Artigo: Resumo do DIA (Digital Insurance Agenda) Munich

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Os números são impressionantes, aproximadamente 1000 profissionais do mundo dos seguros provenientes de 40 países (de todos os 6 continentes) e pertencentes à 250 diferentes empresas.

Talvez, alguns de vocês estejam se perguntando: – por que desta vez a conferência DIA foi realizada em Munich? Mas existe uma justificativa muito boa para a escolha. Atualmente a cidade de Munich possui mais Insurtechs do que o Vale do Silício. Isso mesmo, difícil de acreditar. Porém, isto não é por acaso! O governo alemão está por trás desse feito.

Foi realizado um “concurso” entre cidades alemãs para hospedar tais subsídios e se tornar um local de aceleração da transformação digital do mercado segurador e esta competente cidade ganhou.

Já são mais de 170 Insurtechs registradas enquanto que que no famoso Vale do Silício são em torno de 140, segundo relatado no próprio congresso. E a organização do congresso?

Bom, tendo participado da versão anterior em Amsterdã em maio deste ano, eu tinha grandes expectativas em relação a esta conferência (pela qual me apaixonei), tanto pelo conteúdo quanto pela organização. Não posso negar que gostei mais de Amsterdã, embora houvesse menos pessoas (em torno de 700), era mais fácil interagir com os expositores e palestrantes, e acabou por facilitar a organização do evento. Na edição de Amsterdã tudo era novidade também, mas nada que desqualifique o DIA Munich, apenas um gosto pessoal pelo evento anterior.

Com 50 empresas no palco, em sua maioria de start ups, empresas já estabelecidas e envolvidas na transformação digital também marcaram presença, então era de se esperar muitas novidades. Posso dizer que, realmente, vi evoluções com a criação de novos focos de trabalho que demandam ênfase em algumas tecnologias específicas, menos exploradas na versão anterior. Em Amsterdã, a maior parte dos trabalhos estava focado em soluções B2C por isso UX e Chatbots foram estrelas na última conferência. Apareceu pouca coisa de IA e Ciência de Dados.

Vendas diretas de seguros de vida, auto e personal lines pelo digital foram o foco da maior parte dos trabalhos e, por outro lado, análise de riscos e sinistros assim como outros produtos como saúde, por exemplo, foram menos abordados quando comparado com o DIA Munich. Uma evolução importante que percebi na versão de Munich é que o conceito de ser Digital no mundo Insurtech começa a mudar para abranger toda a cadeia de distribuição.

Agora, já apareceram muitas soluções de start ups e empresas envolvidas na transformação digital para abranger o corretor e também para facilitar as vendas B2B2C alcançando as expectativas de empresas de canais alternativos que já se encontram no mundo digital, tais como varejistas e bancos digitais.

Creio que agora está mais claro que a transformação Digital no mercado segurador não se dará exclusivamente pela venda direta ao consumidor e que se explorará melhor o potencial Omni channel de toda a cadeia de distribuição.
Afinal, parece que vender seguro é desafiador até na Europa, tendo que lançar mão de todas as possibilidades para se convencer o cliente lá também.

O foco em UX e em Chatbots continua bastante presente, mas cedeu bastante espaço para Inteligência Artificial, Big Data, Data Analytics, Machine Learning e Blockchain desta vez. A criação de algoritmos usando estas tecnologias devem ganhar bastante força para resolver dores deste mercado, assim como deve ocorrer o aumento da colaboração entre seguradoras através do Blockchain.

Creio que nos próximos anos, os esforços em Ciência de Dados e IA devem ganhar muito peso na transformação do mercado segurador, pois os mesmos vão possibilitar ganhos em todos os pontos da cadeia de valor: vendas, arrecadação de prêmios, pós-venda e sinistro.

O nível de conhecimento que se alcançará em torno 3-5 anos possibilitará vender os seguros que as pessoas exatamente precisam (personalizados) para serem ofertados no momento certo (micro momentos) e num custo muito mais baixo porque as seguradoras vão conhecer melhor os seus segurados antes mesmo de se tornarem clientes e, portanto, a sinistralidade deve ser menor e melhor estimada.

Mas, por hora, o que necessitamos ainda é de muito investimento e foco para se alcançar estes objetivos, as tecnologias já estão ao nosso alcance, falta agora inseri-las no cotidiano do mundo dos seguros com sucesso.
Uma menção importante é que não vi nenhum trabalho para aumentar a eficiência da arrecadação de prêmios (persistência de pagamentos), já que está é também uma grande dor do mercado segurador.

Talvez, isto se explique pelo fato de não ser um problema nos países ricos (ou no mínimo, um problema menor que nos países pobres), também pode ser que acreditem que este é um assunto de Fintech e não de Insurtech. Bem, este é um tema para outro artigo.

Um resumo de tendências/exemplos:

• Os trabalhos em cima dos processos de vendas deixaram de se dedicar exclusivamente para um modelo B2C, agora enxerga-se também investimentos na criação de meios de distribuição em conjunto com intermediários, misturando marketing direto, corretor e atendimento do pós-venda mobile B2C (Apps e chatbots);
• Foco na digitalização da conexão com produtos de seguros, APIs abertas e modelos que zeram custo de set up também estão ganhando atenção de forma a atender as empresas que querem vender seguros e já são digitais;

• Muitos trabalhos voltados para a análise e precificação de riscos para gerar cotações mais assertivas usando ciência de dados e IA, especialmente, em seguros para empresas;

• Uso de IA e ciência de dados para prevenção de riscos, buscando redução de sinistralidade, com bons exemplos em saúde, no objetivo de que o paciente não vá imotivadamente ao médico;

• Aplicação de ciência de dados e IA para automação e melhor fluidez de regulação de sinistros, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a satisfação do cliente final.

Alessandro Maracajá
CEO/Co-Founder Solutions One

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