Tecnologia e os corretores de seguros no 3o. Ecoseg-SC
Tecnologia e os corretores de seguros no 3o. Ecoseg-SC

O Expoville recebeu, entre os dias 9 e 11 de julho o 3o. Encontro Catarinense de Corretores de Seguros, com um tema bastante instigante: Os desafios dos corretores de seguros na era tecnológica. Apesar de ainda ser difícil definir o destino final desta jornada tecnológica é possível afirmar, como diria o jornalista José Simão, “quem fica parado é poste”. Neste sentido, os corretores de seguros precisam se acostumar a lidar com um novo perfil de consumidores, que apesar de ainda fecharem negócios apenas no ‘cara a cara’, se cercam de informações e fazem suas reclamações na maioria das vezes por meios eletrônicos.
Armando Vergilio dos Santos Junior, presidente da Fenacor, disse que o mercado de seguros tem dado resposta positiva à crise econômica e política do País. “Passamos por um momento delicado e devemos reconhecer isso para superá-lo. O mercado de seguros tem sua importância e pujança ao estar crescendo neste momento muito acima da economia do País. Cerca de 15% nos últimos 4 anos e crescimento de quase 13% nos primeiros quatro meses de 2015″. Vergilio destacou que o estado de Santa Catarina cresceu 23% nos quatro primeiros meses deste ano. “Isso vem através do esforço do mercado de seguros local e dos corretores de seguros. É um exemplo para o Brasil e temos que continuar trabalhando para que possamos colaborar com o desenvolvimento social do País”.
Ele ratificou a importância do tema escolhido, porque a tecnologia é algo inevitável e é preciso reconhecer sua importância na otimização do tempo, por exemplo. “Quem continuar empreendendo com sucesso terá que se apoiar num parque tecnológico eficiente”, finalizou Vergilio.
Paulo Luckmann, presidente do Sindseg-SC, participou da abertura do evento lembrou a época em que o celular Motorola era o mais vendido, a internet engatinhava e a fotografia digital começava. “Antes os sistemas de cálculos eram feitos em MS-Dos, hoje a regulação é feita via foto digital através e um tablet”. Ele enfatizou a evolução do setor, que está intimamente ligada à tecnologia. “É preciso estar atento para aproveitar as oportunidades geradas pela tecnologia. Aproveitar as informações e transformá-las em aprendizagem e conhecimento para estabelecer proximidade e desenvolvimento de novos produtos que atendam as necessidades do consumidor. O espaço para ações como o Ecoseg-SC deve ser valorizado, porque ele traz adaptação, conhecimento e empreendedorismo para continuar crescendo neste mesmo ritmo da tecnologia”, completu Luckmann.
O presidente da Funenseg, Robert Bittar, engrandeceu a escolha do tema, porque a tecnologia cada vez mais ocupa espaço no cotidiano dos profissionais do setor. “Porém, por si ela não vai a lugar algum. O ser humano deve estar preparado para fazer bom uso dela. O tema se alinha com o caminho trilhado pela Escola Nacional de Seguros, porque se visa a satisfação dos consumidores e o reconhecimento dos segurados. A tecnologia proporciona avanços, mas o conhecimento é que direciona o desenvolvimento”, ensinou Bittar.
Auri Bertelli, presidente do Sincor-SC, afirmou que a cada novo encontro os desafios são vencidos. Entretanto, este evento mostra a capacidade de organização da nossa entidade. “Esta diretoria assumiu em janeiro de 2014, com a incumbência de realizar o Encontro da Mulher Profissional Corretora de Seguros, que foi um grande sucesso. A atual gestão tem como compromisso a valorização e o respeito pelo profissional corretor de seguros, com meta de aumentar a base de sócios, com gestão transparente, promovendo a capacitação e dando respostas rápidas às demandas dos corretores de seguros”. Para o encontro estadual foram novos desafios. A cidade escolhida não poderia ser melhor: Joinville. Beleza natural, pessoas hospitaleiras e infraestrutra impecável.
Temos a certeza de que o tempo investido valeu a pena e que os conhecimentos aqui aprendidos possam ser aplicados. Em época de crise, o Sincor-SC quer passar uma mensagem positiva, de que é possível encontrar oportunidades mesmo em tempos de crise.

“O desconforto é que nos move a pensar diferente e a despertar para as mudanças. O mercado de seguros tem muitos espaços para serem conquistados. Corretores, não chorem as perdas, celebrem as conquistas”, conclamou Bertelli.

