Vivian Renno, da AIG Brasil

As empresas quase nunca nascem multinacionais, elas crescem e, então, se internacionalizam. A globalização financeira de uma companhia de matriz brasileira traz consigo muitos riscos aos quais ela deve se atentar. Como atender a todas as demandas inerentes ao negócio e ainda estar atento ao que é exigido por cada país no que diz respeito às contratações de seguro?

Tentando resolver esses problemas no Brasil, a solução que a seguradora AIG encontrou foi, juntamente com os corretores parceiros, ajudar seus clientes a expandir os negócios mitigando esses riscos. Para isso, estruturou “Programas Mundiais de Seguros” – um conjunto de apólices que garantem a operação em diversos países. Na companhia, as carteiras mais requisitadas para aderir a esses programas são as de Cyber, RC Profissional e D&O. A ideia é fazer com que a companhia no Brasil passe de um escritório emissor para ser produtor – que não apenas emita as apólices, mas que seja o detentor da administração delas aqui.

Isso é importante porque cada país pode ter legislações completamente diferentes e fazer exigências inimagináveis. “Por exemplo, na China, ada província é diferente. Há locais em que é preciso pagar o prêmio antes de emitir cobertura; em algumas nós podemos atuar como AIG e em outras é preciso atuar como network partner”, explicou Vivian Rennó, gerente de Programas Mundiais da companhia.

Esse tipo de solução ainda é algo novo no País – tanto para corretores quanto para clientes. Para Vivian, ainda será preciso criar mais cultura não só para que iniciativas como essa sejam reconhecidas, como também para garantir que os clientes sejam atendidos da melhor forma. “Muda o nosso relacionamento, tanto com o corretor quanto com o cliente quando você deixa de atender só localmente. Muda a maneira como a gente enxerga o cliente e até mesmo o poder de negociação dele. Porque eu não olho só para a operação no Brasil, mas para todas”, pontuou Vivian.

Um caso de dano à reputação 

Para exemplificar a importância desse programa, o caso ocorrido com a Adidas na Índia, em 2009 é bastante emblemático.

“O dano [à reputação] é algo difícil de mensurar. Por isso sempre destacamos o risco à reputação. É preciso ter muito cuidado ao olhar para outras geografia e regulações”,

A empresa tinha uma apólice na Alemanha e outra na Índia. Quando houve um sinistro, o valor contratado na apólice indiana era insuficiente e a indenização foi feita parte na Índia e o excesso dessa indenização foi feita na Alemanha. A regulação indiana é extremamente atuante e não permite que isso seja feito. O sinistro que ocorre no país deve ser totalmente indenizado ali. O mercado indiano acabou multando a Adidas porque essa decisão acarretou no não pagamento de tributos devidos dos US$ 20 milhões que foram para a matriz. O quanto isso custou para a reputação da companhia?
“Isso é um dano difícil de mensurar. Por isso sempre destacamos o risco à reputação. É preciso ter muito cuidado ao olhar para outras geografia e regulações”, ponderou a executiva

Para o Programa Mundial ser efetivo, alguns fatores são determinantes, como a figura de um gerenciados de riscos e a colaboração dos corretores, que não precisam ser brokers de grande porte para oferecer essa solução a seus clientes. “Ao invés de você ter uma pessoa em cada país cuidando de seguros, você vai ter uma pessoa no brasil que fará as pontes, mas que vai centralizar todo esse papel”, defendeu.

Ferramentas

Para que tudo isso possa ser colocado em prática, é preciso dar ferramentas às empresas e corretores. Dentro do site global da AIG, a companhia oferece uma espécie de treinamento, com duração de aproximadamente uma hora e meia, para o corretor que quiser se preparar e aprimorar seu discurso de venda desse serviço. O treinamento conta com certificado.

Outra ferramenta, já disponível em português no site brasileiro, traz uma série de perguntas – algumas objetivas de como é a operação da empresa, faturamento, tipo de operação e outras subjetivas, referentes às preocupações e práticas. No final, um relatório resume essas preocupações relacionando com os fatores conhecidos sobre o país escolhido para iniciar as operações. São dados como a complexidade de legislação, tributos, entre outros.

Para Vivian, quando antes as empresas fazem essa centralização, mas fácil é para que elas se organizem. “Mas é muito interessa como muda a relação entre as três partes: seguradora, corretor e cliente. A gente vai muito mais a fundo, quando a gente olha para o outro país é preciso entender realmente o que o cliente faz, quais os riscos que ele tem, como é o mercado. Acho que é uma tendência no nosso mercado [brasileiro], que é novo mas tem se transformado de forma rápida”, considerou.

Modelos

Existem três modelos que podem ser adotados por uma multinacional na hora de fechar suas apólices:
– Apólice local – Cada país com autonomia para decidir quais seguros estarão contratados, com qual seguradora. Não há coordenação de Programas de Seguros centralizada. Indenização local, de acordo com a regulação; pagamento de sinistro localmente.
– Apólice global – Apenas uma apólice no Brasil, com cobertura Mundial. Mas em casos como o D&O, o executivo não vai ter uma apólice local para fazer o pagamento de sinistro daquele país. É, normalmente, a mais barata, única e contratada pela matriz; é mais simples.
– Apólice do Programa Mundial – Combinação dos dois modelos anteriores. Uma apólice master feita no  Brasil e apólices locais nos demais países. A negociação, nesse caso, é feita com uma única seguradora. Sinistros regulados e pagos localmente; contratos com outros seguros que podem ser exigidos que não teriam cobertura em apólices realizadas em outros países

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Amanda Cruz
Revista Apólice

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