Iniciado em 2010, o objetivo principal da seção “Comentários Econômicos” é realizar a análise de alguma publicação ou fato – nacional ou internacional – que tenha relação (direta ou indireta) com o mercado de seguros. Nesse comentário, nº 90, o acadêmico e Consultor de Seguros Francisco Galiza preparou uma lista de final de ano, com oito motivos que dão subsídios para um sentimento de otimismo no mercado.

1) Diversas pesquisas com seguradoras no Brasil (feitas de forma independente e confidencial) mostram que o corretor é o canal que vai mais crescer nos próximos anos. Ou seja, as seguradoras acreditam nas corretoras e estão montando uma estratégia nesse sentido para o futuro.

2) Apesar da crise, economia brasileira segue em crescimento. Além disso, o seguro, por suas características – em economia, diz-se que esse tipo de produto tem elasticidade renda maior do que 1) -, vai crescer em uma proporção maior, devendo atingir patamares internacionais nos próximos anos.

3) Há uns 10 anos, as taxas de comissionamento de seguros estavam em processo de queda, preocupando muitos profissionais da área. Entretanto, nos últimos anos, tudo indica que elas atingiram um patamar de estabilidade. Exemplo principal: Seguro de Automóvel.

4) Aumento do nível profissional dos corretores, favorecido por um ambiente propício para adquirir mais conhecimentos. Hoje, por exemplo, a produção bibliográfica e de cursos da Funenseg (a Escola de Seguros) é intensa, a maioria a preços muito baixos (alguns até de graça). Ou seja, sinceramente, só não aprende quem não quer.

5) Novos produtos no mercado de seguros surgiram e continuam a surgir para o consumidor. Para esses profissionais, isso amplia as possibilidades estratégicas. Exemplo: Microsseguro (a regulamentação acabou de sair), Odontológico, VGBL Saúde, etc.

6) Corretores estão descobrindo, cada vez mais, a oportunidade de vender novos produtos que são ligados de forma indireta ao seguro, e, com isso, se re-inventar e criar novos mercados! Há inúmeros exemplos para dar, desde cartão de crédito a produtos financeiros. Um, particularmente, tem chamado a atenção (apresentamos recentemente palestra a respeito), que é o mercado de certificação digital (um documento eletrônico que possibilita comprovar a identidade nas transações “on line”). Já existem diversas corretoras oferecendo esse produto em sua carteira. Teoricamente, há dois ganhos importantes. Primeiro, um ganho direto (estimado em uns 20 a 25% da sua receita original). Segundo, um ganho indireto, com novos segurados que podem ser obtidos a partir desses contatos.

7) “Internet”, quando surgiu com força há uns 10 ou 15 anos, era uma ameaça potencial. Sinceramente, até parcialmente justificada pelo momento em questão, muitos corretores disseram que a “internet” poderia dificultar em muito a corretagem de seguros, monopolizando o setor. Hoje, o que se vê é que muitas corretoras já estão bem mais familiarizadas com esse mecanismo, montando estratégias a respeito. Ou seja, elas próprias criando seus endereços, em um processo complementar de vendas, sem a existência de concentração econômica. No final, os corretores viram que a ?internet? se tornou uma aliada, não uma inimiga!

8) Transformação no mercado de distribuição, com a formação de conglomerados de corretores. Pala análise dos dados públicos, a avaliação desse tipo de empresa é favorável (pois vemos a manutenção dos preços de suas ações na bolsa de valores, apesar da crise nesses mercados). Ou seja, não vai ser a seguradora, o cliente ou o seu vizinho que precisam dizer isso. É o próprio mercado financeiro (nacional e internacional) é que acha que ter corretora de seguros é um bom negócio!

G.F.
Revista Apólice

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