A delicada relação entre corretores e seguradores

Maria Helena Monteiro, diretora de ensino da Escola Nacional de Seguros, coordenou um grande painel de discussões entre corretores e seguradores sobre como melhorar o relacionamento entre as partes.

Os corretores destacaram que a principal necessidade dos profissionais é em termos de treinamento da equipe e gestão de pessoas. Eles ressaltaram que é preciso formar seus profissionais e por isso, sugeriram às seguradoras que invistam na formação daqueles que devem atuar no setor.

O volume de retrabalho ou as atribuições burocráticas que as seguradoras passaram para os corretores de seguros deixou os profissionais sem tempo para realizar vendas. A ampliação do relacionamento com o corretor, ficou bem distante para os corretores de baixa produção, que é jogado para o “baixo clero”. As seguradoras costumam criar os seus processos de forma muito rígida, de cima para baixo. Eles sugerem que corretores representantes de cada região sejam ouvidos no momento da tomada de decisão por um sistema.

Os seguradores abordaram temas como prestação de serviços para automóveis e atendimento em call centers, pontos que são críticos no relacionamento com os corretores de seguros. Veja o comentário de Maria Helena sobre o evento:

 

Seguro ilegal na mira dos corretores

A atuação das associações e cooperativas no mercado é um dos temas que mais desperta interesse entre os corretores de seguros, uma vez que denigrem a imagem do setor e prejudicam diretamente seu negócio.

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, disse que o caminho para combater as associações e cooperativas que atuam irregularmente no mercado de seguros é através da polícia, porque é um mercado marginal e criminoso. Atualmente, existe 138 investigações sobre estas entidades.

Não temos agido de forma correta. É fácil cobrar uma atitude mais firme do sindicato, mas vale lembrar que todo mundo já comprou alguma coisa pirata. O brasileiro adora isso”, afirmou Armando Vergílio

“Chamar de pirata leva o público a este tipo de consumo. Mal sabe o consumidor que estas instituições vão anoitecer mas não amanhecer. Essa é a primeira crítica que faço a todos nós: assim colaboramos para a divulgação disso”, pontuou Vergilio, acrescentando que o que era ruim, piorou, porque a Susep está fazendo propaganda contra o seguro informal. “Mas ‘informal’ é uma palavra bem aceita pelo público, e ainda é assinada por apenas uma seguradora. É uma relação que merece uma análise mais profunda do ponto de vista ético. Estamos colaborando para piorar este cenário”, lamentou o presidente da Fenacor.

Ele enfatizou que trata-se de um crime, que deve ser tratado como tal. “Nosso papel é denunciar à polícia, ao Ministério Público e à Susep, que não pode atuar porque estas não são entidades supervisionadas, mas ela pode constatar que está havendo uma atuação irregular”, explicou Vergilio.

Auri Bertelli, presidente do Sincor-SC, disse que é necessário que a grande mídia tenha aderência à campanha. “Eles agora já passaram da fase de vender apenas seguros para caminhões e táxis e avançam para produtos como automóveis e residências”, avisou.

Para mostrar a posição das seguradoras, o diretor executivo da HDI, Murilo Riedel, diretor da HDI Seguros, alertou que a atividade das cooperativas é picaretagem pura, estelionato. “Do nosso lado, não reconhecemos a atividade das associações e cooperativas. Mas temos que entender porque a atividade existe. Qual espaço que demos para que a atividade nascesse? Sabemos das dificuldades que o segmento de caminhões enfrenta, pela simples razão de que os corretores e seguradores não estão fazendo a sua parte. Nos seguros de caminhões e cargas, eles custam caro porque o risco é alto e a margem neste produto é apertada”, explicou.

A garantia oferecida pelas associações não se compara a das seguradoras. “Porém, nós não conseguimos mudar o comportamento dos riscos da maior experiência matemática da ocorrência de sinistros. A frequência de sinistro não acontece pelo acaso, mas pela qualidade de treinamento do motorista, pela manutenção dos veículos e a qualidade da malha viária, tudo isso se reflete na sinistralidade. 98% dos sinistros que passam pela minha mesa são os que envolvem falhas dos motoristas. O preço poderia ser menor se a seguradora conseguisse fechar a conta da capacidade de seu fundo e fazer o pagamento de todos. Ela precisa, também, gerar resultados para os acionistas. Com tudo isso, o consumidor acaba indo pelo caminho mais fácil, o das associações e cooperativas”, avaliou Riedel.

“Corrente da Felicidade é o verdadeiro nome desta atividade”, disse o advogado Antonio Penteado Mendonça sobre o seguro irregular, no 3º EcosegSC. Já há decisão em primeira instância a favor do seguro pirata. “Vai ter gente que não vai receber a indenização porque vai acabar a bola de neve”, alertou.

