Reformas deverão ditar expectativas do mercado financeiro

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O cenário do mercado de investimentos no Brasil, embora otimista, espera cenários mais claros para definir suas expectativas.

A indústria de fundos no Brasil atingiu 3.5 trilhões – representando quase 90% da indústria de fundos da América Latina. O País representa a 10ª maior indústria do setor no ranking mundial .

Já na SulAmérica Investimentos, conforme divulgação feita pela companhia na manhã do dia 18 de abril, a companhia alega ter tido o melhor ano da história da indústria, com captação líquida de R$ 130 bilhões, o melhor resultado desde 2002.

Esses números são ainda muito voltados para a renda fixa e produtos muito conservadores – por conta da alta taxa de juros, mas que, em termos de fluxo, foi bastante positivo – como deverá ser 2017. “O investidor já está enxergando a tendência de queda da taxa Selic e comprando produtos mais sofisticados”, sinaliza Marcelo Mello, vice-presidente da área de investimentos.

A indústria representa 57% do PIB, é extremamente movimentada e conta com diversos gestores. Ainda que o mercado mantenha o crescimento de 16% e que tenha um ritmo acelerado com potencial de crescimento. Mas Mello faz um adendo: “se essa conjuntura que estamos vivendo agora for estrutural”, destacou.

Mercado Mundial

A indústria de representa brasileira representa 2.5% do setor mundial. Entre 2002 e 2017 diversas coisas foram mudando. Houve momentos em que diversos investidores compravam muitas estratégias sofisticadas e outras muito ruins em que a taxa de juros ficou muito elevada. Esse movimento impactou principalmente a carteira de crédito.

Conforme destacou Newton Rosa, economista-chefe da companhia, o quadro geral está melhor do que nos anos anteriores, embora envolva alguns riscos políticos, especialmente com a política de Donald Trump e sua postura militarista, e o levante dos discursos populistas de direita na Europa. “Eu acho que dificilmente ganhe as eleições na França ou na Alemanha, mas os discursos populistas que têm surgido, na direita e na esquerda, apresentam riscos”, comenta.

Mesmo assim, a economia mundial está crescendo e há projeção de aumento de 3,4% para esse ano e 3,6 para 2018, segundo o FMI. Esse desenvolvimento é puxado pelos EUA.

Brasil

O pior da recessão brasileira já passou, acredita Newton. Mas a retomada ainda é frágil e será preciso a combinação de saída da crise com firmeza nas reformas para que se obtenha uma estabilização, de acordo com o executivo. “A expectativa é que as reformas sejam efetuadas e que isso venha colocar em ordem as finanças públicas e estancar a alta do endividamento do setor público”, acredita.

Nos lares, assim como na macroeconomia, os gastos também deverão ser revistos e a reestruturação dos hábitos de consumo só deverá trazer melhores resultados a partir de 2019. Isso porque o nível de endividamento das famílias brasileiras é de 45% e o FGTS liberado deverá servir para quitar esses débitos.

A Reforma da Previdência é, portanto, para onde se volta o olhar do mercado de investimentos. Mesmo que as dúvidas que rondam as próximas eleições tenham bastante peso, isso só será discutido pelo mercado após os resultados completos para saber se a reforma da previdência passará totalmente ou da maneira “desidratada”, conforme aposta Newton.

Marcelo Mello concorda com essa visão, e diz que esse recuo do governo e negociações sobre o que passará já era algo esperado pelo mercado e que, com isso, o mercado terá que ver mais pra frente se fará novas reformas ou aumentará impostos para garantir a solvência no País. “Será um divisor de águas, mesmo dessa forma desidratada” e que trará quatro itens importantes à economia brasileira: baixa exposição em renda variável par ao investidor local,  queda de Taxa Selic, o aumento de fluxo de investidores estrangeiros na bolsa e o que ele chamou de “desavalancagem das companhias” – a receita das empresas não estão subindo tanto, mas elas estão mais capazes de reduzir suas dívidas, tanto que a margem operacional tem subido muito

A expansão do PIB, de acordo com análise da SulAmérica Investimentos, ficará em 0,3%.

Amanda Cruz
Revista Apólice

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