Empresas têm menos preparo e maiores perdas associadas a grandes riscos

A consultora e corretora de seguros Aon realizou um estudo com 1415 companhias, de mais de 70 países, que demonstrou as principais preocupações dos gestores sobre problemas que podem afetar os negócios atualmente e em um futuro próximo. O levantamento elencou as dez maiores dificuldades para as operações dos mais variados segmentos, como agronegócios, aviação, bancos, construção, hotéis, imóveis, varejo, tecnologia e telecomunicações.
Na média global, a preocupação mais citada pelos executivos ainda é a de desaceleração econômica e recuperação lenta da economia, seguida pelo receio de alterações regulatórias e legislativas e o aumento da concorrência.

A pesquisa, que é feita a cada dois anos, revelou um menor preparo das empresas para lidar com esses problemas e um aumento significativo nas perdas de receita associadas a eles.

Segundo Marcelo Homburger, vice-presidente executivo da Aon Risk Solutions, são muitos os benefícios de se investir em gerenciamento de riscos, como melhores controles internos, maior retorno para os acionistas e melhores padrões de governança. “Empresas com maior maturidade entendem algo que está claro para a Aon há algum tempo: que a gestão de riscos não é apenas uma maneira de evitar prejuízos, mas também uma ferramenta para agregar valor à operação”, afirma Homburger.
O estudo mostra que empresas que possuem em suas estruturas departamentos específicos para essa finalidade percebem esses benefícios melhor do que as que não possuem.
 Segundo Alexandre Botelho, diretor da área de consultoria em gestão de riscos da Aon Brasil, o estudo revela que muitas empresas ainda dependem da intuição e experiência dos membros da diretoria e não contam com processos estruturados para minimizar incertezas e integrar todas as áreas nas tomadas de decisão. “Em algumas situações, um risco pequeno pode levar a outro mais sério. Um transtorno na rede de fornecimento, por exemplo, pode resultar num impacto aos lucros e à reputação da companhia, culminar na inviabilidade de atrair ou reter talentos e, consequentemente, na impossibilidade de inovar e atender às necessidades dos clientes. É um efeito dominó que atinge todo o negócio. Todos os departamentos devem estar atentos para evitar que isso aconteça”, explica.
O executivo adverte ainda que alguns dos problemas citados na pesquisa não são seguráveis. “Parte destes riscos não podem ser transferidos através de seguros. Se a empresa não conhecer suas fragilidades e não tomar decisões bem estruturadas, ela é quem vai arcar com os prejuízos”. Não obstante, a Aon oferece as empresas um trabalho que ajuda na mitigação destes riscos através de ações que otimizam a gestão dos mesmos e consequente redução do impacto sobre as empresas, esclarece Botelho.

Panorama regional
A Pesquisa Global de Gerenciamento de Riscos 2013 teve ampla participação de empresas da América Latina, com mais de 10% da amostragem sendo dessa região.


O levantamento revelou que a percepção das companhias quanto aos maiores riscos para os negócios varia de acordo com a região e a América Latina encara os desafios de mercado de maneira muito diferente da Europa e da América do Norte.


De acordo com Keith Martin, consultor da Aon Brasil em riscos políticos e regulatórios, as empresas latino americanas foram menos afetadas pela crise econômica mundial e, portanto, a insegurança causada pela desaceleração econômica e recuperação lenta da economia não é a mais citada por esses executivos. “No Brasil, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador e México, por exemplo, as alterações regulatórias e legislativas preocupam muito mais, porque o Estado possui um viés de maior intervenção na economia”, explica.

Além disso, perdas associadas a riscos políticos e incertezas – que no panorama mundial só aparecem na décima posição – estão no terceiro lugar no ranking da América Latina. “O quadro macroeconômico mudou bastante e os dois últimos anos foram de pouco crescimento e muita insatisfação. As manifestações populares e os conflitos políticos e ideológicos recentes estão mudando a perspectiva dos empresários em relação aos riscos para os negócios”, comenta Martin.

A.C.
Revista Apólice

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