O advogado disse que existem três mercados no mundo que são regulados: financeiro, mercado de valores e de seguros. As empresas que operam nestes mercados são fortemente reguladas porque o ser humano não consegue resistir a algumas tentações.

Fica evidente que o brasileiro não conhece seguro, uma parte porque não tema acesso (nem dinheiro, até para a comida). “Se colocar o microsseguro no cartão do bolsa-família, com cobertura de R$ 15 mil para morte e residência, o custo seria pequeno para o Governo e teríamos 100 milhões de pessoas cobertas”, exemplificou Mendonça.

Ele também provocou as companhias de seguro brasileiras, dizendo que elas só gostam de dar cobertura a riscos pequenos. “Se formos para a Europa, veremos que por ano a Allianz paga 7 bilhões de euros em consequência das enchentes de verão. Nos EUA, duas torres do World Trade Center, mais sete prédios, custaram 40 bilhões de dólares em indenizações de seguros. Na serra carioca, há alguns anos, até hoje não se conseguiu reconstruir ou tirar as pessoas dos abrigos provisórios. Se em outros países estes riscos tem cobertura, o Brasil só não tem porque as companhias brasileiras não querem negociar isso com as resseguradoras delas”, instigou o advogado.

Quando o IRB tinha o monopólio, não havia risco declinável no seguro. Em algum lugar está faltando conversa, porque não existe risco ruim, existe risco mal precificado. “Por que então fábricas e supermercados não têm seguros independente das acões que eles tomem para proteger os riscos. Não sei como as cooperativas ainda não entraram neste tipo de risco. Falta uma ação mais pró-ativa das seguradoras brasileiras para aceitar risco e para cotar seguros”, questionou Mendonça.

A conclusão dos membros deste painel é que é necessário sufocar a ação destas entidades, como denúncias para a Polícia Federal, Secretarias de Fazenda de Municípios e Estados e Ministério Público. Também seria muito bem vinda uma campanha institucional coordenada pela CNseg, Fenacor e Funenseg para mostrar ao consumidor o que é o seguro, como ele funciona, seu lado social e a sua finalidade.

O mundo tecnológico para os corretores de seguros

Todos os seres humanos dependem de três necessidades vitais: alimento (que nutre o corpo), abrigo (que protege das intempéries) e informação (que nutre a mente). O jornalista Ethevaldo Siqueira lembrou que os corretores de seguros ainda podem fornecer um elemento a mais para o cliente: a segurança, fundamental para a tranquilidade do ser humano.

O grande processo revolucionário da nossa época é a convergência digital com a sinergia de três mundos: conteúdo, hardware e telecomunicações. “O nexo das forças também é um processo fundamental, que reúne informação, mobilidade, nuvem e redes sociais. Nenhuma empresa pode se descolar de qualquer um desses conceitos se quiser estar próxima de seu público”, alertou Siqueira, enfatizando que os corretores não devem desprezar as redes sociais, porque elas são um poderoso meio de comunicação com os clientes.O mundo tecnológico - Ethevaldo Siqueira

Ele citou vários exemplos de como a tecnologia está sendo utilizada, explicou alguns conceitos sobre a Internet das Coisas e como deve ser a comunicação máquina-a-máquina no futuro. “Serão 150 bilhões de dispositivos móveis de comunicação em 2020. Hoje há 7 bilhões e 500 milhões de celulares em circulação, para uma população de 7,35 bilhões de habitantes, o que não significa que todas a pessoas possuem um aparelho”. Ele informou que o local onde a telefonia móvel mais se expande é na África, onde as pessoas não possuem escovas de dentes mas já tiveram contato com um aparelho móvel.

O celular no Brasil se expandiu e hoje atinge a marca de 285 milhões de aparelhos em serviço, ou seja, 170 celulares por 100 habitantes, em junho de 2015. “Podemos chegar a 320 milhões em 2016″, avisou Siqueira. Do alto de seus 83 anos, o jornalista disse que não se pode perder a chance de aprender, seja de que forma for. “Há várias formas de se atualizar e o e-learning é oferecido pelas melhores universidades do mundo de forma gratuita. Só custa o seu trabalho. “O maior investimento que se pode fazer é no conhecimento”, motivou Siqueira.

Revista Apólice também conversou com AIG e Berkley. Veja quais foram as impressões dos executivos da companhias durante o evento:

 

Kelly Lubiato, de Joinville
Revista Apólice

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