Insuretechs levam o mercado de seguros brasileiro a Las Vegas

Insuretech Connect

Desta vez, ao contrário do ditado, o que aconteceu em Vegas “precisa” sair de Vegas. Em sua segunda edição, o Insuretech Connect reuniu 200 palestrantes de diversas áreas para apresentar as mais recentes oportunidades ligadas à tecnologia no Caesars Palace, na cidade de Las Vegas. Apenas para ilustrar, os organizadores divulgam que são investidos US$ 5 bilhões por ano por empresas de seguros em tecnologia.

“Na noite passada, Las Vegas foi a cena para uma situação de atirador ativo focada nos participantes de um show ao ar livre. É triste, assustador e levou várias pessoas a se perguntar se o ITC ainda teria lugar”, disseram os fundadores do evento, Jay Weintraub e Caribous Honig, em mensagem aos participantes no primeiro dia.

Cerca de 40 brasileiros participaram deste evento. Um deles foi o diretor da Porto Seguro, Rivaldo Leite.

Rivaldo Leite. Crédito: Fernando Martinho
Rivaldo Leite. Crédito: Fernando Martinho

“Tudo o que vimos lá parece meio futurista, mas não é nada de que o mercado brasileiro esteja desconectado”
Rivaldo Leite


Muito do que viu na feira de produtos mostra que o seguro deve estar na “palma” da mão do consumidor. Um dos exemplos é um aplicativo que vende um seguro de acidentes pessoais assim que o usuário chama um Uber. Uma boa discussão do evento foi sobre como será o seguro dos carros autônomos. Ainda se discute quem será o dono da apólice, porque este prêmio terá um valor alto por conta de toda a tecnologia envolvida.

Outro destaque, segundo Leite, foi o uso de drones por parte das seguradoras tanto para a inspeção de risco quanto para a regulação de sinistros.

“Mas, por mais tecnologia que se adapte ao mercado de seguros e às vendas, a palavra broker ainda é muito forte. A tecnologia vai andar muito mas vai se dar bem quem unir tecnologia com gente. Nenhum dos dois vai andar sozinho”, destaca Leite.

Marcelo Blay, sócio-diretor da Minuto Seguros, endossa esta visão.

Marcelo Blay
Marcelo Blay

“O foco no cliente e o atendimento humanizado continuam sendo fatores críticos de sucesso de qualquer organização”
Marcelo Blay


O executivo afirma em um artigo que a grande surpresa veio com a mudança do conceito do uso dos dispositivos de telemetria em veículos, com grande foco na redução da sinistralidade, isto é, a tecnologia embarcada deixa ser apenas um acumulador de dados para uso em precificação, mas passa também a dar feedback em tempo real para o cliente, permitindo que a pessoa mude de comportamento, reduzindo ou evitando riscos.

Os criadores da Insuretech Segurize e Buscaprev, Renato Cordeiro e Keyton Pedreira, também participaram do evento. Pedreira conta que um ponto que chamou muito a sua atenção foi o fato das insuretechs terem facilidade para abrir uma seguradora para comercializar apenas um produto. “Isso facilita muito o processo de operação de produtos, porque integração dos processos da plataforma com as seguradoras.”

No Brasil, o capital para abertura de uma seguradora é bastante alto, o que inviabiliza esta prática para start-ups de menor porte.

A análise preditiva aliada à utilização de robôs também é uma tendência que pode acelerar os processos de vendas e de regulação de sinistros.

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Renato Cordeiro e Keyton Pedreira, criadores da Insuretech Segurize e Buscaprev

 “Combinadas, as análises preditivas conseguem prever alguns comportamentos do segurado, o que pode reduzir os sinistros e as fraudes”
Keyton Pedreira


A tecnologia de chatbot (robô que realiza atendimento via chat ou telefone) já chegou ao Brasil, entretanto, de forma ainda limitada. “Quando se coloca mais inteligência no robô é possível tirar dúvidas e ele fica mais próximo do atendimento humano. Cria interação mais real”, define Pedreira.

Apesar do Brasil estar bem atrás no quesito tecnologia, Pedreira aponta que temos vantagem no campo regulatório. “Nos Estados Unidos é preciso trabalhar com mais de 40 leis diferentes, pois cada estado regula o seu mercado. Porém, não é possível regular antes da chegada da inovação”, conclui.

André Gregori


“Tem de tudo por lá, mas o Brasil também está correndo atrás e, sinceramente, não vi nada que fosse novidade para nós, a não ser poucos casos isolados, como a apresentação de uma tecnologia que testa a sequência de DNA na saliva”

Andre Gregori


Gregori explica que este é o uso da epigenética pelas empresas que oferecem seguro de vida. “Duas seguradoras, não divulgadas, já estavam testando essa tecnologia de precificar o seguro por meio dessa técnica (análise preditiva). Ainda não temos isso no Brasil”, destaca o executivo da thinkseg.  Ele aponta também um outro aplicativo que tem como foco o engajamento dos milênios para produtos voltados a micro investimentos com proteção (seguros).  Outra plataforma de seguro de vida com seu app,  acompanha dados dos segurados em tempo real (monitoramento de mídia social, análise comportamental) para oferecer uma cobertura  imediata.

 

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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