Por Ingo Dietz*

A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. De 2002 a 2012, as exportações brasileiras para o país europeu cresceram 186% e as importações de produtos alemães pelo Brasil subiram 194%, passando de US$ 4,4 bilhões para US$ 14,2 bilhões.
Desde 2005, acorrente de comércio bilateral passou de US$ 11,2 bilhões em 2005 para US$ 21,5 bilhões.Para o governo alemão,o Brasil é parceiro essencial na América Latina. Os alemães reduziram suas exportações para a União Europeia e passaram a buscar novos mercados, especialmente entre as economias emergentes.
Nos últimos três anos, cerca de 300 companhias alemãs se estabeleceram no País, e as empresas germânicas têm um estoque de investimentos de US$ 30 bilhões no Brasil.
Pesquisa de clima feita pela Câmara Brasil-Alemanha (AHK-São Paulo) em 2012, revelou que 77,7% dos associados da Câmara (1.200 empresas no total, que representam aproximadamente 10% do PIB industrial brasileiro) afirmam possuir planos concretos de investimento no Brasil.
O Brasil é o único país na América Latina com o qual a Alemanha mantém parcerias estratégicas. Com a assinatura do Plano de Ação de Parceria Estratégica entre Alemanha e Brasil,em 2008, os países se comprometeram a avançar na cooperação bilateral e multilateral. Tal cooperação também engloba a proteção climática, políticas ambientais e o G20 (questões financeiras, monetárias e econômicas).
Os brasileiros e alemães podem aproveitar cerca de 230 cooperações de institutos de ensino superior entre os dois países. Há bolsas do programa Ciências sem Fronteiras, um projeto junto ao MCTI (Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação) e ao MEC (Ministério da Educação) que tem parceria com o Daad (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). Os dois países tem muito que aprender um com o outro.
Há 20 anos, um estudante brasileiro teria mais interesse de ir para Alemanha que o inverso. Mas o papel do Brasil no cenário mundial mudou e hoje o fluxo de informações entre esses países se igualou.O Brasil temempresas sofisticadíssimas, como Embraer, e universidades de ponta como a USP e a Unicamp, além de uma das cadeias de agronegócio mais desenvolvidas do mundo.
Hoje, há 1,4 mil empresas alemãs no País. Aproximadamente 900 delas estão sediadas na Grande São Paulo, tornando-a a região com maior concentração de empresas germânicas no mundo. As empresas alemãs empregam 250 mil pessoas no Brasil. Nunca se teve uma concentração de investimentos tão positiva entre os dois países como agora e  temos tudo para avançar para um cenário mais próspero para os próximos anos.
As duas nações assinaram o acordo bilateral de Previdência Social, que garante a proteção previdenciária aos 89 mil brasileiros que vivem na Alemanha e aos 27 mil alemães radicados no Brasil. Também estão adotando algumas iniciativas de livre comércio.
No ano de 2012, a AHK atendeu 12 mil solicitações de informações comerciais de empresas alemãs sondando oportunidades no Brasil e organizou rodadas de negócios para 43 delegações empresariais alemãs. Todos esses dados mostram que o momento é crucial para estreitar as relações entre os países. Os números são promissores, mas ainda há muito a ser feito. É hora de arregaçar as mangas.

*Ingo Dietz é diretor de relações internacionais da Allianz Seguros e vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha (AHK-Rio)

 

 

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