crise afetou muito as resseguradoras, 54%, que impactou pouco, e outros 21%, que não as afetou. Enquanto 79% dos pesquisados disseram que a crise atingiu pouco as seguradores e 21%, que não as afetou.
O levantamento ainda revelou que 71% dos entrevistados acham que a regulamentação atual não transmite tranquilidade ao setor. Segundo Alonso, esse percentual provavelmente reflete os humores do mercado em relação à edição das Resoluções 225 e 232 pelo CNSP, cujos dispositivos causaram grande polêmica. Por outro lado, 63% das seguradoras entendem que, na época do ressegurador monopolista, a colocação de risco era mais simples e fácil.
Em relação à expectativa de faturamento para 2011, 50% esperam uma taxa de crescimento da receita das resseguradoras entre 10% e 20%, enquanto 25% preveem crescimento acima de 20%, e outros 25% estimam crescer entre 0% e 10%. Já em relação às seguradoras, 75% esperam um crescimento entre 10% e 20%, 17% até 10%, e 8% preveem um aumento do faturamento superior a 20%.
Ainda sobre o futuro, 96% dos entrevistados acham que as seguradoras terão uma melhor gestão dos seus riscos e estarão mais preparadas tecnicamente. Em relação às taxas de resseguro para o próximo ano, apesar de as taxas internacionais serem, atualmente, consideradas baixas, a expectativa no País é que esses valores, de maneira surpreendente, caiam ainda mais, possivelmente pelo aumento da competição. Essa é a opinião de 46% dos entrevistados. Já 33% esperam que as taxas subam, e 21%, que permaneçam iguais.
O estudo também apontou outras questões:
 - Para 67% dos entrevistados, o fluxo de informações entre seguradoras e resseguradoras é eficiente e transparente.
-  Para 63% dos ouvidos, faltam técnicos especializados para lidar com a operacionalização e o controle das operações.
-  71% disseram que a carga tributária aplicada ao setor não é justa.
-  79% acreditam que o crescimento do mercado de seguros e resseguros vai superar o crescimento do PIB.
– 87% preveem a criação de novos canais de distribuição no setor de seguros.
“Atualmente, já é possível enxergar uma contribuição importante como resultado da entrada das resseguradoras estrangeiras e uma abordagem mais técnica para a subscrição. Cenário que deve permanecer. Mas também há desafios, principalmente, no que diz respeito à mão de obra especializada, regras estáveis e novos produtos. Se as empresas se concentrarem nestas questões-chave, o futuro deve ser promissor”, conclui Alonso.
O estudo foi desenvolvido em conjunto com o consultor Francisco Galiza. Para Galiza, tendo em vista a abrangência do levantamento, ele irá permitir aos diversos agentes do setor uma melhor compreensão da realidade atual, oferecendo assim subsídios importantes em suas decisões estratégicas.

G.F
Revista Apólice