De olho no próspero futuro do mercado brasileiro, a Swiss Re ao lado da International Finance Corporation (IFC) decidiram há nove meses investir mais forte no setor de seguros brasileiro. O passo seguinte foi anunciado esta semana com a capitalização de R$ 40 milhões na UBF Seguros, que até então estava meio de lado do setor. Com o investimento, a Swiss Re passa a ser a sócia majoritária da seguradora com 80%, sendo a IFC a minoritária com os outros 20%.
Para a resseguradora, é uma oportunidade de elevar os 10% dos prêmios em seguros que a companhia possui no mundo – o restante (90%) corresponde a resseguros. Já para a IFC, marca o seu ingresso neste setor. “As necessidades do Brasil são imensas. Pretendemos com esse negócio não ajudar o País por meio de investimentos pontuais, mas também estimular o crescimento do setor de seguros”, avaliou Pedro Mäder Meloni, advisor da IFC para a América Latina e Caribe.
De acordo com ele, os bons resultados angariados neste segmento pelo megainvestidor Warren Buffett serviu como um bom endosso para a IFC investir no mercado de seguros brasileiro. “Não ingressamos antes neste setor, pois as seguradoras brasileiras são bem dotadas de capital e não necessitam de tanto investimento”, justificou.
A negociação aguarda aprovação da Susep (Superintendência de Seguros Privados) e deve sair entre três e seis meses, conforme as expectativas de Ivan Gonzalez, diretor de seguros e linhas especiais para a América Latina e Caribe da Swiss Re, cuja entrevista exclusiva você confere abaixo:

Revista Apólice: Há quanto tempo a Swiss Re e a IFC conversam sobre a capitalização da UBF?
Ivan Gonzalez: Faz mais ou menos nove meses desde que tivemos o primeiro contato. [O acordo foi decidido entre os presidentes das duas instituições.]

Revista Apólice: Quais são as expectativas da Swiss Re com esse novo negócio?
Ivan Gonzalez: Gostaríamos de criar uma das maiores companhias de seguros do Brasil.

Revista Apólice:
Com essa aquisição, a tendência é aumentar a participação da Swiss Re em prêmios de seguro?
Ivan Gonzalez: A fatia correspondente a seguros no grupo está em crescimento. Em países, principalmente, na Europa e nos Estados Unidos já temos bastantes negócios. Porém, nos mercados emergentes não temos tanta participação. Por isso, a possibilidade de expandir nessas áreas é muito grande. [Atualmente, corresponde a 10% dos prêmios emitidos pela Swiss Re no mundo, sendo o restante (90%) em resseguros].

Revista Apólice: O foco da Swiss Re agora são os países emergentes?
Ivan Gonzalez: Sim, para crescer em seguros.

Revista Apólice: A companhia já tem expectativas de quando a negociação será sancionada pela Susep (Superintendência de Seguros Privados)?
Ivan Gonzalez: Esperamos que a aprovação do órgão regulador venha entre três e seis meses, mas ainda não temos certeza da data exata.

Revista Apólice: Só então vocês poderão começar a prospectar novos negócios?
Ivan Gonzalez: Exatamente, mas como a Swiss Re já é acionista da UBF, podemos prospectar negócios pela seguradora enquanto a capitalização juntamente com a IFC não é sancionada pela Susep.

Revista Apólice: O resseguro dos negócios da nova companhia será feito totalmente pela Swiss Re?
Ivan Gonzalez: Não necessariamente. A Swiss Re a partir de agora é a sócia majoritária, mas não detém 100% do capital, pois queremos diversificar. Além disso, temos duas resseguradoras admitidas no Brasil. [Conforme as regras atuais, as seguradoras são obrigadas a repassar às resseguradoras locais 40% dos negócios que geram cobertura de resseguro.]

Revista Apólice: Vocês pretendem expandir a atuação da seguradora além das linhas especiais (seguro garantia e rural) no Brasil?
Ivan Gonzalez: Sim. Todos os segmentos relacionados com infraestrutura: engenharia, construção, marine, energia, mineração, hidrelétrica e outros segmentos interligados, pois todos são similares ao seguro garantia.

Revista Apólice: A Swiss Re tem bastante expertise na área de seguro rural. Aprovada a capitalização da UBF, existe algum produto que já poderia ser implantado imediatamente no Brasil?
Ivan Gonzalez: Acho que sim. Depende um pouco do apetite do mercado brasileiro. Nós temos vários produtos inovadores na área de derivativos para clima para garantir a produção. Precisamos saber se o Brasil tem apetite para isso. Gostaríamos de trazer muitos produtos que temos fora do País.

Aline Bronzati
Revista Apólice

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