O aumento da esperança de vida da população brasileira, que hoje é de 73 anos contra 69,7 anos em 1998, acabou gerando um risco decorrente da longevidade, afirmou ontem na 2ª Conferência Anual de Resseguro, o especialista Ronald Kauffmann, da Scor Global Life, principal patrocinadora do evento, considerado o maior do gênero no mundo.
O que está se vendo nas populações mais longevas, e o Brasil está incluído nisso, é que o conjunto de pessoas passa a ter algum tipo de dependência física, que acontece em determinado momento da sua vida, quando elas não podem sozinhas tomar banho, se alimentar ou se higienizar , explicou.
Em muitos países, esse conjunto de dependências está sendo incluído pelo Estado dentro da sua seguridade social, informou Kauffmann. Isso não ocorre ainda no Brasil. Não é simples para o Estado bancar mais riscos de seguridade social que os da aposentadoria.
Chamado na França de seguro de dependência de longo prazo, esse modelo já se expandiu para a Espanha, Portugal e Israel e deverá chegar em breve ao Brasil.
De acordo com Kauffmann, a experiência francesa será transferida para as seguradoras brasileiras, uma vez que a Scor atua no ramo de resseguro, que é popularmente conhecido como o seguro do seguro. O produto destinado às pessoas longevas propicia uma renda ou um capital que as pessoas possam usar para cobrir sua dependência. O que se quer é dar capacidade para aquele dependente ter mais qualidade de vida .
Kauffmann afirmou que o crescimento da expectativa de vida dos idosos brasileiros, que representam cerca de 11% do total da população, propicia que as seguradoras, além de renda, possam oferecer o serviço a seus clientes. Ele disse que, enquanto o governo brasileiro não adota a ideia, vai caber ao setor privado atender a esse mercado, complementando a seguridade social. Isso é algo que não é novo só no Brasil. Também no resto do mundo é novo.

Alana Gandra / Correio da Paraíba

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