Chapecoense: seguros cobrem acidentes de esportistas e jornalistas

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O avião que transportava o time da Chapecoense caiu na madrugada de terça-feira (29) na Colômbia. Das 81 pessoas a bordo (9 tripulantes e 72 passageiros entre jogadores, equipe técnica e jornalistas), 76 morreram.

A Chapecoense disputaria a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional de Medellín na cidade colombiana Medellín, para onde viajava. A equipe embarcaria ontem em um voo fretado pela LaMia, da Bolívia, que partiria do aeroporto de Guarulhos (SP), mas a rota foi alterada após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vetar o fretamento. Assim, o time foi até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com um voo de carreira da companhia boliviana BoA, e pegou o avião fretado que sairia de Guarulhos.

Em março deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que pagaria seguro de vida a todos os atletas de futebol no Brasil. Inicialmente, essa apólice era custeada pelos clubes, mas desde março de 2016 a entidade passou a assumir esses custos depois de parceria com a Itaú Seguros.

A Porto Seguro Vida e Previdência informou que a apólice de seguro de vida contratada para jogadores e membros da comissão técnica pela Associação Chapecoense de Futebol inclui o pagamento de indenização no valor de 14 vezes o salário mensal de cada segurado limitado a R$1.750 milhão, além das providências necessárias para sepultamento.

No entanto, como a Porto Seguro Vida e Previdência já tinha os recursos mobilizados para embalsamamento e logística em território colombiano para seus segurados, a empresa decidiu estender a preparação para todas as vítimas do acidente. Essa decisão para atuação na Colômbia foi tomada para mobilizar os profissionais envolvidos e recursos financeiros necessários para agilizar o retorno dos corpos ao Brasil.

 

Seguro para esportistas

A Revista Apólice conversou com Paulo Grillo, corretor da Ecoverde Seguros, que faz apólices para esportistas e, inclusive, possui alguns clubes em sua carteira. Grillo afirmou que “os clubes geralmente têm esse seguro, especialmente os times maiores”.

Ele destacou ainda que é importante olhar também para os patrocinadores e o próprio atleta, que podem ter contratado proteção. “Lembrando que o seguro de vida não tem rateio. Se o atleta tiver contratado um seguro e tiver outros em nome dele receberá o valor total da indenização de cada uma das apólices”, afirma Grillo.

Riscos

Pela manhã, Gustavo Cunha Melo, corretor e especialista em gerenciamento de riscos, falou sobre a tragédia no programa matinal Bom dia Brasil, da Rede Globo. Ele afirmou que uma sucessão de falhas podem ter lavado à ocorrência do acidente. “Não podemos atribuir a apenas uma causa. Todo acidente tem um conjunto de fatores contribuintes. É preciso verificar, por exemplo, o terreno montanhoso que exige manobras complicadas e muitas curvas do avião para aproximação na pista de Medelin”, afirmou. Gustavo destacou ainda que esse não é um pouso fácil.

Essa dificuldade de pouso pode ser agravada em caso de meteorologia complicada, com formação de chuvas pesadas e a própria pane elétrica, que foi retratada pelo piloto e que pode ter se originado tanto pela falha de equipamento ou combustível nas turbinas. “Esse avião [modelo BAe 146 da empresa venezuelana Lamia] quadrimotor fabricado na Inglaterra e possui quatro turbinas. Com 17 anos ele é novo para a aviação, desde que esteja com a manutenção correta e em dia”, esclareceu.

Avião

O modelo, apesar de novo, não era mais fabricado e é um avião para trajetos e pistas curtos. A autonomia é de quase 3 mil kilômetros, a exata distância que separava Cruz de La Sierra de Medlín. “Ele parou de ser fabricado porque gastava mais combustível que seus concorrentes, só por isso”, esclarece. Ainda assim, a história do modelo conta com 13 acidentes o que, em uma frota mundial pequena, aproximadamente 300 aviões, é um índice relativamente alto.

O avião deveria ter combustível suficiente não só para ir até Medelín, mas para partir para qualquer duas outras alternativas de aeroportos, que devem ser definidos antes do trajeto. Além disso, mais meia hora de margem de segurança. Em momentos que exigem pousos forçados, é comum que o pilotose livre de combustível para facilitar a aterrisagem. Mas a causa da pane pode ser o próprio combustível, como falha na quantiodade do abastecimento. Gustavo afirma que já viu casos em que o piloto diz que irá jogar combustível fora mesmo quando o tanque já está sem, para não caracterizar pane seca. “A pane seca não tem cobertura do seguro do avião. Mas não podemos afirmar que isso tenha ocorrido. Tudo será investigado e esclarecido”, finaliza.

 

Amanda Cruz e Lívia Sousa
Revista Apólice

2 Comments - Escreva um comentário

  1. Pelas análises técnicas tudo indica que houve falta de combustível, uma vez que ele teve que aguardar autorização para descer em função de um emergência em uma outra aeronave que havia solicitado permissão para pouso primeiro, sssa por vazamento de combustível. De qualquer forma, um risco que não foi previsto e que levou a perda de vidas. Não sei se a aeronave era a mais indicada para a rota, porque 30′ de autonomia não me parece, analisando os fatos e evidenciando possíveis imprevistos, uma margem muito segura para essa rota.

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  2. Além do que, o modelo do avião é de asa alta, o que em casos de acidente permite um dano maior ao habitáculo, do que os aviões de asa baixa e desde que combustível tenha sido alijado. Em tese, a asa sob o habitáculo, dá uma proteção maior às pessoas em caso de pouso forçado.

    Osvaldo H. Nakiri

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