Somente em junho deste ano, o número de fusões e aquisições em seguros totalizou 56 negócios, avaliados em US$ 1,57 bilhão, de acordo com estudo da Dealogic. O maior negócio anunciado foi da Ontário Teachers Pension Plan, que comprou 9,9% da Kyobo Life Insurance, por US$ 406 milhões. O segundo maior ficou por conta da Brit Holding, que vendeu sua subsidiária Brit Insurance Limited para a canadense FairFax, por US$ 300 milhões. No cenário brasileiro, a transações no mercado tiveram um aumento de 66,7% no primeiro semestre de 2011, em comparação com o mesmo período de 2010, segundo a Pesquisa Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil. O setor deixou a 12ª posição e alcançou o oitavo lugar no ranking de fusões e aquisições realizadas no país no primeiro semestre de 2011.

O dinamismo do mercado de seguros tem despertado a atenção de diversos fundos de investimentos, tanto de grupos estrangeiros como nacionais. A Minuto Seguros é um exemplo dessa realidade. Nesse ano a corretora online recebeu propostas de 42 fundos de investimento, incluindo grupos americanos, europeus e brasileiros. Após analisar a proposta de todas elas, com a ajuda da área de fusões e aquisições do Itaú como assessor financeiro, a empresa fechou parceria com a Redpoint e.ventures, nova firma de Capital Empreendedor sediada em São Paulo cujo objetivo é auxiliar empreendedores no mercado brasileiro de rápido crescimento, sendo o primeiro fundo afiliado ao Vale do Silício dedicado à região. O processo, até o fechamento da transação, durou nove meses. O valor da operação é mantido em sigilo pelas companhias, mas está incluído na categoria A de investimentos de venture capital, que varia entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões.

Segundo Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros, a escolha pela empresa se deu pois seria possível manter 100% da gestão atual da Minuto Seguros, além da ampla experiência da Redpoint e.ventures com tecnologia. “Não terão mudanças em nossa operação, teremos um aporte de capital que vai mudar nossa estrutura financeira e infraestrutura tecnológica. Eles estão no nosso Conselho de Administração, mas não nas funções executivas e nas operações do dia a dia”, afirma Blay. De acordo com o executivo, haverá um up grade no parque tecnológico, investimento em call center e em recrutamento. “O capital também será utilizado para acelerar o crescimento a partir da expansão do desenvolvimento de novos produtos. Nós já atuamos com seguro viagem e vamos lançar seguro para residência, vida, odontológico, saúde, equipamentos, além de desenvolver algo no âmbito de pessoa jurídica”, completa o CEO da Minuto Seguros.

Aquisições

Desde novembro de 2010, quando a Brasil Insurance realizou abertura de capital na Bolsa de Valores, a companhia já investiu um total de aproximadamente R$ 262 milhões — incluindo a estimativa futura dos earn-outs — em novas aquisições. Somente em 2011, foram 11 sociedades corretoras de seguro (R$ 192 milhões) e seis (R$ 70 milhões) em 2012. Ainda para este ano estão previstos mais R$ 130 milhões a serem investidos em aquisições. Entre os novos negócios destaca-se a compra de duas empresas situadas em Belo Horizonte: a Fazon Corretora de Seguros e a Triunfo Corretora e Administração de Seguros, que juntas movimentaram R$ 61,1 milhões, e a Economize no Seguro e a TGL por R$ 18 milhões. “Desde o nosso IPO, iniciamos uma estratégia de crescimento por meio da aquisição de corretoras especializadas para reforçar as operações e agregar novos produtos ao nosso portfolio, bem como aumentar a nossa presença regional”, ressalta Fábio Franchini, sócio da Brasil Insurance.

De acordo com o executivo, todos os processos passam por uma equipe interna da companhia dedicada exclusivamente às aquisições e, após o entendimento de como e em que segmentos a corretora atua e havendo interesse de ambas as partes, se inicia um processo de avaliação, no qual verificam a performance histórica e posição financeira, resultando em uma proposta de aquisição. “Após fechar o negócio, algumas áreas são integradas rapidamente como a financeira, contábil e sistemas. As demais integrações são acordadas caso a caso entre a Brasil Insurance e os sócios das subsidiarias. Nossa ideia é tirar das corretoras adquiridas os trabalhos administrativos possibilitando ao sócio focar em vendas”, completa Franchini. Segundo ele, o principal benefício notado após as aquisições, no aspecto comercial, é o crescimento do cross-seling, modalidade que representou 9,9% do volume de vendas da companhia no segundo trimestre de 2012, 5% a mais em relação ao segundo trimestre de 2011.

Outra empresa que tem investido em novos negócios é a MDS Consultores de Riscos & Seguros, que pertence à MDS Holding, resultado da joint-venture do Grupo Sonae (Portugal) e Grupo Suzano (Brasil). Desde 2007, a empresa já realizou um total de 11 aquisições. Entre as mais recentes está a compra da corretora Quórum, que atua com seguros de saúde, vida, produtos de previdência e apólice de grandes riscos. Na opinião de Marcello Addeo, diretor regional para o Rio de Janeiro da MDS Consultores de Riscos & Seguros, o mercado de seguros tem despertado a atenção de fundos de investimento, que vislumbram no setor uma maneira de se consolidar e, consequentemente, aumentar a rentabilidade. “Nós acreditamos que escolhendo os nossos parceiros criamos uma plataforma e uma parceria a longo prazo”, ressalta Addeo. Segundo ele, o grande desafio ao realizar uma aquisição é a gestão. “Isso acontece porque muitas empresas ainda são familiares. Também é necessário reforçar a gestão de RH, a manutenção de contas e entender a necessidade dos clientes após fazer o negócio”, acrescenta o executivo.

Confira a reportagem completa na edição 168 (outubro).

Gabriela Ferigato

Revista Apólice